Windows Vista e Second Life disputam “fiasco do ano”

29 01 2009

Já foram apresentados os candidatos à edição deste ano dos Fiasco Awards, uma iniciativa que tem como objectivo distinguir os projectos tecnológicos que se revelaram um fiasco em 2008. O mundo virtual Second Life e o sistema operativo Windows Vista são dois dos finalistas.

Sob o lema «Deus distingue os tolos», os prémios Fiasco são o equivalente aos prémios Razzies para os Óscares de Hollywood, que premeiam os piores filmes do ano, e têm como objectivo «promover uma atitude positiva perante os fiascos».

Neste caso os promotores pretendem premiar os projectos desenvolvidos a nível mundial na área das tecnologias, que custaram milhões e não tiveram os resultados esperados ou foram bastante criticados.

Além do Second Life e do Windows Vista, a lista de finalistas inclui ainda o Lively, o mundo virtual do Google que não durou meio ano, ou o projecto One Laptop per Child, entre outros.

A entrega dos prémios vai ter lugar a 26 de Fevereiro em Barcelona. Até lá os cibernautas podem visitar o site da iniciativa para votarem naquele que consideram ser o fiasco tecnológico do ano.

in Sol

No próximo ano, parece-me que o Magalhães será um forte candidato a este prémio… :mrgreen:


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Aquecimento global é “irreversível”

28 01 2009

Se a humanidade acabasse hoje com as emissões de dióxido de carbono, só dentro de mil anos é que o clima do nosso planeta voltaria ao normal. Cientistas pedem que se actue o mais rapidamente possível para impedir o piorar da situação.

O aquecimento global é “irreversível” e nem mil anos serão suficientes para apagar aquilo que a humanidade tem feito ao planeta. “As pessoas pensavam que se deixássemos de emitir dióxido de carbono o clima voltaria ao normal dentro de cem ou 200 anos. Isso não é verdade”, disse a norte-americana Susan Solomon, principal autora do estudo ontem publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

As mudanças na temperatura da superfície dos oceanos, no nível de precipitação e no aumento do nível das águas “são em grande parte irreversíveis, por mais de mil anos depois das emissões de CO terem parado completamente”, acrescentou a cientista da National Oceanic and Atmospheric Administration, dos EUA, e líder do Grupo Intergovernamental sobre a Evolução do Clima das Nações Unidas.

“Penso que a verdadeira escala de tempo da persistência destes efeitos não foi percebida”, referiu Solomon. “As mudanças climáticas são lentas, mas também são imparáveis e por isso temos de actuar agora para que a situação não piore”, acrescentou.

O estudo surge numa altura em que o Presidente dos EUA, Barack Obama, ordenou a revisão das medidas tomadas pelo seu antecessor, George W. Bush, defendendo uma maior eficiência energética e dizendo que o futuro da Terra depende da redução da poluição atmosférica.

Segundo o estudo, o aquecimento global tem sido travado pelos oceanos, porque a água absorve muita energia para aquecer. Mas o efeito positivo vai dissolver-se com o tempo e os oceanos vão acabar por manter o planeta mais quente durante mais tempo ao libertarem para a atmosfera o calor que têm vindo a acumular. Daí ser falso pensar que as mudanças climáticas podem reverter-se em poucas décadas.

Antes da revolução industrial, o nível de dióxido de carbono presente na atmosfera era de 280 partes por milhão. Hoje, é de 385 e tanto cientistas como políticos procuram uma forma de estabilizar esse valor. Segundo Solomon, se o nível de CO atingir as 450 ou 600 partes por milhão, as consequências vão ser catastróficas, com a diminuição das chuvas na estação seca comparável à “Dust Bowl” da década de 1930 nos EUA. Mas em vez do fenómeno ficar circunscrito à América do Norte, irá alastrar-se a áreas como o Sul da Europa, o Norte de África e o Oeste da Austrália.

in DN Online

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If we don’t stop global warming, nature will.

Dá que pensar… :?

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Quem quer comprar um cornflake?

27 01 2009

Bens insólitos, totalmente inúteis ou alegadamente milagrosos, há de tudo à venda na Internet e nos jornais da especialidade. E para tudo há compradores. Mesmo para, pasme-se, um solitário cornflake igual a tantos milhões de outros, uma vida, a virgindade ou a lua. Só varia o preço.

Em Agosto do ano passado, um indivíduo chamado Ian Usher que vivia em Perth pôs à venda na Internet um bem insólito: a sua “vida inteira”. Na verdade, o que se oferecia era menos do que isso, embora fosse bastante. O indivíduo propunha-se vender, por junto – ele só vendia se alguém comprasse tudo – a sua casa e os objectos que nela se encontrassem, outros pertences (carro, etc.), o seu conjunto de amigos (ele apresentá-los-ia ao comprador) e o seu emprego (o interessado teria direito a um período à experiência), bem como um vasto capital de informações sobre o local, os hábitos, as pessoas, etc. O objectivo era mudar de vida. Aos 40 anos, após muitas coisas boas e más e algumas desilusões recentes, Ian queria deixar a Austrália e voltar ao Reino Unido. Para isso precisava de se libertar de tudo o que possuía naquele continente, excepto, imagina-se, as memórias. A oferta não demorou a encontrar comprador, e o preço final, fazendo o câmbio, foi cerca de 243 mil euros.

Meses depois, em Novembro, um estudante de Conventry propôs-se vender um único floco de cereal no eBay. Fazia-o, segundo dizia, a título de experiência. Como o anúncio chamou a atenção, o floco começou a ser objecto de inquérito e a receber ofertas; primeiro de um cêntimo, depois mais altas, até ser finalmente vendido por uma libra e vinte. Ficámos foi sem saber o que o estudante queria provar. Talvez o mesmo que provou a experiência daquela mulher que guardou durante dez anos um bocado de uma tosta de queijo onde supostamente se vislumbrava, algures no meio do queimado, o rosto de Nossa Senhora. Ao fim desse tempo, a sandes foi posta à venda, e a senhora recebeu uma fortuna, o que nem toda a gente terá considerado um milagre. Como não é milagre que alguém consiga vender as cinzas da própria mãe, o fantasma de uma casa (devidamente engarrafado) ou um “Vampire Killing Kit” equipado com bíblia, escopro e martelo.

As pessoas compram tudo. Mais precisamente: para o que quer que seja, por mais estranho ou doentio que pareça, existe sempre um comprador. Longe vai o tempo em que até para adquirir bens essenciais como roupa e instrumentos de cozinha às vezes havia que esperar pela visita sazonal dos ciganos. Hoje em dia, qualquer aldeia (…) pode encomendar os mais insólitos objectos pela Internet. Basta ter cartão de crédito, algo que por sua vez também nunca foi tão fácil. Se alguém sentir ganas urgentes de possuir, digamos, uma ‘stun gun’ (uma daquelas armas eléctricas que a polícia usa para atordoar os bandidos) ou uns brincos feitos com caca de alce, é só pedir. Quem diz brincos, diz bolas de golfe que tenham sido engolidas por uma cobra pitão, passando uns tempos lá dentro. Pela sua raridade, essas bolas são muito procuradas e atingem preços elevados, embora quem a veja dificilmente as distinga das suas congéneres que nunca passaram por idêntico trauma.

O princípio é antigo. Sempre houve objectos vulgares que atingiam valor extraordinário por motivos subjectivos. Basta pensar nos “verdadeiros pedacinhos do cueiro do Menino” ou os “autênticos pregos que pregaram Cristo na cruz” impingidos pelos vigaristas às populações crédulas no tempo de Eça de Queirós. Aí pelo menos o negócio ainda se baseava na fé, algo profundo mesmo quando iludido. Hoje em dia inúmeras vezes as compras fazem-se apenas porque sim. Se na natureza selvagem nada se compra ou se vende, entre a espécie humana comprar é um vício. Só o nosso cérebro consegue atribuir às coisas um valor abstracto, expresso em termos numéricos. Quando esse valor tem por base uma utilidade concreta, definível, ainda pode haver um certo consenso. Quando obedece unicamente a elementos psicológicos, depressa entramos no absurdo. E não é apenas a nível do indivíduo insignificante ou do coleccionador de bizarrias que isso acontece. Se há uns séculos alguém nos dissesse que um dia haveria gente disposta a pagar fortunas por dois pedacinhos de corda suspensos de uma parede branca, ninguém acreditaria. Mas é o que hoje em dia se passa em certas galerias de Nova Iorque especializadas em “instalações”. O critério aí é o da validação sociológica, por via de todo um sistema oficial (críticos, galerias, museus) que nos assegura que aquilo é, afinal, “arte”.

