Saltar de 42 km de altura a 1500 km/h

6 02 2009

Saltar da estratosfera. Parece loucura – mas é o último projecto de Mário Pardo, que planeia subir a 42 km… para cair a 1500 km/h. Para o menino que sonhava ser astronauta não há limites.

Desde miúdo que queria ser astronauta. Passava noites à janela, a olhar para o espaço, a desejar ir por ali fora. Depois, Mário cresceu, absorveu todos os condicionalismos e limitações que a sociedade lhe quis meter na cabeça e colocou o sonho de lado. Afinal, quantos miúdos não sonham ser astronautas – e quantos conseguem realmente? Mas, há dez anos, ao ler a história de Joseph Kittinger, o capitão da Força Aérea Americana que realizou o maior salto da estratosfera, a 102.800 pés (31.300 metros) em 1960, Mário Pardo atreveu-se a sonhar de novo.

Nascia assim o projecto “Stratosphere” (Estratosfera), que se propõe ir até à segunda camada da atmosfera num balão a hélio e depois cair, em queda livre, os mesmos 120.000 pés (36.500 metros) por ali abaixo… Aquilo que levará a Mário duas horas e meia a subir levará singelos cinco minutos e meio a descer – só que a uma velocidade superior a 1500 km/hora. Se tudo correr como previsto, o tricampeão nacional de queda livre quebrará cinco recordes mundiais (altitude em voo de balão tripulado, altitude em salto de queda livre, maior distância percorrida em queda livre e mais longa queda livre realizada, e recorde de velocidade alcançada, ultrapassando a barreira do som), com direito a inscrição no “Guinness” e tudo.

Há riscos óbvios, inerentes. Um deles é “entrar em spin”, ou seja, perder a estabilidade e vir por aí abaixo em círculos – “o que aconteceu a Kittinger”. Safou-o um drogue, espécie de pára-quedas de emergência pensado para dar estabilidade em objectos a altas velocidades. Mas Mário acredita que, com mais de 4000 saltos na bagagem e a sua experiência de pára-quedista, isso não vai acontecer – embora esteja previsto levar um drogue para activar em caso de emergência. Outro risco passa pela fragilidade do material do balão estratosférico, que tem a textura de “um saco de plástico muito fininho” e facilmente se pode danificar na descolagem.

Apesar de parecer uma ideia meio louca, o projecto “Estratosfera” tem uma sólida equipa científica por trás. A Universidade do Porto tornou-se parceira. Sérgio Reis Cunha, da Faculdade de Engenharia, assume a direcção técnica – o engenheiro electrotécnico coordena um programa de lançamento de balões estratosféricos em parceria com a Agência Espacial Europeia. Paulo Afonso, mestre em Astrofísica e doutorando no Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, em Munique, é consultor científico; e o director de voo é Alan Noble, o homem do leme da Cameron Balloons, o maior fabricante de balões do mundo, que será responsável pela criação do balão a hélio e também pelo fato. E contam ainda, como consultor técnico, com Andy Elson, responsável pela volta ao Mundo em balão da Breitling em 1993 – e o homem que mais vezes esteve acima dos 40.000 pés (12.200 metros).

O balão terá uma altura de 100 metros (o equivalente a um prédio de 30 andares), subirá à velocidade de 1000 pés (304 metros) por minuto e levará uma gôndola, não pressurizada, para ser mais leve. “O fato não é igual a um fato espacial, porque tem de permitir mais mobilidade”, nomeadamente para manobrar o pára-quedas depois de aberto, explica Mário. Terá de ser térmico e pressurizado, para fazer face à pressão e à temperatura, que a partir dos 30.000 pés (9.100 metros) baixa para os – 60 graus Celsius, podendo ir até aos -100. Esta tecnologia não existe em Portugal – pelo que o local da descolagem está em aberto, dependendo do patrocinador. “Pode ser no Brasil, na Índia, nos EUA, no Novo México…”, avança Mário, esclarecendo que “a única condição para a aterragem é que seja no deserto, por motivos de terreno”.

Curso de terapeuta em comportamentos aditivos

O pára-quedista levará oxigénio e, antes da subida, terá de fazer uma desnitrogenização, consumindo oxigénio puro, sem azoto, para eliminar o risco de descompressão. Além disto, leva também uma parafernália de equipamento: vários GPS, para calcular posição e velocidade; sensores de pressão atmosférica, de temperatura e de parâmetros biomédicos, que darão indicações à equipa médica cá em baixo sobre a sua condição física; rádios adequados para transmissão de dados de navegação e telemetria; e câmaras de filmar que transmitirão, em tempo real, imagens de tudo o que se passa na ascensão e queda.

