Intervalo

21 04 2009

Este blog segue dentro de momentos…

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Até já!

Prometemos ser breves!





Quem salta do inferno cai no tecto do céu

23 01 2009

O meu avô dizia-me muitas vezes que um homem sem amigos não é nada. Pode ter tudo na vida, garantia ele, dinheiro, casas, mulher, filhos, saúde

(e continuava a lista)

mas se não tiver amigos é um infeliz, um pobre de pedir. Eu olhava o meu avô sem acreditar porque as pessoas crescidas são tão ignorantes e com tanta falta de sentido das coisas essenciais: nunca conheci nenhuma, por exemplo, que juntasse, como eu fazia, pirilampos numa caixa de fósforos para o caso de não haver electricidade. E punha bocadinhos de erva dentro para os bichos comerem, porque não há quem não saiba que os pirilampos adoram pastar. Portanto as sentenças do meu avô passaram-me ao lado e essa acerca dos amigos entre elas. Mesmo que não tivesse mais ninguém tinha Flash Gordon, Mandrake, Tintim, Batman, que me pareciam muito melhores que os sujeitos que com ele com ele privavam, alguns de risca do cabelo na orelha, alguns de bigode, alguns de boquilha e quase todos com a mesma pergunta

- Que idade tens tu já?

impressionados, com um suspiro de inveja, pelos meus oito anos, de que se esqueciam logo a seguir para falarem de coisas incompreensíveis e chatíssimas enquanto, sentado no tapete, eu espreitava para dentro da caixa de fósforos na esperança de uma claridade azul e nem uma pontinha de claridade azul para amostra. Mas, ao contrário dos sujeitos do meu avô, se me apetecesse subia uma parede inteira mais depressa que o Homem-Aranha, só que não estava para aí virado e havia o risco da minha avó aparecer a ordenar-me

- Sai imediatamente desse décimo oitavo andar, estás maluco?

e lá vinha eu por aí abaixo, contrariado e infeliz, com medo que ao jantar me cortassem no doce. A prova que os amigos eram desnecessários estava em que Tarzan, Clark Kent, Cisco Kid e outras criaturas do mesmo gabarito eram todas de poucas relações, demasiado ocupadas em actos heróicos e para mais cheios de cabelo. Além disso os amigos do meu avô casaram com senhoras que cheiravam imenso a perfume, me enchiam as bochechas de baton peganhento e se queixavam das costas. E, cúmulo dos cúmulos, achavam-me amoroso, adjectivo que não me passaria pela cabeça aplicar a Batman. Queria ser heróico, não queria ser amoroso, queria respeito, não queria que se enlevassem com os meus olhos azuis e o meu cabelo loiro, queria que me admirassem, não queria ser beijobicado, queria que os maus

(por azar não conhecia nenhum)

se aterrorizassem só de pensar em mim queria, num gesto mágico, que as pistolas desaparecessem das mãos dos gatunos, fulanos pérfidos de riso satânico que, vá-se lá saber porquê, não se aproximavam de mim. Vá-se lá saber porquê uma ova: no fundo sabia: a minha imensa força interior e o meu infinito poder aterravam-nos, e fugiam de mim a sete pés

(adoro esta expressão)

no pânico que os entregasse à polícia algemados e sovados. Portanto, mais uma vez o meu avô não tinha razão: ele que se entretivesse à vontade com os seus sujeitos de risca na orelha e me deixasse resolver as grandes questões das viagens interplanetárias, da magia ordenadora do mundo e da administração da justiça.
E quando faltasse a luz

(a minha avó espreitando a rua

- É geral)

ou um fusível rebentasse aí vinha eu com a minha caixa de fósforos de pirilampos herbívoros solucionar o problema, introduzindo na escuridão uma fosforescência salvadora. Haviam de admirar-me