Caso houvesse forma de relacionar os pedacinhos de corda com um evento histórico – o suicídio de Judas, digamos – eles podiam tornar-se ainda mais valiosos. Veja-se os preços que atingem objectos muito menos importantes, como a caneta de Agatha Christie ou as chuteiras de Pelé. Nessas situações, factor de investimento à parte, o que realmente se compra é o poder que esses objectos têm de evocar memórias e sensações. Evidentemente, também aí o processo depende de um sistema de validação social, com frequência falível. Quem garante que aquela caneta foi de facto usada por Agatha Christie? Se o feliz comprador da mesma um dia tomasse conhecimento de que afinal tinha havido um erro e sérias dúvidas se colocavam em relação ao vendedor e à sua história, é provável que recusasse admiti-lo, mantendo a fé no objecto que tanto prazer lhe dava.

As coisas são o que nós decidimos que são. Só isso explica que haja tantos objectos absurdos à venda pelo mundo fora. Surpreendente, mais do que haver gente a vendê-las, é alguém as comprar. Há não muito tempo, surgiu a notícia de que uma jovem estaria a vender a sua virgindade na Internet. O motivo seria necessidade de dinheiro para frequentar a universidade. A jovem punha um conjunto rigoroso de condições e estabelecia um preço alto. Mesmo assim, é duvidoso que o anúncio fosse a sério. Afinal, ideia semelhante fora usada num “documentário” satírico em 2005, e já na altura houve gente que se deixou convencer. Uma parte do documentário mostrava os interessados de boa-fé a negociar com a alegada jovem disponível. O gosto duvidoso do tema – ainda hoje, em certas partes do mundo, a virgindade continua a ter um preço que se exprime em dinheiro, e que não é estabelecido pelo intelecto ou a vontade da jovem negociada – não o impediu de ser referido com jovialidade e de ser tomado sobretudo como um comentário aos negócios que se fazem na Internet, como se não estivessem em causa questões mais importantes.

Os anúncios bizarros são uma pequena minoria, tanto no eBay como no resto da Internet. Boa parte deles, aliás, revelam pouca criatividade; dois séculos após o “Fausto” de Goethe (e muitos mais após o conceito original) o que é que tem de especial vender a alma, como fazem certas pessoas? E nem a gracinha adjacente (“motivo: falta de uso“) justifica a perda de tempo. Ao pé desses anúncios, qualquer tubérculo que tenha tido a sorte ou o azar de nascer com uma forma sugestiva é um festival para a imaginação. Felizmente que o eBay não proíbe a brejeirice, ao contrário do que faz com o álcool, o tabaco, as drogas, os bilhetes de lotaria, o material de guerra, a parafernália nazi, os órgãos humanos (uma importante área de negócio hoje em dia, consta) e certas ferramentas habitualmente usadas por assaltantes. Pode ser inviável encomendar um pé-de-cabra, mas facilmente se obtém uma cereja em forma de pénis. Só é pena que a brejeirice se estenda à taxidermia, onde infâmias do tipo três-sapos-em-posição-erótica (o termo técnico é “frog threesome”) constituem um caso claro de abuso animal…

Já que falamos de animais, refira-se o filão inesgotável que são, no eBay como noutros lugares. Por exemplo, o jornal português “Ocasião”, onde a secção respectiva merece invariavelmente consulta atenta. A par com as inevitáveis ofertas de chihuahuas, hamsters e angorás, surgem algumas propostas curiosas. Uma iguana verde que alguém queria vender ou trocar por um papagaio (?). Uma doninha, “com um ano de idade, muito mansa, boa para estar em casa”. Das duas uma: ou a fama que as doninhas têm não corresponde à realidade, ou há gente que vive permanentemente com o nariz tapado e nunca recebe visitas. Outro anúncio que nos suscitou perplexidade foi o que referia um burro, jovem, muito bonito, russo”, que “procura novo dono”, por “motivo à vista”. Mesmo admitindo que o dito burro fosse de uma beleza eslava e o tal motivo fosse perfeitamente auto-evidente para quem o contemplasse (ou ao dono, talvez), quem diabo se podia ter lembrado de importar um burro da Rússia? Só ao fim de alguns segundos nos ocorreu que ‘russo’ podia ser um caso de má ortografia – atribuível ao dono, não no (outro) burro – e que poderia andar por ali escondida a palavra ‘ruço’, que significa cinzento.

Com a sua sobriedade exemplar e a abundância e variedade das suas propostas, distribuídas por um caderno geral e dois especializados, o “Ocasião” faria plenamente jus a um artigo próprio. Mesmo sem aparecerem lá anúncios a vender a Islândia, (ou a Bélgica) a namorada, a língua alemã, ou lotes na Lua e em Marte, ele tem muito com que nos entreter. A secção Outros Items (Colecções) propõe desde agulhetas de mangueira de bombeiro até aparos de tinta permanente (1500 unidades), bilhetes de futebol, bóias de navegação e algo de misterioso chamado Tazos, Slammers e Caps. Pela minha parte, todas as semanas leio a secção de informática a ver se descubro um anúncio a vender um determinado modelo de portátil, relativamente raro, igual ao que me foi roubado há umas semanas. Bem sei que o aparelho já lá vai, mas tenho curiosidade em saber quanto vale agora. Já perguntei em diversas lojas de artigos usados, mas as opiniões variam imenso, e querem-me sempre vender alguma coisa. Ora, nesta altura, não me apetece muito andar às compras.

in Expresso

Portanto, já sabes! Se tens alguma coisa (e quando digo alguma coisa, é alguma coisa mesmo!) aí por casa para deitar ao lixo, provavelmente ainda pode dar uns trocos nesta época de crise… :?

E nesse caso, é tudo lucro! Como diz no artigo: (…) para o que quer que seja, por mais estranho ou doentio que pareça, existe sempre um comprador”. :mrgreen:


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Bloguer detido por prever crise económica

26 01 2009

O Ministério Público da Coreia do Sul indiciou um bloguer que havia profetizado uma crise económica no país e a queda do banco Lehman Brothers.

O bloguer, que assina sob o pseudónimo Minerva, tornou-se popular na Coreia do Sul por ter previsto quebras acentuadas nos ganhos e nas acções dos mercados locais, bem como o colapso do banco norte-americano Lehman Brothers.

Em resultado destas previsões, o Ministério Público considerou que o bloguer «manchou» a moeda local, colocando informações incorrectas online.

«O suspeito foi indiciado neste caso, sob a acusação de prestação de falsas informações em duas ocasiões», informou um funcionário do Ministério Público.

Entretanto, foi aberto um inquérito e, caso seja culpado por violar as leis da comunicação, o bloguer enfrenta uma pena que pode ir até cinco anos de prisão.

O caso está a gerar polémica no país, visto que, desde a sua detenção, no início deste mês, especialistas jurídicos têm questionado se as autoridades têm fundamentos legais para processar o bloguer. Além disso, o partido conservador da Coreia do Sul considera que esta é uma prova de que a tradição característica dos Estados de Direito ainda não foi enraizada na sociedade sul-coreana.

in SOL

O existir blogues já é quase assunto para alguém ser processado por aqueles lados… 8)

Cuidado com o que escrevem nos vossos blogues! Com os governos a tentar controlar a vida dos seus cidadãos cada vez mais, a moda é bem capaz de espalhar-se! :shock:

Ler também: Blogues censurados; Regulação da Internet; Código de Conduta para autores de blogs


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Quem salta do inferno cai no tecto do céu

23 01 2009

O meu avô dizia-me muitas vezes que um homem sem amigos não é nada. Pode ter tudo na vida, garantia ele, dinheiro, casas, mulher, filhos, saúde

(e continuava a lista)

mas se não tiver amigos é um infeliz, um pobre de pedir. Eu olhava o meu avô sem acreditar porque as pessoas crescidas são tão ignorantes e com tanta falta de sentido das coisas essenciais: nunca conheci nenhuma, por exemplo, que juntasse, como eu fazia, pirilampos numa caixa de fósforos para o caso de não haver electricidade. E punha bocadinhos de erva dentro para os bichos comerem, porque não há quem não saiba que os pirilampos adoram pastar. Portanto as sentenças do meu avô passaram-me ao lado e essa acerca dos amigos entre elas. Mesmo que não tivesse mais ninguém tinha Flash Gordon, Mandrake, Tintim, Batman, que me pareciam muito melhores que os sujeitos que com ele com ele privavam, alguns de risca do cabelo na orelha, alguns de bigode, alguns de boquilha e quase todos com a mesma pergunta