Ainda não há data para a grande aventura (que depende essencialmente de arranjar patrocinadores, já que o projecto ascende a quatro milhões de euros…), mas do treino do atleta fazem já parte muitas horas na câmara hipobárica da Força Aérea, onde se simula a baixa pressão atmosférica da estratosfera, e outras tantas no túnel de vento de Bedford (Inglaterra), “uma turbina que lança ar a uma velocidade semelhante à da queda livre…” Além disso, Mário está habituado a uma actividade física intensa. Diariamente, faz duas a três horas de treino aeróbico, ioga e meditação. Facetas do trabalho da mente, cuja performance é fundamental. E que reflecte outra faceta da sua vida: a de psicoterapeuta. O curso de terapeuta em comportamentos aditivos foi tirado em Londres, aos 30 anos, depois de uma “fase difícil”.

Para Mário, o mais importante neste projecto é concretizar o sonho de criança – e “passar a mensagem de que é possível”. Os limites somos nós que os impomos a nós próprios. Mas foram feitos para ser ultrapassados. Costumo dizer que não ultrapasso os meus medos – empurro-os. Vou empurrando os meus medos sempre para mais além. Gosto de os enfrentar, porque sei que são o que mais nos limita. Passei muito tempo a lutar contra eles. E querer lutar contra os medos é uma batalha perdida – a partir do momento em que os aceitas, eles tornam-se mais pequenos. À medida que aprendes a lidar com ele, passas a vê-lo de forma diferente. Quase como um velho amigo.” O seu único limite? “Não magoar os outros.”

in Expresso

Só me resta dizer uma coisa:

- Boa sorte!! :shock:


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Xutos & Pontapés: 30 anos de rock

13 01 2009

Não foi a uma terça, mas antes a uma sexta-feira 13 (de Janeiro, em 1979) que um concerto nos Alunos de Apolo, em Lisboa, marcaria o dia em que daí para a frente se celebraria cada aniversário de uma das bandas de rock portuguesas mais antigas no activo, os Xutos & Pontapés. Hoje celebram o seu 30º aniversário, mas já há mais de uma década que a longevidade da sua carreira e alguns traços comuns entre músicos lhes granjeou o epíteto de Rolling Stones portugueses. E viriam a abrir para os originais, em 27 de Setembro de 2003, no Estádio Municipal de Coimbra. O sonho tornar-se-ia, assim, realidade para os Xutos, conforme o diriam.

xutos-pontapes

Mas os Xutos & Pontapés garantem, ainda hoje e mesmo percorrendo o país de lés a lés, casa cheia por conta própria. O Pavilhão Atlântico testemunhou isso em 1999, no concerto dos 20 anos. (…) Mostram em Novembro de 2005, como conseguem arrastar novamente consigo os seus admiradores, desta vez ao Coliseu dos Recreios e por três vezes, na final da tournée “Três Desejos”. Em 2008 é a vez do Campo Pequeno se preparar para o circo e para as feras, agora em rodada dupla, recordando o 20º aniversário do álbum “Circo de Feras” com um espectáculo feito de acrobacias visuais e sonoras para vestir de outras cores os originais desse disco histórico da carreira dos Xutos.

Apesar disso, nem só de recordações vivem os Xutos & Pontapés. Entre recuperações recentes (ano 2000) para CD de concertos memoráveis como o do Rock Rendez-Vous e novos registos ao vivo, há também lugar a originais, sendo um deles reservado para coincidir com o 25º aniversário. “Mundo ao Contrário”, editado em 2004, contraria assim a previsível tentação dos tradicionais best-of comemorativos e mostra que os Xutos ainda estão aí para tomar as rédeas à “vida malvada” e conquistar novos públicos.

Os 30 anos não são diferentes. Há disco novo prestes a sair, com 13 temas. O primeiro é ‘Quem é Quem’, single de apresentação do 12º registo de estúdio da banda, com lançamento marcado para o dia 23 de Março.

