Vaticano contra a Amnistia Internacional
14 06 2007Um cardeal do Vaticano disse nesta quarta-feira que os católicos romanos deveriam deixar de doar dinheiro à Amnistia Internacional (AI) depois de esta organização ter adoptado uma nova política que permite às mulheres ter acesso a procedimentos de aborto, informa a agência Reuters.
As críticas foram lançadas pelo cardeal Renato Marino, responsável pelo departamento de justiça e paz do Vaticano, criticou a política, considerando que tal posição representa uma traição às metas da Amnistia, que promove os direitos humanos.
«A consequência inevitável desta decisão, de acordo com o cardeal, será a suspensão de qualquer financiamento à Amnistia por parte de organizações católicas e católicos individuais», informou um pronunciamento do gabinete de Martino.
Entretanto, a AI já informou nunca ter recebido dinheiro do Vaticano ou de outras organizações católicas romanas oficiais. «A Igreja Católica, por intermédio de um relato mal representado da nossa posição sobre aspectos selectivos do aborto, está a colocar em perigo o trabalho com os direitos humanos», disse Kate Gilmore, subsecretária-geral da Amnistia Internacional.
Aproveitou para explicar que a organização não promove o aborto como um direito universal, mas apenas tenta alertar que as mulheres têm o direito de escolher o aborto quando os seus direitos humanos forem violados, especialmente em caso de violação e incesto.
«Não comandamos uma teocracia. Temos de lidar com a sobrevivente de violação no Darfur que, por ter sido deixada com uma gravidez como resultado do inimigo, é ainda mais ostracizada pela sua comunidade», exemplificou, deixando um aviso: «Se o cardeal fosse ao Darfur e se colocasse entre essas vítimas e as pedras atiradas contra elas, aí poderia dizer se a Amnistia tem ou não integridade para se manter firme na luta pelos direitos humanos».



Mais uma vez a Igreja demonstra estar longe do mundo em que vivemos. Mas, pelo menos, mostra coerência nas suas atitudes.
Claro que não se pode “promover o aborto como um direito universal”, mas há situações, como explica a AI, em que o direito da mulher em escolher essa opção, tem de ser respeitado.
O problema da Igreja (e dos seus cardeais) é viver desfasada da realidade. Se deixasse os seus “palácios” dourados e as suas vestes opulentas, veria que a sociedade exige uma posição bem diferente perante os mais diversos assuntos.
E se a Igreja, à primeira “divergência” com uma organização ou indivíduo, lhe tira o seu total “apoio”, que postura devia tomar a grande maioria das pessoas (muitos cristãos, também), que discordam de tantas das suas atitudes e ideias?!
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