- Que idade tens tu já?

impressionados, com um suspiro de inveja, pelos meus oito anos, de que se esqueciam logo a seguir para falarem de coisas incompreensíveis e chatíssimas enquanto, sentado no tapete, eu espreitava para dentro da caixa de fósforos na esperança de uma claridade azul e nem uma pontinha de claridade azul para amostra. Mas, ao contrário dos sujeitos do meu avô, se me apetecesse subia uma parede inteira mais depressa que o Homem-Aranha, só que não estava para aí virado e havia o risco da minha avó aparecer a ordenar-me

- Sai imediatamente desse décimo oitavo andar, estás maluco?

e lá vinha eu por aí abaixo, contrariado e infeliz, com medo que ao jantar me cortassem no doce. A prova que os amigos eram desnecessários estava em que Tarzan, Clark Kent, Cisco Kid e outras criaturas do mesmo gabarito eram todas de poucas relações, demasiado ocupadas em actos heróicos e para mais cheios de cabelo. Além disso os amigos do meu avô casaram com senhoras que cheiravam imenso a perfume, me enchiam as bochechas de baton peganhento e se queixavam das costas. E, cúmulo dos cúmulos, achavam-me amoroso, adjectivo que não me passaria pela cabeça aplicar a Batman. Queria ser heróico, não queria ser amoroso, queria respeito, não queria que se enlevassem com os meus olhos azuis e o meu cabelo loiro, queria que me admirassem, não queria ser beijobicado, queria que os maus

(por azar não conhecia nenhum)

se aterrorizassem só de pensar em mim queria, num gesto mágico, que as pistolas desaparecessem das mãos dos gatunos, fulanos pérfidos de riso satânico que, vá-se lá saber porquê, não se aproximavam de mim. Vá-se lá saber porquê uma ova: no fundo sabia: a minha imensa força interior e o meu infinito poder aterravam-nos, e fugiam de mim a sete pés

(adoro esta expressão)

no pânico que os entregasse à polícia algemados e sovados. Portanto, mais uma vez o meu avô não tinha razão: ele que se entretivesse à vontade com os seus sujeitos de risca na orelha e me deixasse resolver as grandes questões das viagens interplanetárias, da magia ordenadora do mundo e da administração da justiça.
E quando faltasse a luz

(a minha avó espreitando a rua

- É geral)

ou um fusível rebentasse aí vinha eu com a minha caixa de fósforos de pirilampos herbívoros solucionar o problema, introduzindo na escuridão uma fosforescência salvadora. Haviam de admirar-me

- O pequeno é extraordinário

e o meu parecer tornar-se decisivo acerca do problema fundamental da abolição da sopa e da troca da açorda por arroz doce, de menor relevo mas merecedor de um exame cuidado: pataniscas de bacalhau com arroz doce é de certeza melhor que pataniscas de bacalhau com açorda, para não mencionar jaquinzinhos com leite creme e a mousse de chocolate com mariscos: a revolução social vai de par com o progresso culinário. E porque carga de água devo lavar os dentes à noite ou sacudir a pilinha depois de fazer chichi em vez de molhar os calções ou salpicar os azulejos de pingos? Que culpa tinha eu que o pirilau não fungasse, puxando para dentro de si o amoníaco que sobrava? Meu Deus como a existência de um miúdo é um inferno de incompreensão por parte da família. Daí pensar que saltando desse inferno, num pulo de Homem-Aranha, caía no tecto do céu, repleto de chocolates de leite com amêndoas e hamsters a pedalarem nas suas rodas em milhares de gaiolas, sem cópias, sem ditados, sem afluentes da margem esquerda do Tejo e outros conhecimentos inúteis que a Flash Gordon não serviam um pito nem nunca li que Batman os soubesse de cor. E não consta que senhoras de perfume violento lambuzassem Tarzan a queixarem-se das costas.

(Lembro-me de uma com um sinal peludo no queixo.)

Nasci para vôos e perseguições, não para responder a perguntas distraídas

- Que idade tens tu já?

e sem sentido, porque quem nasceu em Kripton não conta o tempo por anos. Informava amuado

- Fiz oito em Setembro

e era uma sorte para eles não os evaporar da poltrona com um estalinho dos dedos. Em boa verdade devia preveni-los

- É uma sorte não os evaporar da poltrona com um estalinho dos dedos

passar de Mandrake a Tarzan e percorrer o corredor de liana a liana, com uma macaca no ombro, a fim de rapar o tacho de doce de coco com o indicador vagaroso, se não fosse, ai de mim, ter tanto medo do escuro.

António Lobo Antunes in Visão

Mais palavras para quê?! :?

Ler também Crónica ao espelho, Agora que já pouco te falta, Crónica do hospital


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O rapaz que escreve os discursos de Obama

22 01 2009

É o próprio Barack Obama quem o diz: Jon Favreau é o seu “mind reader“. Aos 27 anos (e não parece um ano mais velho que isso), com muito café e muitas latas de Red Bull, Favreau não sabe apenas ler os pensamentos de Obama. Sabe também passá-los para o papel, estruturá-los, para que Obama os devolva às multidões, em frases electrizantes. O discurso inaugural pertence-lhe também. Passou semanas e semanas a trabalhar nele. Hoje, tornou-se no mais jovem “speechwriter” presidencial de sempre.

A “Newsweek” escrevia há meses que Jon Favreau tem o pior e o melhor trabalho na história dos redactores de discursos. O pior, porque o seu patrão é alguém que, na verdade, não precisaria da sua ajuda, já que escreveu sozinho não apenas dois “best-sellers” “Dreams from My Father” (“A Minha Herança”, Casa das Letras) e “The Audacity of Hope” (“Audácia da Esperança”, Casa das Letras), como o discurso que o catapultou para a fama nacional, em 2004, na Convenção Nacional Democrata. “Ao mesmo tempo, o mesmo patrão é capaz de discursar de uma forma que faz o seu auditório ficar arrepiado.” E não deve haver muito melhor do que isto para quem ganha a vida a escrever para os outros.

Favreau tinha apenas 23 anos, acabado de se formar no College of the Holy Cross em Worcester (Massachusetts). Conta o “New York Times” que Obama estava a ensaiar o discurso da Convenção, nos bastidores, quando Favreau, que fazia parte da equipa do candidato democrata às presidenciais, John Kerry, o interrompeu: havia um problema de ritmo no discurso. “Ele olhou para mim, um bocado confuso, tipo: ‘Quem é este puto?’”, conta Favreau.

O “puto” era já speechwriter de Kerry, por puro acaso. Estava à hora certa no local certo, no momento em que a campanha do democrata estava prestes a implodir. Já havia pouca gente no escritório para além do rapaz que reunia os registos audio das notícias sobre a corrida presidencial quando Kerry precisou de ajuda para os seus discursos. “Eles não podiam dar-se ao luxo de contratar um”, recorda agora o redactor de Obama. “Por isso tornei-me vice-speechwriter, apesar de não ter experiência nenhuma.”

A derrota de Kerry em 2004 acabou com os projectos políticos de Favreau. “O meu idealismo e entusiasmo pela política estavam arrumados. Estava grato pela experiência que recebi, mas foi uma experiência tão difícil que, juntamente com a derrota, me fez sentir que estava acabado”, contou à “Newsweek”. Mas não por muito tempo. “Foi preciso o Barack para recuperar isso”.

O encontro com Barack Obama veio pouco depois, quando o seu director de comunicação, Robert Gibbs, o abordou: “Estamos à procura de um speechwriter”, disse-lhe. “Porquê?”, perguntou Favreau. “Se o dia tivesse 48 horas não necessitaríamos de um. Mas ele precisa de trabalhar com alguém.”

E foi no primeiro dia de trabalho de Obama como senador (representando o estado de Illionois) que os dois se encontraram para a entrevista, numa cafetaria no Capitol Hill. Favreau estava então desempregado e “falido, a tirar partido de todas as promoções das happy-hours que encontrava em Washington”. Nesse encontro, o senador pôs de lado o seu currículo para lhe perguntar: “O que te fez entrar para a política? O que te interessou?”. Projectos sociais, defesa dos direitos legais dos pensionistas… “E qual a tua teoria para a redacção de discursos?”, perguntou Obama. “Não tenho nenhuma. Mas quando o vi na Convenção, o senhor contou basicamente a história da sua vida do princípio ao fim, e era uma história que se enquadrava na grande narrativa americana. As pessoas aplaudiram não por ter escrito para um aplauso, mas porque tocou em alguma coisa no partido e no país que nunca tinha sido tocada antes. Os democratas não tinham isso há muito tempo”. Obama estava conquistado.