- O pequeno é extraordinário

e o meu parecer tornar-se decisivo acerca do problema fundamental da abolição da sopa e da troca da açorda por arroz doce, de menor relevo mas merecedor de um exame cuidado: pataniscas de bacalhau com arroz doce é de certeza melhor que pataniscas de bacalhau com açorda, para não mencionar jaquinzinhos com leite creme e a mousse de chocolate com mariscos: a revolução social vai de par com o progresso culinário. E porque carga de água devo lavar os dentes à noite ou sacudir a pilinha depois de fazer chichi em vez de molhar os calções ou salpicar os azulejos de pingos? Que culpa tinha eu que o pirilau não fungasse, puxando para dentro de si o amoníaco que sobrava? Meu Deus como a existência de um miúdo é um inferno de incompreensão por parte da família. Daí pensar que saltando desse inferno, num pulo de Homem-Aranha, caía no tecto do céu, repleto de chocolates de leite com amêndoas e hamsters a pedalarem nas suas rodas em milhares de gaiolas, sem cópias, sem ditados, sem afluentes da margem esquerda do Tejo e outros conhecimentos inúteis que a Flash Gordon não serviam um pito nem nunca li que Batman os soubesse de cor. E não consta que senhoras de perfume violento lambuzassem Tarzan a queixarem-se das costas.

(Lembro-me de uma com um sinal peludo no queixo.)

Nasci para vôos e perseguições, não para responder a perguntas distraídas

- Que idade tens tu já?

e sem sentido, porque quem nasceu em Kripton não conta o tempo por anos. Informava amuado

- Fiz oito em Setembro

e era uma sorte para eles não os evaporar da poltrona com um estalinho dos dedos. Em boa verdade devia preveni-los

- É uma sorte não os evaporar da poltrona com um estalinho dos dedos

passar de Mandrake a Tarzan e percorrer o corredor de liana a liana, com uma macaca no ombro, a fim de rapar o tacho de doce de coco com o indicador vagaroso, se não fosse, ai de mim, ter tanto medo do escuro.

António Lobo Antunes in Visão

Mais palavras para quê?! :?

Ler também Crónica ao espelho, Agora que já pouco te falta, Crónica do hospital


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Feliz Natal!!!

22 12 2008

Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava, e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.

E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação.

Mas,
Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.

História Antiga de Miguel Torga
Antologia Poética
Coimbra, Ed. do Autor, 1981

O Xicórias & Xicorações deseja a todos os seus visitantes e amigos um FELIZ NATAL, cheio de alegria na companhia daqueles que nos são mais queridos.

Obrigado pela vossa amizade!

Um abraço!

R & G


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Crónica ao espelho

4 12 2008

Estou a escrever com a esferográfica do hotel, na única mesa do quarto, diante do espelho: levanto os olhos e o que pensam ser a minha cara ali. Como na porta existe um sinal de proibição de fumar acendo um cigarro. Conheço centenas de quartos de hotel em não sei quantos países, e no entanto a sensação de ficar sempre no mesmo. Provavelmente é o mesmo, que vai mudando de cidade a perseguir-me. Em todos escrevi, aproveitando uma horinha à tarde, dez minutos à noite a fim de não perder a mão. No televisor ligado, sem som

(tiro sempre o som àquilo)

um concurso idiota que ajuda a compreender que não me enganei: em todos os televisores de todos os hotéis da minha vida concursos idiotas, um apresentador ridículo, uma assistente que merecia melhor sorte, por exemplo estar aqui comigo. E daí não: ao fim de meia hora já não conseguia aturá-la, apesar do penteado, apesar do vestido, apesar das pernas. Mulheres que me fazem lembrar o aviso nos rótulos dos xaropes: agite antes de usar. Voltei ao hotel agora, a seguir aos autógrafos, é muito tarde, estou cansado. As pessoas que me lêem comovem-me: fiz um livro diferente para cada uma delas, com palavras diferentes, do mesmo jeito que um alfaiate trabalha por medida, porque a vida de cada um é única, nunca existiu ninguém antes. As experiências podem ser parecidas, a maneira de vivê-las diversa: somos mundos sem fim. Guardo olhos, sorrisos, vozes, dedos que apertaram os meus, uma comunhão indizível. São eu e eu sou elas, falando para elas, por elas. Tanto sofrimento também, algumas alegrias, um imenso, impartilhável silêncio que deseja, com toda a força da alma, ser escutado. Durante os autógrafos oiço muito mais do que digo, escuto expressões, olhares, gestos, o som de um sorriso. Isto no Porto, sexta e sábado, com gaivotas pequeninas