O novo single é apresentado ao vivo, no Pavilhão de Portugal, esta terça-feira, dia 13 de Janeiro, 30 anos depois.

in Cotonete

Parabéns Xutos!! :)


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80 anos a prever o dia seguinte

5 01 2009

‘Borda d’Água’. O almanaque fundado em 1929 está congelado no tempo – é impresso numa tipografia tradicional e mantém a mesma linha editorial de há oito décadas. Tem tudo para estar condenado, mas demonstrou que a lei da probabilidade é um falhanço. Há cada vez mais leitores.

Nasceu no início da Grande Depressão, em 1929, atravessou de uma ponta à outra o regime salazarista, chegou à democracia e promete, este ano, ultrapassar a pior crise económica das últimas décadas. Há 80 anos que o Borda d’Água ensina ciência, mezinhas e outras sabedorias populares. Pode vir a Internet, a televisão por cabo, as enciclopédias digitais ou qualquer outra tecnologia de ponta que o “Velho da Cartola” continua igual a si próprio. “É uma tradição que se cumpre de geração para geração e que abarca leitores de todos os estratos sociais”, conta Narcisa Fernandes, sócia-gerente da Minerva, a editora que fundou e publica o almanaque.

O Borda d’Água não vai atrás ou à frente do progresso. Não precisa. Há cada vez mais adeptos, que querem saber quando plantar batatas, podar a vinha ou colher rabanetes. O caderno de papel reciclado é um best-seller – a edição de 2009 já vendeu 340 mil exemplares e na oficina da editorial Minerva, em Lisboa, as rotativas continuam a imprimir outras largas centenas de cópias que vão chegar nos próximos dias aos quiosques e aos vendedores de rua.

Os leitores separam as páginas com um canivete ou um corta-papéis à espera de encontrar sempre o mesmo – conhecer antecipadamente os dias de sol e de chuva ou ter em primeira mão as previsões para a agricultura. Por mais que possa ser complicado ver o futuro em tempos de mudança, o Borda d’Água oferece previsibilidade a troco de 1,50 euros. Não há aquecimento global ou qualquer outra mudança climática com força suficiente para derrotar o almanaque. Por mais surpreendente que seja o dia seguinte, o “reportório útil a toda a gente” está em cima do acontecimento.

No Inverno de 2007, conseguimos prever o tempo seco e quente e, no ano passado, antecipámos as chuvas torrenciais do Outono“, explica Célia Cadete, directora do Borda d’Água. O Observatório Astronómico da Ajuda tem uma quota parte do mérito, mas não explica tudo: “São uns pozinhos mágicos que temos.” Célia prefere não revelar o segredo, embora ofereça algumas pistas: “Basta saber ler os sinais da natureza.

São dotes usados no Borda d’Água desde os anos 60, altura em que Artur Campos, funcionário da Minerva, passou pela direcção da revista: “Apesar de ter apenas a instrução primária, conseguia determinar com bastante rigor qual o estado do tempo para o ano inteiro“, diz Narcisa. Perdia noites de olhos postos no céu a contar as estrelas e a fazer cálculos matemáticos: “Ao longo de 50 anos fez as previsões atmosféricas que deram credibilidade à nossa revista.

A reputação do Borda d’Água é ainda hoje reconhecida por milhares de leitores, o que poderá ser um suspiro de alívio para quem está à espera de um ano ainda mais difícil do que o último. O almanaque de 2009 desdiz as previsões de crise e até contraria o pessimismo do Presidente Cavaco Silva, que na mensagem de Ano Novo alertou para os maus tempos que se avizinham para os agricultores.

Os prognósticos do Borda d’Água são outros. “Haverá abundância de trigo e de outros alimentos; a carne e o peixe não vão faltar. O vinho, esse, será em abundância e de mui boa qualidade.” Quem tem, afinal, razão? A única certeza é que os presidentes mudam e o Borda d’Água está para ficar.

in DN Online


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Crónica ao espelho

4 12 2008

Estou a escrever com a esferográfica do hotel, na única mesa do quarto, diante do espelho: levanto os olhos e o que pensam ser a minha cara ali. Como na porta existe um sinal de proibição de fumar acendo um cigarro. Conheço centenas de quartos de hotel em não sei quantos países, e no entanto a sensação de ficar sempre no mesmo. Provavelmente é o mesmo, que vai mudando de cidade a perseguir-me. Em todos escrevi, aproveitando uma horinha à tarde, dez minutos à noite a fim de não perder a mão. No televisor ligado, sem som