Houve muito trabalho depois disso. Favs, como é conhecido entre os amigos, decorou o discurso de 2004 palavra por palavra, andou sempre com os livros de Obama debaixo do braço, em particular a autobiografia “Dreams from My Father”. E o dono da voz confundiu-se com a voz do dono.

Quando Obama venceu a nomeação democrata contra Hillary Clinton (que atacara os dons de oratória do rival: “As campanhas fazem-se com poesia, mas a governação é com prosa”), os dois levaram meia hora para chegar à frase que abriria o discurso de vitória: “Diziam que este dia nunca chegaria”.

Favreau estava sempre com Obama, tornou-se mesmo num dos poucos da equipa a consegui-lo. Deitava-se às três da manhã, levantava-se às cinco. Ia para os Starbucks encher-se de cafeína para aguentar o sono enquanto dacitlografava no seu computador. Desde que Obama ganhou as presidenciais, a 4 de Novembro, que o ritmo ficou ainda mais frenético, para preparar o discurso inaugural.

“O que faço é sentar-me com ele durante meia hora. Escrevo tudo o que ele diz. Refaço, escrevo. Ele escreve, refaz. É assim que o produto fica acabado.”

Não se pense que tudo o que ouvimos de Obama veio de Favreau. “Quando trabalhamos com o senador Obama, o principal actor do discurso é ele”, diz David Axelrod, o estratega da campanha de Obama, ao ‘New York Times’. “Ele é o melhor speechwriter do grupo e sabe o que quer dizer e geralmente di-lo melhor do que qualquer pessoa diria”.

in Público

Discurso de vitória de Obama na nomeação democrata:

-“Diziam que este dia nunca chegaria”


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‘What I Want for You — and Every Child’

20 01 2009

By President-elect Barack Obama

Queridas Malia e Sasha,

Sei que se divertiram muito nestes dois anos de campanha, com os piqueniques, os desfiles e as feiras, comendo todo o tipo de comida menos saudável que nem eu nem a vossa mãe vos teríamos deixado comer. Mas também sai que não foi fácil, nem para vocês nem par a mamã, e que apesar de vocês estarem muito entusiasmadas com o vosso novo cachorrinho, ele não compensará todo o tempo que estivemos separados. Sei que perdi muito nos dois últimos anos e hoje quero explicar-vos porque decidi embarcar a nossa família nesta aventura.

Obama FamilyQuando eu era mais novo, pensava que a minha vida dependeria essencialmente de mim e da forma como eu enfrentaria o mundo, teria sucesso e conseguiria tudo o que queria. Mas vocês chegaram à minha vida, com toda a vossa curiosidade, magia e sorrisos que me preenchem o coração e alegram a minha vida, e de repente todos os planos que tinha para mim tornaram-se insignificantes. Descobri que os melhores momentos da minha vida são aqueles em que vocês estão felizes. Também percebi que a minha vida só faria sentido se vocês fossem duas pessoas felizes e realizadas. Em suma, meninas, foi esse o motivo que me levou a querer ser presidente, porque é isso que eu quero para vocês e para todas as crianças deste país.

Quero que todas as crianças frequentem escolas que descubram o seu potencial, que estudar seja para eles um objectivo e que lhes dê a capacidade de perceber melhor o mundo que as rodeia. Quero que essas crianças tenham a oportunidade de frequentar a universidade, mesmo que os seus pais não tenham recursos económicos. E quero que tenham bons trabalhos, que lhes permitam ganhar dinheiro e usufruir de alguns benefícios, como cuidados médicos e tempo suficiente para as suas famílias, bem como a possibilidade de reformar-se com dignidade.

Quero que se descubram cada vez mais coisas, para que vocês tenham acesso a tecnologias cada vez mais avançadas e que façam deste mundo um lugar mais limpo e seguro. E quero que no futuro nos esqueçamos das fronteiras que nos impedem de ver o melhor de cada um, para que vejamos mais longe do que a divisão das pessoas por raça, nacionalidade, género ou religião.

Por vezes, temos de enviar os nosso jovens, homens e mulheres, para ambientes de guerra e outras situações perigosas para proteger o nosso país, mas quando o fazemos, quero que seja pelas melhores razões e que tentemos resolver os nossos diferendos sempre de forma pacífica. Também que todas as crianças percebam que os soldados americanos não lutam em vão e que do grande privilégio de ser cidadão deste país também advêm grandes responsabilidades.

Estes sempre foram os princípios que a vossa avó me ensinou quando eu tinha a vossa idade, lendo-me textos da Declaração de Independência e falando de homens e mulheres que lutavam pela igualdade, porque acreditavam nesses valores. Ela ajudou-me a perceber que a América é um país grande, não por ser perfeita, mas poder sempre melhorar, e que todos temos essa responsabilidade. É uma tarefa que passamos aos nossos filhos.

Espero que vocês entendam essa responsabilidade, corrigindo os erros que vêem e trabalhando para dar a outros as oportunidades que vocês já tiveram. Não só por terem a obrigação de retribuir ao país tudo o que deram à vossa família, mas também porque é um dever que têm para convosco próprias. Além disso, só descobrirão o vosso verdadeiro potencial quando tentarem fazer algo mais exigente.

São todas estas coisas que quero para vocês: que cresçam num mundo melhor, que não imponha limites aos vossos sonhos e objectivos e que se tornem em mulheres comprometidas em construir um mundo melhor. E quero ainda que todas as crianças tenham a sorte de aprender, sonhar e crescer, tal como vocês tiveram. Foi por tudo isto que decidi entrar nesta aventura.

Orgulho-me muito de vocês e gosto mais de vocês do que podem imaginar. Agradeço todos os dias a vossa paciência, gentileza e sentido de humor, nesta fase em que nos estamos a preparar para começar uma nova vida juntos na Casa Branca.

Amor, Papá

Obama escreveu esta carta às filhas Malia e Sasha, publicada pela revista Parade, sobre “a grande aventura” que viverão juntos e as razões que o levaram a concorrer à Casa Branca. Leia a carta na versão original.

Aqui está um “discurso” que poderia fazer parte do que será proferido hoje na tomada de posse como 44.º Presidente dos EUA.

O mundo espera muito deste novo presidente. Não fará milagres, mas depois de George W. Bush, só pode melhorar. Disso não há dúvida! 8)


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Popeye celebrou 80 anos

19 01 2009

Há 80 anos (17 de Janeiro de 1929), Elzie Crisler Segar desenhava pela primeira vez, numa vinheta, um marinheiro que, apesar de baixo, careca e pouco inteligente, viria a tornar-se famoso sob o nome de Popeye (“zarolho”, daí a pala preta que ostenta).

Na vinheta, o devorador de espinafres mais conhecido do Mundo, em resposta à pergunta “é um marinheiro?”, disparava esta curiosa resposta: “penso que sou um cowboy”, mais tarde substituída pela carismática “eu sou o que sou”. Mas as curiosidades não se ficavam por aqui, já que, ao contrário de quase todos os outros heróis dos quadradinhos, a sua estreia deu-se numa série avulsa, “The thimble theatre” (teatro em miniatura), uma tira diária de Imprensa, inicialmente publicada na vertical, que Segar assinava desde 19 de Dezembro de 1919. Nela, de forma teatral, quase sempre em tiras autoconclusivas, foi apontando alguns dos podres da sua América, baseando-se no quotidiano da família Oyl, em que predominavam o colérico Castor, a sua irmã Olive (Olívia Palito) e o seu noivo, Ham Gravy.

A partir de 1925, a série ganhou uma prancha dominical colorida, na qual Segar pode explanar o seu sentido de espectáculo e desenvolver narrativas longas, que combinavam cenários rurais e marítimos, a sede de aventura, a superstição, a magia e o medo do desconhecido.

É na sequência de uma delas que Popeye surge, conquistando, de imediato, os leitores – chegou a ser mais popular do que Mickey Mouse -, apesar da sua falta de atributos físicos, graças às tiradas inesperadas, à força sobre-humana (de início, sem qualquer relação com os espinafres, a sua imagem de marca nos desenhos animados), à resistência a murros, facadas e tiros e, ao mesmo tempo, ao seu carácter contraditório tão humano, igualmente capaz de se dedicar inteiramente a um bebé (Swee’pea, introduzido em 1933) como a acreditar que pode resolver tudo com os punhos (o que levou alguns a considerá-lo uma má influência para as crianças).