(nunca tinha visto gaivotas pequeninas)

nos penedos da foz, dúzias de gaivotas pequeninas nos penedos da Foz, a aprenderem a ser, na manhã de um azul tão português e imenso mar à nossa frente, sob toneladas de sol, a pura alegria de estar vivo. Ganas de ir à Boa Nova na esperança de encontrar António Nobre, que me retratou inteiro nos seus versos. E as gaivotas pequeninas para aqui e para ali, confundidas com o cinzento das rochas. Estou a meter estas palavras no papel, sem crítica, não pretendo ter graça, não pretendo ser profundo, não pretendo impressionar ninguém: recuperei a infância sou um miúdo espantado. E, tal como quando era miúdo, não morrerei nunca, qualquer fada obscura parece condenar-me à felicidade, um dia dura que tempos, peguem-me ao colo. Uma ocasião, com cinco ou seis anos, Mozart deu um concerto para a corte francesa. Mal começaram os aplausos foi a correr para os joelhos da rainha Maria Antonieta e pediu

- Goste de mim

Será a sede de amor uma doença grave? Ponho os nomes das pessoas nos livros, ponho o meu, palavras entre os dois nomes e ficamos unidos. É bom conhecer quem me lê, afinal existem leitores, os livros não saem sozinhos das livrarias, sinto-me grato. As gaivotas pequeninas sempre em bando, junto umas das outras, com medo. O Zé Francisco ao meu lado

- Já tinha visto gaivotas pequeninas?

e nunca tinha visto gaivotas pequeninas, há imensas coisas que nunca vi. Também ando a aprender a ser. Escrevi sobre esta praia em junho, perdão, em maio, perdão, em maio ou junho não recordo ao certo. Se calhar esta crónica vai ficar uma chumbada, são desenhos sem interesse na margem do papel. Que importa? Sou feito destas minúsculas coisas igualmente, destas patetices que me desfiguram o perfil, desta pobreza de emoções:

- Já tinha visto gaivotas pequeninas?

e a cara diante do espelho opaca. Deito fora estas folhecas? Mando-as para a revista assim? Abro a janela toda e um bêbado lá em baixo na avenida, em lentidões orgulhosas, equilibrando o corpo que lhe foge numa atenção preocupada. De vez em quando pára a insultar sombras, ameaçando-as com a manga solene, janelas cegas, quase nenhuma luz nos prédios fronteiros: a minha cara continuará no espelho à espera que eu volte? Espreito e lá está ela de facto

- Quem és tu?

não, antes

- Quem és tu por baixo dessa cara?
que parece avaliar-te, medir-te. O bêbado lá ao fundo, longe, suponho que zangado ainda. Apetecia-me passear na Ribeira agora, apetecia-me uma trouxa de ovos, apetecia-me o teu corpo, apetecia-me que o vento me despenteasse, apetecia-me benzer-me ao passar pelo oratório da minha avó. Apetecia-me conversar com Santo Agostinho acerca do Tempo, apetecia-me reler Ovídio. Mas vou levantar-me daqui porque acabei, estender-me na cama, esvaziar-me, não pensar em nada. Ou seja: pensar nas gaivotas pequeninas, pensar no mar. Qual das ondas sou eu? Desfaço-me sem ruído, desapareço. Ficam os meus livros na areia. Talvez alguém descubra, daqui a imensos séculos, os meus livros na areia. Não são livros, aliás: são apenas as marcas dos passos de um homem.

António Lobo Antunes in Visão


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O X&X merece um brinde!

27 11 2008

A MkGirl, do blog Bala-Salgada, presenteou o X&X com o prémio “Seu blog merece um brinde!

É sempre uma agradável notícia quando alguém distingue o que fazemos com um “prémio”! É bom saber que as pessoas que por aqui passam, gostam do que encontram…

Agradecemos à MkGirl, cujo blog é de visita obrigatória, a distinção. :mrgreen:


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O X&X vai de férias! Parte II

26 07 2008

Agora é que eu vou mesmo de férias! 8)

Mas vou “descansado”… :roll:

Porque, esta semana, apesar de isto estar a meio gás, o X&X atingiu o máximo de visitas diárias, tendo sido um dos blogs com maior “expressão” dentro de toda a comunidade global da WordPress.com, mais de três milhões e meio de blogs!!

