Neste momento, a comunidade científica está dividida: certos cientistas acreditam que há pessoas a menos na Terra; outros acreditam que há pessoas a mais. Os que defendem que há pessoas a menos, como é óbvio, nunca tentaram atravessar a ponte 25 de Abril numa segunda-feira de manhã. Há que fazer mais pesquisa, companheiros. Por outro lado, a discussão terminaria com proveito para toda a gente se os cientistas que consideram que o planeta tem gente a mais morressem todos: contribuíam para a diminuição da densidade populacional e deixavam de chatear quem não se importa de viver apertado.
Confesso que não me interesso especialmente por questões demográficas, mas tenho um problema: sempre que se publica um desses estudos segundo os quais o mundo tem excesso de população, eu sinto que sou uma das pessoas que estão cá a mais. Maldito sentimento de culpa.
Uma coisa é certa: todos os estudos que apontam para o cenário catastrófico de um mundo superlotado parecem esquecer um facto a meu ver importante: boa parte das pessoas que estão vivas são idiotas. E essa idiotia acaba por lhes reduzir bastante a esperança de vida. Repare o leitor no seguinte: neste momento, cerca de três dezenas de membros de uma seita russa estão barricados numa caverna, a sudeste de Moscovo. Todos eles estão convencidos de que o mundo vai acabar em Maio de 2008 (o que me causa algum transtorno, porque já tenho coisas combinadas para Junho), e ameaçam cometer suicídio colectivo. Enquanto houver gente desta, o planeta nunca há-de rebentar pelas costuras.
Atenção: não digo que esta gente seja idiota por acreditar que o mundo vai acabar daqui a seis meses. Cada um acredita no que quer e ninguém tem nada com isso. Eu também acredito que ainda hei-de casar com a Scarlett Johansson e não há quem me convença do contrário – nem mesmo a Scarlett, que bem podia parar de fazer queixa de mim à polícia. O que eu reputo de idiota é a opção pelo suicídio a escassos meses do fim do mundo. Como é possível ponderar a hipótese de perder o fim do mundo, que deve ser um espectáculo tão bonito? Se me disserem que o mundo acaba daqui a cinco minutos, eu vou fazer pipocas e sento-me à janela. Suicidar-me, além de estúpido, é estar a trabalhar para o boneco. É verdade que, por mais vistoso que seja o fim do mundo, no dia seguinte não poderemos comentá-lo com ninguém. Mas não deixa de ser reconfortante saber que também não há qualquer hipótese de lermos um daqueles comentários irritantes dos críticos a quem tudo sabe a pouco: «As bolas de fogo não eram assim tão grandes. Nem chamuscado fiquei», ou «O apocalipse podia ter sido mais apocalíptico, especialmente no final.» Não, meus amigos. Eu não perco o fim do mundo por nada deste mundo.
Ricardo Araújo Pereira in Boca do Inferno/Visão















































Já estamos com a Greve Geral!
Um Abraço
Sabe, se o mundo fosse realmente acabar, que fosse num dia de semana, eu voltaria para cama e dormiria tranqüilamente; que vão lá os loucos pular das balaustradas e que fiquem as papa-missas a rezar. Quero que o mundo acabe em colchões. Estamos cá a esperar.
Ricardo Araujo Pereira…esse génio.
LOL
Se o mundo fosse pra acabar daqui a x tempo também eu faria como ele, pipocas, poltrona e janela.
Não tenho opinião formada sobre o facto de haver demasiadas pessoas no mundo (ou de menos!) pessoalmente acho é que há DEMASIADA gente parva..isso sim!
se o mundo for acabar , então que acabe em uma segunda-feira
A greve geral foi instalada e se houver quem duvide haverá salvação
30 pessoas irão nos salvar e salvar o nosso mundo do apocalipse
contanto que não restaurem o Ato de Registro
Vamos esperar para o juizo final, que o nirvana chegue !!
Ainda há tempo, hoje não está tão ruim assim, amanhã só pode melhorar …
ahhh sim…
Quem r]iria acreditar que uns 30 humanos irão nos salvar
Tendrick pense melhor , sua opinião foi totalmente desavisada
espere sentado, os seus mutantes estão em greve !
o Ato de Registro já foi restaurado
Ainda que religiosos russos cometam suicídio coletivo, árabes e israelenses se matem aos montes, realmente o mundo ainda continuará cada vez mais superpovoado.
Mas eu ainda não estou pensando em morrer por ser um dos que superlotam o mundo. Ainda acho que devo viver mais um pouco.
Temos visto várias datas para o fim do mundo, e ainda veremos muitas outras.
Embora o conhecimento esteja reduzindo a religiosidade da humanidade, acredito que ainda haverá religião por muito tempo; porque a desinformação continua grande, e os que têm fé não se dão o trabalho de pesquisar a veracidade daquilo em que acreditam.
Para não tomar muito espaço aqui, remeto os leitores a O FIM DO NUNDO
[...] Ler também Quarto com vista para o fim do mundo [...]