A sua popularidade levou Segar a alterar o título da sua criação para “The thimble theatre starring Popeye”, logo em 1931. O sonhador e devorador de hambúrgueres, Wimpy; o pai, Poopedeck Pappy; o estranho animal Eugene the Jeep, a malévola Sea Hag (Bruxa do Mar), o brutamontes Brutus e tantos outros foram-se juntando numa notável galeria, que Segar animou, em narrativas cada vez mais surreais, até à sua morte, vítima de leucemia, em 1938. A série prosseguiu com diversos autores, com destaque para Bud Sagendorf, que lhe conferiu um carácter mais humorístico e próximo da versão animada e a assinou entre 1958 e 1994.

Muito antes, logo em 1933, os estúdios Max Fleischer juntavam Popeye e Betty Boop no breve tempo de um desenho animado, para, em seguida, desenvolverem uma série com o marinheiro, que, até hoje, já protagonizou mais de 750 animações, na qual foi cimentada a sua actual imagem de marca: a força dependente dos espinafres (que levou Cristal City, no Texas, a maior produtora deste vegetal, a erigir-lhe uma estátua em 1937, agradecendo-lhe o aumento de 33 % no seu consumo nos EUA), a paixão pela anoréxica Olive (cuja silhueta inspirou um perfume de Moschino), a sua rivalidade com Brutus e a sua afirmação como marinheiro (“I’m Popeye, the sailor man“, cantava a música), tantas vezes negada na BD.

Nos anos 60, foi a estrela de uma série televisiva e, em 1980, chegou ao grande ecrã, numa película dirigida por Robert Altman, que teve como (único) mérito revelar Robin Williams, como Popeye, contracenando com Shelley “Olive” Duvall.

Desde o passado dia 1, Popeye passou ao domínio público na Europa, ou seja, qualquer um poderá utilizá-lo nos suportes que desejar, sem necessitar de qualquer autorização ou de pagar direitos. Isto acontece porque a lei europeia considera que os direitos de autor vencem 70 anos após a morte do criador. Nos EUA, é diferente, já que são considerados 95 anos após a data da criação, ou seja, a imagem de Popeye está protegida até 2024.

in JN

- “I’m Popeye, the sailor man“!!

THE END


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A verdade traz felicidade

16 01 2009

Um psicólogo americano defende que todos seríamos mais felizes se só disséssemos a verdade. Sobreviria o mundo sem a mentira?

Para ser absolutamente honesto, arrependi-me de ter proposto este artigo no momento em que me sentei ao computador para começar a escrevê-lo. Esta é a história de um movimento chamado Honestidade Radical. Segundo o seu fundador, o psicoterapeuta americano Brad Blanton, de 66 anos, “todos seríamos mais felizes se deixássemos de mentir”. Como a personagem de Jim Carrey no filme “O Mentiroso Compulsivo” deveríamos contar sempre a verdade, não apenas durante um dia mas por toda a vida. Isso implicaria abandonar mesmo aquelas mentiras mais pequenas e insignificantes, incluindo as “piedosas”, as meias verdades que adoptamos para não ferir os egos daqueles com quem nos relacionamos.

No mundo da Honestidade Radical, eu não poderia mais esboçar um sorriso amarelo e desviar o assunto sempre que uns pais babados me perguntassem se o filho acabado de nascer, ainda roxo e enrugado, não era a criança mais bonita que já vi. Segundo Blanton, mesmo essas verdades reprimidas devem ser expressadas. “Se o pensas, afirma-o.” Só assim se poderá abrir o caminho à verdadeira comunicação.

Sociedade admite ‘pequenas mentirinhas’

O psicólogo Rui Manuel Carreteiro admite que, do ponto de vista clínico, a teoria tem alguma razão de ser. “A saúde mental só pactua com a verdade. Muitas vezes, a mentira, o delírio ou a negação parecem o melhor caminho, mas os resultados nem sempre são positivos.” Carreteiro sublinha, contudo, que a sociedade está instaurada de forma a admitir, e até encorajar, as “pequenas mentirinhas” e que, por isso, há limites e formas de expressar a nossa honestidade. “Muitas vezes, a mentira seria desnecessária se tivéssemos a coragem e o bom senso de expressar a verdade com as devidas maneiras. Entre ‘Essa saia fica-te horrível’ e ‘Fica-te mesmo bem’, há espaço para uma sinceridade que nos tornaria mais fiéis, amigos e verdadeiros.”

Blanton, claro está, discorda. Se uma amiga mais rechonchuda pergunta como lhe assenta o novo vestido, devemos ser frios como o Dr. House: “Faz-te parecer mais gorda.” Se temos fantasias sexuais com a cunhada, devemos não só dizê-lo a ela como confessá-lo à nossa companheira. Teorias como estas talvez expliquem o porquê de este profeta da verdade ir já no quinto casamento (com uma hospedeira sueca 26 anos mais nova que ele) e partilhar detalhes da sua vida sexual como quem fala do que comeu ao almoço: “Dormi com mais de 500 mulheres e meia dúzia de homens. Tive vários trios. Num deles, havia uma prostituta hermafrodita”, admitiu à revista “Esquire”. Afirmações como esta ajudarão certamente a vender muitos livros, mas imagino como seria o mundo se triunfasse a Honestidade Radical. Resistiriam os casamentos e as amizades? Sobreviveriam os nossos egos? Aumentaria o desemprego? Mudariam os políticos de profissão? “Um mundo onde só existisse honestidade seria um lugar pior e não melhor”, conclui Núria Blanco, uma tradutora de 29 anos. “Podemos escolher não contar às pessoas coisas que só as vão magoar. Há coisas que elas não precisam que lhes digam.”

David Smith, psicólogo e autor de “Por que Mentimos” (versão brasileira), concorda. “Se todos fossem completamente honestos, seria o fim da sociedade humana”, afirmou ao “Expresso”. Já o dizia o poeta e humanista alemão Sebastian Brant há mais de meio milénio: “O mundo deseja ser enganado.” Se assim não fosse, viveríamos provavelmente em pequenas guerras civis circunscritas ao nosso círculo de relações. “A verdade”, defendia o psicólogo austríaco Alfred Adler, “é, muitas vezes, uma terrível arma de agressão. Usando-a, é possível mentir e até matar”.

Mentira é usada para sobreviver

A verdade nua e crua é que todos mentimos, “todos os dias, a todas as horas, na alegria e na tristeza”, como escreveu Mark Twain num ensaio sobre a arte de mentir. A maioria de nós não somos mentirosos compulsivos e patológicos como a personagem de Jim Carrey, mas todos soltamos aqui e ali pequenas mentiras para não ferir os sentimentos de alguém ou para fugir a uma situação que não desejamos. Afinal, a mentira e a dissimulação são tão naturais como a própria vida. Não se camuflam várias plantas e animais para conseguir alimento ou enganar os predadores? “Tal engano não se trata de um simples jogo: os animais cujos disfarces não funcionam, não sobrevivem”, garante o psiquiatra Rui Coelho. Pois também o Homem, qual camaleão, usa a mentira para sobreviver em sociedade.

Já com o artigo pronto, recebi a resposta de Brad Blanton a duas perguntas que lhe havia colocado. Quis saber se a Honestidade Radical não poderia conduzir facilmente à crueldade radical e a um mundo com pequenas guerras civis a cada esquina. A sua resposta: “Faça a merda do seu trabalho de casa. Fez-me as mesmas perguntas superficiais e ignorantes de sempre. A resposta à pergunta um é Não e a resposta à pergunta 2 é Não. Faça o seu trabalho de casa com seriedade ou beije-me o cu.” Que tal isto para Honestidade Radical?

Nelson Marques in Expresso

Gostaram deste artigo? Cuidado com as respostas! 8)

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Jornais nazis estão a ser reimpressos

15 01 2009

E se nos quiosques alemães voltarem a estar à venda jornais com artigos de Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Adolf Hitler, a elogiar o seu líder e a criticar a imprensa judaica?

Segundo a BBC, é isso que está a acontecer neste momento na Alemanha, onde a polémica estalou com uma nova iniciativa – a reimpressão de jornais nazis.

Este projecto tem como objectivo ensinar os alemães acerca do seu passado e dos crimes cometidos por Hitler, não através de manuais escolares, mas de jornais da época.