Acho que as férias são merecidas…

Work accomplished! :mrgreen:

Vemo-nos por aqui!

Boas férias! 8)


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O que se tem de fazer nos dias de hoje!!

23 07 2008

Dizem que todos os dias temos que comer uma maçã por causa do ferro e uma banana por causa do potássio. Também uma laranja, para a vitamina C, meio melão para melhorar a digestão e uma chávena de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.

Todos os dias temos que beber dois litros de água (sim, e logo a seguir mijá-los, que leva quase o dobro do tempo que os levei a beber).

Todos os dias temos que tomar um Activia ou um iogurte para ter ‘L. Cassei Defensis’, que ninguém sabe exactamente que porcaria é, mas parece que se não ingeres um milhão e meio todos os dias, começas a ver toda a gente com uma grande diarreia ou presos dos intestinos.

Cada dia uma aspirina, para prevenir os enfartes, mais um copo de vinho tinto, para a mesma coisa. E outro de vinho branco, para o sistema nervoso. E um de cerveja, que já não me lembro para que era. Se os tomares todos juntos, mesmo que te dê um derrame cerebral na hora, não te preocupes, pois o mais certo é que nem te dês conta disso.

Todos os dias tens que comer fibras. Muita, muitíssima fibra até que sejas capaz de defecar uma camisolona bem grossa.

Tens que fazer quatro a seis refeições diárias leves sem te esqueceres de mastigar cem vezes cada garfada. Ora, fazendo um pequeno cálculo apenas a comer vão-se assim de repente umas cinco horitas. Ah, depois de cada refeição deves escovar bem os dentes, ou seja, depois do Activia e da fibra, os dentes; depois da maçã, os dentes; depois da banana, os dentes. Assim, enquanto tiveres dentes, não te podes esquecer nunca de passar o fio dental massajador das gengivas e bochechar com Tantum Verde…

Melhor, amplifica a casa de banho e põe a aparelhagem de música lá, porque entre a água, a fibra e os dentes vais passar muitas horas (quase metade do dia) ali dentro. Equipa-o também de jornais e revistas para te pores a par do que se passa, enquanto estiveres sentado na sanita, porque com a quantidade de fibra que estás a ingerir, são mais umas horitas diárias.

Temos que dormir oito horas e trabalhar outras oito, mais as cinco que usamos a comer, faz vinte e uma. Restam três horas, isto se não surgir nenhum imprevisto. Segundo as estatísticas, vemos três horas de televisão diárias. Bem, já não podes, porque todos os dias devemos caminhar pelo menos uma meia hora (convém regressares ao fim de 15 minutos, senão andas mas é 1 hora!).

E há que cuidar das amizades porque são como uma planta: temos que as regar diariamente. E quando vais de férias também, suponho, senão as plantas morrem nas férias. Para além disso, há que estar bem informado e ler pelo menos um dos jornais diários e uma revista séria, para comparar a informação.

Ah! E temos que ter sexo todos os dias mas sem cair na rotina: temos que ser inovadores, criativos, renovar a sedução. Isso leva o seu tempo. E já nem estamos a falar do sexo tântrico!! (a respeito disso, relembro: depois de cada refeição temos que escovar os dentes!)

Também temos que arranjar tempo para a maquilhagem, a depilação/fazer a barba, varrer a casa, lavar a roupa, lavar os pratos e já nem digo, os que têm gatos, cães pássaros e uma catrefada de filhos…

No total, a mim dá-me umas 29 horas diárias, se nunca parares.

A única possibilidade que me ocorre, é fazer várias destas coisas ao mesmo tempo: por exemplo, tomas duche com água fria e com a boca aberta, e assim bebes logo os dois litros de água de uma vez. Enquanto sais do banho com a escova de dentes na boca, vais fazendo o amor, o sexo tântrico, parado, junto ao teu par, que de passagem vê TV e te vai contando o que se passa, enquanto varre a casa.

Sobrou-te uma mão livre?

Telefona aos teus amigos e aos teus pais!

Bebe o vinho e a cerveja (depois de telefonares aos teus pais, vai fazer-te falta!). O iogurte com a maçã pode dar-te o teu par enquanto ele come a banana com a Activia. No dia seguinte troquem.

