Porque SIM? II
8 02 2007A Igreja e o aborto…
No passado dia 4, o frei Bento Domingues escreveu no jornal O Público, um artigo de opinião em que "no debate sobre o referendo, receio que a Igreja (…) perca, uma vez mais, a ocasião de se manifestar verdadeiramente católica."
Seguem-se alguns extractos, mas não podem deixar de ler todo o artigo.
"Acima do papa, como expressão da autoridade eclesial, existe ainda a consciência de cada um, à qual é preciso obedecer antes de tudo e, no limite, mesmo contra as pretensões das autoridades da Igreja." (palavras de Bento XVI, quando ainda era Joseph Ratzinger)
"As declarações e posições pouco católicas de certos movimentos, personalidades e de alguns padres dão a impressão de quererem entregar à repressão do Estado, do Código Penal, dos tribunais, da polícia, da cadeia, as suas convicções morais - isto é, parece que não confiam na consciência das mulheres, na sua capacidade de discernimento…. "
"…a grande suspeita em relação à pergunta do referendo está neste fragmento da frase: "por opção da mulher." E porquê? Porque se julga que as mulheres não são de confiança. No entanto, foi a elas que a natureza confiou a concepção e o desenvolvimento da vida humana…)
"Como dizia Tomás de Aquino, só somos verdadeiramente livres quando evitamos o mal, porque é mal, e fazemos o bem, porque é bem, não porque está proibido ou mandado. "
(clica na imagem para ampliar e ler o artigo)



































Oi! Costumo vir cá mas nunca comento pois o tempo é pouco…contudo quero te dar os parabéns…já que se tem um blog há que fazê-lo bem feito!
Quanto ao tema das 2 últimas publicações tenho a dizer-te que como tu respeito a opinião de todos e concordo que vivemos num país escolhas/opções livres, mas coloco aqui 3pensamentos que me têm perseguido nos momentos de reflexão sobre o assunto:
1º “A nossa liberdade termina onde começa a do outro” será que compete apenas à mulher decidir sobre uma vida gerada por 2 ???
2º Sou demasiado pessimista em relação ao nível socio-cultural da nossa população talvez mas, receio que o poder de opção em muitos casos não vá ser da mulher mas dos que têm poderes sociais/económicos sobre ela, aliás como já acontece agora!
3º Com os problemas que o país está atravessar, especialmente nas áreas da Educação, Apoio Social e Serviço de Saúde Pública, o que vai mudar de facto se o SIM ganhar?! Será que as mulheres vão fazer abortos em condições dignas conforme se espera, ou continuarão a fazê-los nos mesmos sítios e com as mesmas condições, só que sem que haja qualquer consequência judicial?!
Pode parecer ridículo dizê-lo a 3dias do referendo, mas não consigo tomar uma decisão pois de facto não encontro resposta para estas questões…
Governo deve tomar medidas em vez de pedir ao povo a solução
(Anônimo)
2007-02-08 03:25 pm UTC (link)
Não !
Não à legalização do aborto através da falsa bandeira (engodo) da despenalização !
A despenalização do aborto é outra forma enganadora de combater o aborto. O número de interrupções de gravidez, no mínimo, triplicará (uma vez que passa a ser legal) e o aborto clandestino continuará - porque a partir das 10 semanas continua a ser crime e porque muitas grávidas não se vão servir de uma unidade hospitalar para abortar, para não serem reconhecidas publicamente.
O governo com o referendo o que pretende é lavar um pouco as mãos e transferir para o povo a escolha de uma solução que não passa, em qualquer uma das duas opções, de efeito transitório e ineficaz.
Penso que o problema ficaria resolvido, quase a 90 %, se o governo, em vez de gastar milhões no SNS, adoptassem medidas de fundo, como estas:
1 – Eliminação da penalização em vigor (sem adopção do aborto livre) e, em substituição, introdução de medidas de dissuasão ao aborto e de incentivo à natalidade – apoio hospitalar (aconselhamentos e acompanhamento da gravidez) e incentivos financeiros. (Exemplo: 50 € - 60 € - 70€ - 80€ - 90€ - 100€ - 110€ - 120€ -130€, a receber no fim de cada um dos 9 meses de gravidez). O valor total a receber (810€) seria mais ou menos equivalente ao que o SNS prevê gastar para a execução de cada aborto. (*)
2 – Introdução de apoios a Instituições de Apoio à Grávida. Incentivos à criação de novas instituições.
3 – Introdução/incremento de políticas estruturadas de planeamento familiar e educação sexual.
4 – Aceleração do “Processo de Adopção”.
(*) Se alguma mulher depois de receber estes incentivos, recorresse ao aborto clandestino, teria que devolver as importâncias entretanto recebidas (desincentivo ao aborto). [Não sei se seria conveniente estabelecer uma coima para a atitude unilateralmente tomada, quebrando o relacionamento amistoso (de confinaça e de ajuda) com a unidade de saúde].
Estou para ver se os políticos vão introduzir, a curto prazo, algumas deste tipo de medidas. É que o povo, mais do que nunca, vai estar atento à evolução desta problemática.