No vídeo disponível no site da BBC, o jornalista Steve Rosenberg, tem nas suas mãos “Der Angriff” (O Ataque) de dia 13 de Janeiro de 1933, um jornal de propaganda nazi onde consta o referido artigo de Goebbels (que aliás se tornaria editor do jornal em 1936). O jornal não é um artigo de colecção, nem foi adquirido numa cave secreta de neo-nazis, foi comprado num comum quiosque alemão.

O responsável por esta iniciativa é Peter McGee, um editor inglês, consciente da polémica que uma incitativa destas iria provocar. “Há duas opções: uma é deixar o material trancado nos arquivos; outra é trazê-lo para a opinião e debate público. Isso está a acontecer agora, as pessoas estão a discuti-lo e é material forte”, afirmou à BBC.

Desde o fim da II Guerra Mundial que a Alemanha tem regras estritas que proíbem propaganda nazi. No entanto, os responsáveis pela reimpressão dizem que esta é uma forma de não deixar os crimes contra a humanidade perpetrados por Hitler caírem no esquecimento ou que os movimentos neo-nazis consigam distorcê-los.

Importa também referir que, além das publicações de inspiração nazi, estão também a ser reimpressos jornais da oposição que acabaram por ser fechados por Hitler.

in Público

:?

Ler também Hitler ouvia discos de músicos judeus


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O melhor emprego do mundo

14 01 2009

Passear, mergulhar e viver numa ilha paradisíaca ao largo da Grande Barreira de Coral, com um salário principesco, é a ‘louca’ proposta do estado de Queensland, na Austrália.

Já imaginou ganhar 78,5 mil euros durante seis meses para tomar conta de uma bela ilha tropical na Austrália? Se sim, pode começar a sonhar e candidatar-se ao “melhor trabalho do mundo”, anunciado hoje pelo governo do estado de Queensland, que começou um processo de selecção online.

O ‘tratador’ da ilha Hamilton, situada na Grande Barreira de Coral – o maior grupo de recifes de corais do mundo – apenas terá que percorrer as areias brancas, mergulhar à superfície no coral e executar “algumas tarefas de menor importância”. Depois, terá de contar a sua experiência ao mundo através de blogues semanais, diários de fotografias e vídeos actualizados.

E não é tudo. O candidato escolhido ficará a viver numa casa de praia com três quartos, piscina de mergulho e um buggy de golfe… sem ter que pagar renda. Quem quiser tentar a sorte, contudo, não pode ignorar o lado mediático do cargo. “[Os candidatos] Terão que falar com os meios de comunicação social de tempos em tempos sobre o que estão a fazer, por isso não podem ser tímidos e terão de adorar o mar, o sol, o ar livre”, afirma o governador do estado de Queensland, Paul Lucas.

A campanha “o melhor trabalho do mundo” faz parte de uma acção de investimento global de cerca de 900 mil euros para desenvolver o turismo na região.

“O facto de serem pagos para explorarem as ilhas da Grande Barreira de Coral, nadarem, mergulharem e viverem, de forma geral, o estilo de vida de Queensland, torna este trabalho, sem qualquer dúvida, no melhor do mundo”, acrescenta Paul Lucas.

O melhor de tudo é que as exigências feitas aos candidatos não são muitas: precisa apenas de saber nadar, ser um bom comunicador e falar e escrever em inglês.

As candidaturas estão abertas até ao dia 22 de Fevereiro. Depois, os onze candidatos escolhidos voarão até à ilha de Hamilton no início de Maio para o processo final de selecção. O feliz contemplado com o “melhor trabalho do mundo” inicia o contrato no dia 1 de Junho e, até Dezembro, pode tornar os sonhos em realidade.

ilha de Hamilton.jpg

No espaço de 24 horas, mais de 200 mil candidatos tinham clicado para o sítio da publicidade.

A elevada reacção – e atenção mediática mundial – encantou os funcionários do turismo que incluiram este trabalho numa campanha para publicitar os encantos do Nordeste do Estado de Queensland, num total de 1,7 milhões de dólares australianos.

“A resposta global nas primeiras 24 horas ultrapassou as nossas expectativas”, disse o ministro australiano do Turismo, Desley Boyle.

O ministro afirmou que a campanha já tinha atingido perto de 29 milhões de pessoas através da televisão e da cobertura da imprensa escrita, o que equivale a cerca de dez milhões de dólares em publicidade.

in Expresso

Site oficial de candidatura ao melhor trabalho do mundo

Excelente estratégia de marketing!

Alguém interessado?! :D


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Xutos & Pontapés: 30 anos de rock

13 01 2009

Não foi a uma terça, mas antes a uma sexta-feira 13 (de Janeiro, em 1979) que um concerto nos Alunos de Apolo, em Lisboa, marcaria o dia em que daí para a frente se celebraria cada aniversário de uma das bandas de rock portuguesas mais antigas no activo, os Xutos & Pontapés. Hoje celebram o seu 30º aniversário, mas já há mais de uma década que a longevidade da sua carreira e alguns traços comuns entre músicos lhes granjeou o epíteto de Rolling Stones portugueses. E viriam a abrir para os originais, em 27 de Setembro de 2003, no Estádio Municipal de Coimbra. O sonho tornar-se-ia, assim, realidade para os Xutos, conforme o diriam.

xutos-pontapes

Mas os Xutos & Pontapés garantem, ainda hoje e mesmo percorrendo o país de lés a lés, casa cheia por conta própria. O Pavilhão Atlântico testemunhou isso em 1999, no concerto dos 20 anos. (…) Mostram em Novembro de 2005, como conseguem arrastar novamente consigo os seus admiradores, desta vez ao Coliseu dos Recreios e por três vezes, na final da tournée “Três Desejos”. Em 2008 é a vez do Campo Pequeno se preparar para o circo e para as feras, agora em rodada dupla, recordando o 20º aniversário do álbum “Circo de Feras” com um espectáculo feito de acrobacias visuais e sonoras para vestir de outras cores os originais desse disco histórico da carreira dos Xutos.

Apesar disso, nem só de recordações vivem os Xutos & Pontapés. Entre recuperações recentes (ano 2000) para CD de concertos memoráveis como o do Rock Rendez-Vous e novos registos ao vivo, há também lugar a originais, sendo um deles reservado para coincidir com o 25º aniversário. “Mundo ao Contrário”, editado em 2004, contraria assim a previsível tentação dos tradicionais best-of comemorativos e mostra que os Xutos ainda estão aí para tomar as rédeas à “vida malvada” e conquistar novos públicos.

Os 30 anos não são diferentes. Há disco novo prestes a sair, com 13 temas. O primeiro é ‘Quem é Quem’, single de apresentação do 12º registo de estúdio da banda, com lançamento marcado para o dia 23 de Março.

O novo single é apresentado ao vivo, no Pavilhão de Portugal, esta terça-feira, dia 13 de Janeiro, 30 anos depois.

in Cotonete

Parabéns Xutos!! :)


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Governo pede para engolirem as chicletes

12 01 2009

O México está decidido a resolver o problemas das chicletes nos passeios das cidades. Para além de ter comprado sofisticados sistemas de limpeza à base de vapor e detergentes químicos que dissolvem a pastilha elástica, o governo pede aos mexicanos para engolirem as chicletes.

Para se perceber a dimensão do «problema», basta referir que, segundo o jornal Globo, cada metro quadrado dos passeios da capital do país contém, em média, 70 chicletes usados.

O responsável pela conservação dos espaços públicos da Cidade do México, Ricardo Jaral, lamenta que os resíduos de pastilha elástica tirem o brilho das calçadas e da praça principal do centro histórico da capital.

Perante isto o governo local decidiu lançar uma campanha de sensibilização. «Quando terminar de mastigar a chiclete, o usuário deve envolvê-la num papel e colocá-la no lixo. É a única opção que existe, caso contrário deve engoli-lo», disse. «Eu sempre engoli as chicletes e nunca me fez nada».

in IOL Diário

Aqui está um “problema” do mundo moderno! Um bocadinho de educação resolvia o assunto. Não existe metro de passeio público em que não se encontre vários ‘exemplares’… :|

Quando é que será que as pessoas começam a demonstrar alguma civilidade?


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People’s Choice Awards: os vencedores

9 01 2009

Os vencedores dos “Óscares do povo“, no cinema, na música e na TV, já são conhecidos. Saiba aqui quem ganhou o quê.

O último filme da saga Batman, O Cavaleiro das Trevas , foi o grande vencedor da edição deste ano dos prémios People’s Choice Awards, em que o júri são os espectadores.