E menos mal que já crescemos, porque senão tínhamos que engolir mais umas Cerelac’s e um Danoninho Extra Cálcio todos os santos dias. Úuuuf! :-o

Mas se te restam 2 minutos, aconselha isto aos teus amigos (que temos que regar como as plantas) enquanto comes uma colherzinha de Muesli ou Al-Bran, que faz muito bem…

E agora vou deixar-me de “tretas”, porque entre a demora a escrever tudo isto, o iogurte, o meio melão, o primeiro litro de água e a terceira refeição do dia, já não faço a mínima ideia do que é que estou a fazer e preciso urgentemente de uma casa de banho!

Ah! Vou aproveitar e levo comigo a escova de dentes…

recebido por email

Uffff! Estou exausto… :-|


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O X&X vai de férias! Parte I

11 07 2008

Pois é! A próxima semana será de descanso por aqui…

Isto de blogar durante um ano, deixa mossas! ;-)

Mas a ausência será curta e isto não será deixado completamente ao “abandono”… Até porque conto com as visitas de todos vocês para isso!

Até daqui a uns dias!

Boas férias!! 8-)


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A ouvir! II

31 05 2008

Cat Power – Jukebox

Charlyn “Chan” Marshall – Cat Power – lançou no inicio do ano o 8º álbum da carreira, o segundo de versões, depois de “The Covers Record”, em 2000.

“Jukebox” é uma “colecção” de canções. Cat dá uma nova vida a grandes clássicos da música, de Frank Sinatra a Janis Joplin, passando por Joni Mitchell, Billie Holiday, Bob Dylan, entre outros. Inclui ainda novas versões de dois temas da sua autoria.

Grandes músicas numa voz…hipnotizante.


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A ouvir! I

24 05 2008

Couple Coffee & Band – “Co’as Tamanquinhas do Zeca”

“No seu segundo CD, o Couple Coffee mergulha no cancioneiro de José Afonso, o cantor e compositor que revolucionou a música portuguesa. Da canção política aos temas do mais puro lirismo, em arranjos contemporâneos. Vinte anos depois de sua morte, a obra do Zeca transpõe fronteiras e soa actualíssima.”

Zeca Afonso com um saborzinho… tropical! 8-)


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Sexo ou futebol?

19 05 2008

Quatro em cada cinco portugueses prefere praticar sexo a assistir a um jogo de futebol, o que torna os adeptos nacionais os mais activos da Europa, ao contrário dos “abstinentes” espanhóis, que não abdicam do desporto rei.

O estudo realizado pelo Social Issues Research Centre (Centro de Pesquisa de Assuntos Sociais) em 17 países europeus, contudo, não estabelece a relação entre a qualidade do futebol praticado nos estádios lusos e os escassos 17 por cento dos portugueses que trocam sexo por um jogo, enquanto a média se situa de 50 por cento.

No extremo oposto da estatística estão os adeptos espanhóis, os sexualmente menos activos da Europa sempre que a alternativa é assistir a um encontro de futebol, com 72 por cento a trocar uma noite de sexo pelos golos da sua equipa.

O sucesso de Cristiano Ronaldo e Luís Figo leva a que 53 por cento dos portugueses considere os jogadores de futebol os seus maiores ídolos, valor apenas superado pela Bélgica e a Suécia (ambas com 61), dois dos países com menos “estrelas”.

O futebol “é uma religião” para 73 por cento dos portugueses, o valor mais elevado do estudo, muito acima dos “ateus” holandeses (27), mas para apenas 35 por cento é “a coisa mais importante da vida”, categoria liderada pelos belgas, com 70 a viver para a modalidade.

Os portugueses são também os mais “chorões” do velho continente, com quatro em cada cinco adeptos a admitir que já chorou enquanto presenciava uma partida, em oposição aos contidos dinamarqueses (44 por cento).

Em contrapartida, os adeptos lusos são os menos interessados na actividade diária do seu clube, com apenas 62 por cento a acompanhar as notícias ao longo do dia, contra 91 por cento da média europeia e 98 dos recordistas dinamarqueses.

Os portugueses são também os que os que menos associam futebol a “paixão e dedicação” (77 por cento) e a “excitação e emoção (62 por cento), tendo apenas 78 por cento admitido que gritou em público enquanto assistia a um jogo, enquanto a média continental ascende a 95.