O filme, protagonizado por Christian Bale e Heath Ledger, venceu cinco estatuetas: Filme Favorito, Filme de Acção, Melhor Elenco, Melhor Parceria (entre aqueles dois actores) e Melhor Super Herói (para Christian Bale, na pele de Batman).

Outros grandes vencedores da cerimónia foram a série House e Hugh Laurie, o seu protagonista, galardoados respectivamente com o prémio de Melhor Série Dramática e Estrela Masculina de TV.

Um clássico da televisão americana – e mundial -, Os Simpsons sagraram-se vencedores na categoria Melhor Comédia Animada.

Na música, Chris Brown, Carrie Underwood e Rascal Flatts foram alguns dos principais vencedores; Katy Perry, a menina de “I Kissed A Girl”, recebeu o prémio de Melhor Canção, ao passo que Alicia Keys venceu na categoria de Melhor Canção R&B, com “No One”.

Os People’s Choice Awards atribuem ainda prémios na área do on-line, tendo a distinção de Vídeo Feito por um Cibernauta sido entregue ao autor do famoso “Barack Roll” , em que Barack Obama aparece a dançar e a “cantar” o hit de Rick Astley, “Never Gonna Give You Up”.

in Blitz

Veja aqui a lista completa dos vencedores

Apesar dos prémios serem bastante americanizados, na maior parte acho que concordo com os resultados… :?


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Quem quer matar Deus?

8 01 2009

“Deus provavelmente não existe, de modo que deixe de se preocupar e goze a vida”. O inusitado slogan vai decorar 30 autocarros de Londres, no Reino Unido, durante todo o mês de Janeiro.

Conscientes de que na era da imagem até as guerras de religião podem ser travadas em cartazes publicitários, os ateus britânicos apelaram ao lema para tentar convencer as pessoas de que Deus é uma invenção. Por iniciativa da British Humanist Association (BHA) e do seu presidente, o professor Richard Dawkins – reconhecido teórico da evolução, catedrático na Universidade de Oxford e autor de vários livros de divulgação científica, como “A Desilusão de Deus” (Casa das Letras) -, numa iniciativa sem precedentes mas que reflecte o aparente regresso do ateísmo militante, tão vigoroso na época das Luzes (século XVIII), ao Ocidente.

Em Portugal, país de tradições católicas tão antigas que o mito fundador do país atribui à inspiração divina a vitória de D. Afonso Henriques sobre um exército muçulmano muito maior do que o seu nos campos de Ourique, em 1139, o ateísmo é ainda pouco visível. Não obstante, foi já constituída, em Maio, a primeira Associação Ateísta Portuguesa (AAP), que não enjeita adoptar “uma campanha semelhante à de Dawkins”, segundo Carlos Esperança, presidente daquela organização.

Todavia, mais do que a campanha londrina – que poderá estender-se a outros países europeus e até aos EUA -, interessa questionar a que se deve esse fulgor de recusa do divino. Porquê agora? E quais os seus objectivos? E estará de facto a religião em declínio no Mundo Ocidental, ou assume novas configurações? (…)

É possível não acreditar no divino?

O problema de fundo assinalado por Carlos Esperança é, pelo contrário, o maior êxito da BHA: propondo-se angariar os 8064 dólares necessários a um mês de anúncios em 30 autocarros, levou só duas horas para amealhá-los, numa campanha que, iniciada a 21 de Outubro, chegou a Dezembro com mais de 190 mil dólares.

“Os doadores sentem que não têm voz, que o Governo e a sociedade prestam demasiada atenção à religião e aos seus líderes, enquanto ignoram os que não são religiosos”, diz Hanne Stinson, directora da BHA, para justificar a surpreendente adesão.

A iniciativa soma-se a outras manifestações de um ateísmo mais activo na Europa, como a proliferação de ensaios contra a religião e o aumento dos pedidos de apostasía em Espanha e Itália, por exemplo (…). Inclusivamente nos EUA, cujas notas de dólar trazem o lema “in God we trust”, nos últimos anos as associações de não-crentes observaram um crescimento sustentado. E a Secular Coalition for America conseguiu, até, contratar um lóbista no Congresso, Lori Lipman Brown, visando contrariar a influência da religião na arena política. Radical, Dawkins chega a dizer, no seu “best-seller” (1,5 milhões de exemplares vendidos) que “a situação actual dos ateus nos EUA é comparável à que enfrentavam os homossexuais há 50 anos”. Só que, ao contrário dos grupos religiosos, sustenta, o problema dos ateus é que não estão organizados.

Mas começam a ficar. Para o teólogo Anselmo Borges, que acabou de publicar uma colectânea de artigos (“Janela do (In)finito”, Campo das Letras) onde debate também o ateísmo, a nova investida dos ateus e respectivo ensejo organizativo “deve-se ao materialismo e o hedonismo actuais”. Sugere, porém, que “as principais motivações estão, por um lado, no avanço da Ciência, designadamente da genética e das neurociências, que já fornecem muitas respostas sobre o Homem”, e, por outro lado, “no Mal do Mundo”, isto é, “face à violência e à guerra que são geradas em nome de Deus, as pessoas tendem a advogar que seria melhor que esse Deus não existisse. Essa é, aliás, a tese central de Dawkins”, assinala.

No entanto, a militância renovada dos ateus, reflectida na abundância de obras que defendem o ateísmo – por autores tão ilustres como Christopher Hitchens (“Deus não é Grande“, Dom Quixote), Sam Harris (“O Fim da fé“, Tinta-da-China), Michael Onfray (“Tratado de Ateologia“) e John Dupré (“Darwin’s Legacy“) -, não parece ser tanto uma reacção ao terrorismo integrista islâmico, mas antes um ataque às igrejas do Ocidente. A campanha de Dawkins nos autocarros será uma resposta, diz a BHA, “às operações agressivas de grupos cristãos fundamentalistas, que usam os espaços promocionais dos transportes públicos para proselitismo”.

Em Portugal, os objectivos globais da AAP são os mesmos: além de uma “aceitação social do ateísmo”, pretende “erradicar a influência da religião, designadamente da Igreja Católica, sobre o Estado, e o regresso à ética republicana, que é urgente”, diz Esperança, assinalando que no último estudo sobre a matéria em Portugal, de 2002, “cerca de 400 mil pessoas declararam-se ateias ou não-crentes, e não chocaria que hoje fossem cerca do dobro”. Aqui ao lado, Espanha será o caso de maior radicalismo. Após 40 anos de franquismo com apoio da Igreja Católica, a reacção anticlerical dos jovens é muito mais virulenta, e as solicitações de apostasía multiplicaram-se: no primeiro semestre deste ano foram 529, superando o total de 2007 (287) e de 2006 (47).

As estatísticas parecem contrariar, porém, a ideia de que o ateísmo militante estará a crescer na Europa: só um quarto da população é que se declara “não religiosa” e apenas 5% se afirma ateu convicto. De resto, ser ateu é muito mais do que a recusa do Estado confessional ou a indiferença, quiçá o abandono, da prática religiosa: para o teólogo alemão Hans Küng, “o autêntico ateísmo nega todo o tipo de Deus e todo o divino, tanto entendidos em sentido mitológico como concebidos de forma teológica ou filosófica”. Neste sentido, o próprio ateísmo, enquanto experiência espiritual, estará a perder terreno. “A maioria dos não-crentes diz-se, na realidade, agnóstica, pois o ateísmo implica uma profunda convicção sobre uma questão: a não existência de Deus. E a verdade é que todos duvidam”, realça o filósofo francês Michel Eltchannoff.

Essa natureza dubitativa em torno do divino poderá explicar, até, o ressurgimento contemporâneo das superstições, seitas e ocultismos. Em França, país de Descartes e dos Enciclopedistas, as artes divinatórias geram um volume de negócios de 4200 milhões de dólares anuais, isto é, cerca de 15 milhões de consultas por ano, repartidas entre uns 100 mil “profissionais” da bola de cristal, mais os livros de profecias, astrologia e ciências ocultas… Em Portugal, embora falte estatística, a proliferação de anúncios de videntes e quejandos é suficiente para perceber que o negócio prospera, autorizando a tese de que vivemos num Mundo onde o irracional é a norma e grande parte da Humanidade crê em Deus, ainda que cada qual o defina a seu modo.