Este distanciamento explica que apenas 43 por cento tenha “abraçado ou beijado estranhos durante um jogo”, contra 93 dos “afectuosos” alemães, e que apenas 27 por cento “sonhe com futebol”, bem longe dos “sonhadores” espanhóis (88 por cento).

Para seis em cada dez espectadores nacionais os dias de futebol representam uma boa oportunidade para reunir a família, a média mais elevada entre os 17 países envolvidos no estudo, que em Portugal contou com a participação do departamento de sociologia da Universidade do Porto.

in RTP

Estes estudos são sempre muito interessantes…

E aqui a lusitânia até se safa bem! ;-)


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Podia ter sido eu…

8 05 2008

A mais recente campanha da Nike traz-nos um bom spot do realizador Guy Ritchie (…): “Take it to the next level”.

É este o conceito da Nike, que nos leva a crer que qualquer um de nós pode chegar ao topo do futebol. Ora, eu sou um dos milhões de portugueses que passaram ao lado de uma grande carreira. E se durante muitos anos pensei que a culpa era do meu (pouco) talento, depois de ver este spot, finalmente percebi que a responsabilidade foi da Sanjo e da Desportex. Foram estas marcas que nunca me catapultaram para o nível seguinte.

Agora sei que os meus pés nunca me obedeceram porque não tive o equipamento adequado. Não sei se todos nós podemos processar estas marcas por nos terem privado do sucesso e dos milhões, mas penso que a Deco tem aqui consumidores desiludidos em número suficiente para intervir.

Voltando ao spot, a câmara subjectiva leva-nos a interagir com muitas caras conhecidas do futebol, como Wayne Rooney, Cristiano Ronaldo, Materazzi, Fábregas, Ronaldinho, Van Nistelrooy ou o treinador Arsène Wenger. Estão lá também as festas, as amigas do Ronaldo, as entradas violentas, os dentes partidos e outras coisas boas do futebol.

Parece que já me estou a ver. Final do Euro 2008 e eu a ponta de lança da nossa selecção.

Mesmo com umas chuteiras Desportex era provável que marcasse mais golos.

Nuno Presa Cardoso in Expresso

;-)


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IKEA: enlouqueça você mesmo

28 03 2008

Os problemas dos clientes do IKEA começam no nome da loja. Diz-se «Iqueia» ou «I quê à»? E é «o» IKEA ou «a» IKEA»? São ambiguidades que me deixam indisposto. Não saber a pronúncia correcta do nome da loja em que me encontro inquieta-me. E desconhecer o género a que pertence gera em mim uma insegurança que me inferioriza perante os funcionários. Receio que eles percebam, pelo meu comportamento, que julgo estar no «I quê à», quando, para eles, é evidente que estou na «Iqueia».

As dificuldades, porém, não são apenas semânticas mas também conceptuais. Toda a gente está convencida de que o IKEA vende móveis baratos, o que não é exactamente verdadeiro. O IKEA vende pilhas de tábuas e molhos de parafusos que, se tudo correr bem e Deus ajudar, depois de algum esforço hão-de transformar-se em móveis baratos. É uma espécie de Lego para adultos. Não digo que os móveis do IKEA não sejam baratos. O que digo é que não são móveis. Na altura em que os compramos, são um puzzle. A questão, portanto, é saber se o IKEA vende móveis baratos ou puzzles caros. Há dias, comprei no IKEA um móvel chamado Besta. Achei que combinava bem com a minha personalidade. Todo o material de que eu precisava e que tinha de levar até à caixa de pagamento pesava seiscentos quilos. Percebi melhor o nome do móvel. É preciso vir ao IKEA com uma besta de carga para carregar a tralha toda até à registadora. Este é um dos meus conselhos aos clientes do IKEA: não vá para lá sem duas ou três mulas. Eu alombei com a meia tonelada. O que poupei nos móveis, gastei no ortopedista. Neste momento, tenho doze estantes e três hérnias.

É claro que há aspectos positivos: as tábuas já vêm cortadas, o que é melhor do que nada. O IKEA não obriga os clientes a irem para a floresta cortar as árvores, embora por vezes se sinta que não faltará muito para que isso aconteça. Num futuro próximo, é possível que, ao comprar um móvel, o cliente receba um machado, um serrote e um mapa de determinado bosque na Suécia onde o IKEA tem dois ou três carvalhos debaixo de olho que considera terem potencial para se transformarem numa mesa-de-cabeceira engraçada.