Aliás, neste contexto torna-se pertinente a pergunta sugerida por Anselmo Borges: “Porque é que a campanha publicitária dos autocarros londrinos declara que Deus ‘provavelmente’ não existe? Porque não dizer logo que ‘Deus não existe’, se há essa certeza?”. Segundo a BHA, porque o “provavelmente” evita ferir susceptibilidades e violar as leis britânicas da publicidade. Mas a melhor explicação talvez radique, afinal, na advertência formulada na Grécia pelo matemático Euclides, 300 anos antes de Cristo: “O que é afirmado sem provas pode ser refutado sem provas”.

in JN

Felizmente, vivemos numa época em que a liberdade religiosa é um bem mais ou menos adquirido na maior parte dos países. No restantes é ter esperança que isso algum dia seja possível… :?


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Actores de “Gomorra” presos por serem verdadeiros mafiosos

7 01 2009

Três dos actores do filme italiano “Gomorra“, que personificavam chefes da Camorra, a máfia napolitana, acabaram na prisão, sob a acusação de serem mafiosos também na vida real.

A longa-metragem “Gomorra”, de Matteo Garrone, baseado na obra homónima de Roberto Saviano, desvenda os meandros da Camorra e a maioria dos seus intérpretes são actores não-profissionais escolhidos nas ruas de Nápoles. Três deles, segundo as acusações, pertencem realmente ao mundo descrito no livro de Saviano.

Os media italianos noticiaram que há alguns dias foi detido Giovanni Venosa, um dos actores do filme, sob as acusações de extorsão e tráfico de droga.

No filme de Garrone, candidato italiano ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro da academia cinematográfica norte-americana, Venosa interpreta o papel de um dos chefes locais da Camorra.

Para os investigadores, na vida real, o ‘actor’ é apenas um membro da organização que trafica droga e recolhe o dinheiro por meio de extorsão. Venosa foi sentenciado há alguns meses a dois anos de liberdade condicional e trabalhava em Modena, no norte de Itália, mas, durante uma saída por bom comportamento, a polícia apanhou-o a extorquir dinheiro aos comerciantes de Nápoles.

Antes dele, tinham sido detidos Salvatore Fabbricino e Bernardino Terracciano, também protagonistas de “Gomorra”.

Fabbricino é, no filme, um dos muitos jovens que trabalham para a Camorra no bairro de Scampia, nos subúrbios de Nápoles, onde decorre a acção. Tal como em “Gomorra”, Fabbricino foi detido por vender droga e trabalhar para um chefe local.

Bernardino Terracciano, que no filme interpreta o papel de ‘Tio Bernardino’, um dos chefes da Camorra, foi detido em Outubro passado durante uma operação contra o clã dos Casalesi, após o assassínio de sete imigrantes africanos em Castel Volturno.

in Expresso

Na minha opinião, acho que o filme devia ser também nomeado para o Óscar de melhor casting! Era vitória certa!! :mrgreen:


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Queres ser ‘Special Agent’?

6 01 2009

Enquanto as empresas se debatem com despedimentos e aumenta o desemprego um pouco por todo o mundo, nos Estados Unidos o FBI tem em curso uma das maiores campanhas de contratações de sempre.

Estão abertas 850 vagas para agentes especiais e mais de 2100 para outras tarefas dentro da maior agência de segurança norte-americana.

É «uma das maiores operações de contratação em 100 anos de história», diz o FBI.

Segundo a CNN, a oferta de postos de trabalho deve-se a uma onda de reformas dos funcionários mais antigos do Bureau.

É frequente o FBI anunciar vagas para cargos que requerem capacidades muito específicas na área da informática ou da comunicação. Mas o subdirector dos Recursos Humanos, John Raucci, explicou à CNN que as necessidades actuais são muito mais abrangentes.

«Estamos à procura de profissionais numa grande variedade de áreas que tenham o desejo de ajudar a proteger a nossa nação de terroristas, espiões e outros que nos queiram fazer mal».

O FBI, que tem como principal missão defender os Estados Unidos de qualquer agressão interna ou externa, tem, nesta altura, ao seu serviço, mais de 12.800 agentes e 18.400 outros empregados.

Desde os ataques de 11 de Setembro de 2001, o Federal Bureau tem sido criticado por falta de eficácia nos seus serviços. Essa é a principal razão para agora querer alargar o seu staff.

A lista de empregos inclui posições nos departamentos de finanças, segurança, inteligência, análises, treino e educação, enfermaria, psicologia, engenharia eléctrica, ciência social e mecânica.

As inscrições podem ser feitas no site www.fbijobs.gov.

Fonte: Lusa

Não me admirava muito que começassem a receber “toneladas” de candidaturas! Com o patriotismo que a maior parte dos americanos demonstra… Aqui está uma oportunidade de carreira! E até parece que pagam bem!

Será fácil preencher os “quadros”, se não começarem por um teste de cultura geral! Senão a selecção será bem mais célere, já que a grande maioria dos conterrâneos do Tio Sam, são conhecidos pelos seus parcos conhecimentos sobre o mundo que os rodeia! :mrgreen:

Ler também Anúncio para recrutar agentes secretos


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80 anos a prever o dia seguinte

5 01 2009

‘Borda d’Água’. O almanaque fundado em 1929 está congelado no tempo – é impresso numa tipografia tradicional e mantém a mesma linha editorial de há oito décadas. Tem tudo para estar condenado, mas demonstrou que a lei da probabilidade é um falhanço. Há cada vez mais leitores.

Nasceu no início da Grande Depressão, em 1929, atravessou de uma ponta à outra o regime salazarista, chegou à democracia e promete, este ano, ultrapassar a pior crise económica das últimas décadas. Há 80 anos que o Borda d’Água ensina ciência, mezinhas e outras sabedorias populares. Pode vir a Internet, a televisão por cabo, as enciclopédias digitais ou qualquer outra tecnologia de ponta que o “Velho da Cartola” continua igual a si próprio. “É uma tradição que se cumpre de geração para geração e que abarca leitores de todos os estratos sociais”, conta Narcisa Fernandes, sócia-gerente da Minerva, a editora que fundou e publica o almanaque.

O Borda d’Água não vai atrás ou à frente do progresso. Não precisa. Há cada vez mais adeptos, que querem saber quando plantar batatas, podar a vinha ou colher rabanetes. O caderno de papel reciclado é um best-seller – a edição de 2009 já vendeu 340 mil exemplares e na oficina da editorial Minerva, em Lisboa, as rotativas continuam a imprimir outras largas centenas de cópias que vão chegar nos próximos dias aos quiosques e aos vendedores de rua.

Os leitores separam as páginas com um canivete ou um corta-papéis à espera de encontrar sempre o mesmo – conhecer antecipadamente os dias de sol e de chuva ou ter em primeira mão as previsões para a agricultura. Por mais que possa ser complicado ver o futuro em tempos de mudança, o Borda d’Água oferece previsibilidade a troco de 1,50 euros. Não há aquecimento global ou qualquer outra mudança climática com força suficiente para derrotar o almanaque. Por mais surpreendente que seja o dia seguinte, o “reportório útil a toda a gente” está em cima do acontecimento.

No Inverno de 2007, conseguimos prever o tempo seco e quente e, no ano passado, antecipámos as chuvas torrenciais do Outono“, explica Célia Cadete, directora do Borda d’Água. O Observatório Astronómico da Ajuda tem uma quota parte do mérito, mas não explica tudo: “São uns pozinhos mágicos que temos.” Célia prefere não revelar o segredo, embora ofereça algumas pistas: “Basta saber ler os sinais da natureza.

São dotes usados no Borda d’Água desde os anos 60, altura em que Artur Campos, funcionário da Minerva, passou pela direcção da revista: “Apesar de ter apenas a instrução primária, conseguia determinar com bastante rigor qual o estado do tempo para o ano inteiro“, diz Narcisa. Perdia noites de olhos postos no céu a contar as estrelas e a fazer cálculos matemáticos: “Ao longo de 50 anos fez as previsões atmosféricas que deram credibilidade à nossa revista.

A reputação do Borda d’Água é ainda hoje reconhecida por milhares de leitores, o que poderá ser um suspiro de alívio para quem está à espera de um ano ainda mais difícil do que o último. O almanaque de 2009 desdiz as previsões de crise e até contraria o pessimismo do Presidente Cavaco Silva, que na mensagem de Ano Novo alertou para os maus tempos que se avizinham para os agricultores.

Os prognósticos do Borda d’Água são outros. “Haverá abundância de trigo e de outros alimentos; a carne e o peixe não vão faltar. O vinho, esse, será em abundância e de mui boa qualidade.” Quem tem, afinal, razão? A única certeza é que os presidentes mudam e o Borda d’Água está para ficar.

in DN Online


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… 3, 2, 1!!!!!!!!!!!!!

1 01 2009

Feliz 2009!!!!






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