Por outro lado, há problemas de solução difícil. Os móveis que comprei chegaram a casa em duas vezes. A equipa que trouxe a primeira parte já não estava lá para montar a segunda, e a equipa que trouxe a segunda recusou-se a mexer no trabalho que tinha sido iniciado pela primeira. Resultado: o cliente pagou dois transportes e duas montagens e ficou com um móvel incompleto. Se fosse um cliente qualquer, eu não me importaria. Mas como sou eu, aborrece–me um bocadinho. Numa loja que vende tudo às peças (que, por acaso, até encaixam bem umas nas outras) acaba por ser irónico que o serviço de transporte não encaixe bem no serviço de montagem. Idiossincrasias do comércio moderno.

Que fazer, então? Cada cliente terá o seu modo de reagir. O meu é este: para a próxima, pago com um cheque todo cortado aos bocadinhos e junto um rolo de fita gomada e um livro de instruções. Entrego metade dos confetti num dia e a outra metade no outro. E os suecos que montem tudo, se quiserem receber.

Ricardo Araújo Pereira in Boca do Inferno/Visão

ikea_instructions

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“Uma vida” à venda no eBay

18 03 2008

Uma relação terminada com a sua mulher levou um homem a colocar à venda online toda a sua vida – casa, carro, emprego, e até os amigos – num esforço para recomeçar de novo.

Ian Usher, um britânico imigrante na Austrália, disse hoje que vai leiloar tudo que possui no eBay, a partir do dia 22 de Junho.

«No dia em que tudo estiver vendido e resolvido, tenciono sair da porta de minha casa com uma mala e o meu passaporte no bolso, e mais nada», disse Usher.

A leilão vai a casa de três quartos na cidade de Perth e todo o seu recheio, o carro, mota, jet ski e equipamento de pára-quedismo.

Usher disse que também vai vender uma apresentação aos seus amigos e uma experiência no seu emprego – um plano apoiado por amigos e pela sua patroa.

Em entrevistas na imprensa e televisão, Usher disse que quer começar de novo depois de ter percebido que a maior parte das coisas da sua actual vida lhe lembram a relação que teve durante cinco anos com a sua mulher e de quem se separou há mais de um ano.

«Tudo o que tenho – a mobília e a casa – tem recordações ligadas ao casamento», disse Usher, de 44 anos, ao canal de televisão 7. «É tempo de deitar fora o velho e começar de novo».

Usher disse que a sua vida vais ser vendida num único lote, e que os licitadores devem preparar-se para pagar mais de 420 mil dólares australianos (250 mil euros), que foi o valor oficialmente calculado por um avaliador.

Joy Jones, co-proprietária da loja de tapetes em Perth onde Usher trabalha como assistente comercial, disse que gostou da ideia do leilão e que o quer ajudar. Joy Jones oferece ao licitante vencedor uma experiência de duas semanas na empresa, que pode ser alargada para três meses e tornar-se permanente se funcionar.

«Quando o Ian apareceu com esta ideia – e dado que o tínhamos visto abatido com a separação e a dor por que passou – pensei que era realmente excitante», disse Jones à Broadcasting Corp. «Pensamos, porque não dar uma ajuda?».

Usher disse que os seus amigos em Perth já aceitaram ser apresentados ao vencedor do leilão – o que lhe permitiu oferecer para venda um estilo de vida completamente novo.

Usher, que nasceu em Darlington, Inglaterra, planeia começar o leilão no dia 22 de Junho e aceitar a última oferta uma semana mais tarde.

Declarou desejar partir em viagem, incluindo fazer uma visita à mãe na Inglaterra, logo que o leilão encerre.

«Os meus actuais pensamentos são ir para o aeroporto e perguntar qual é o próximo voo disponível e partir, e ver onde me leva a vida a partir daí», escreveu no seu site.

Diário Digital / Lusa


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Só para ti… (2)

7 03 2008

“Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?”

Fernando Pessoa

“O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser.”

Mário Quintana

Parabéns, meu amor…


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