(tiro sempre o som àquilo)

um concurso idiota que ajuda a compreender que não me enganei: em todos os televisores de todos os hotéis da minha vida concursos idiotas, um apresentador ridículo, uma assistente que merecia melhor sorte, por exemplo estar aqui comigo. E daí não: ao fim de meia hora já não conseguia aturá-la, apesar do penteado, apesar do vestido, apesar das pernas. Mulheres que me fazem lembrar o aviso nos rótulos dos xaropes: agite antes de usar. Voltei ao hotel agora, a seguir aos autógrafos, é muito tarde, estou cansado. As pessoas que me lêem comovem-me: fiz um livro diferente para cada uma delas, com palavras diferentes, do mesmo jeito que um alfaiate trabalha por medida, porque a vida de cada um é única, nunca existiu ninguém antes. As experiências podem ser parecidas, a maneira de vivê-las diversa: somos mundos sem fim. Guardo olhos, sorrisos, vozes, dedos que apertaram os meus, uma comunhão indizível. São eu e eu sou elas, falando para elas, por elas. Tanto sofrimento também, algumas alegrias, um imenso, impartilhável silêncio que deseja, com toda a força da alma, ser escutado. Durante os autógrafos oiço muito mais do que digo, escuto expressões, olhares, gestos, o som de um sorriso. Isto no Porto, sexta e sábado, com gaivotas pequeninas

(nunca tinha visto gaivotas pequeninas)

nos penedos da foz, dúzias de gaivotas pequeninas nos penedos da Foz, a aprenderem a ser, na manhã de um azul tão português e imenso mar à nossa frente, sob toneladas de sol, a pura alegria de estar vivo. Ganas de ir à Boa Nova na esperança de encontrar António Nobre, que me retratou inteiro nos seus versos. E as gaivotas pequeninas para aqui e para ali, confundidas com o cinzento das rochas. Estou a meter estas palavras no papel, sem crítica, não pretendo ter graça, não pretendo ser profundo, não pretendo impressionar ninguém: recuperei a infância sou um miúdo espantado. E, tal como quando era miúdo, não morrerei nunca, qualquer fada obscura parece condenar-me à felicidade, um dia dura que tempos, peguem-me ao colo. Uma ocasião, com cinco ou seis anos, Mozart deu um concerto para a corte francesa. Mal começaram os aplausos foi a correr para os joelhos da rainha Maria Antonieta e pediu

- Goste de mim

Será a sede de amor uma doença grave? Ponho os nomes das pessoas nos livros, ponho o meu, palavras entre os dois nomes e ficamos unidos. É bom conhecer quem me lê, afinal existem leitores, os livros não saem sozinhos das livrarias, sinto-me grato. As gaivotas pequeninas sempre em bando, junto umas das outras, com medo. O Zé Francisco ao meu lado

- Já tinha visto gaivotas pequeninas?

e nunca tinha visto gaivotas pequeninas, há imensas coisas que nunca vi. Também ando a aprender a ser. Escrevi sobre esta praia em junho, perdão, em maio, perdão, em maio ou junho não recordo ao certo. Se calhar esta crónica vai ficar uma chumbada, são desenhos sem interesse na margem do papel. Que importa? Sou feito destas minúsculas coisas igualmente, destas patetices que me desfiguram o perfil, desta pobreza de emoções:

- Já tinha visto gaivotas pequeninas?

e a cara diante do espelho opaca. Deito fora estas folhecas? Mando-as para a revista assim? Abro a janela toda e um bêbado lá em baixo na avenida, em lentidões orgulhosas, equilibrando o corpo que lhe foge numa atenção preocupada. De vez em quando pára a insultar sombras, ameaçando-as com a manga solene, janelas cegas, quase nenhuma luz nos prédios fronteiros: a minha cara continuará no espelho à espera que eu volte? Espreito e lá está ela de facto

- Quem és tu?

não, antes

- Quem és tu por baixo dessa cara?
que parece avaliar-te, medir-te. O bêbado lá ao fundo, longe, suponho que zangado ainda. Apetecia-me passear na Ribeira agora, apetecia-me uma trouxa de ovos, apetecia-me o teu corpo, apetecia-me que o vento me despenteasse, apetecia-me benzer-me ao passar pelo oratório da minha avó. Apetecia-me conversar com Santo Agostinho acerca do Tempo, apetecia-me reler Ovídio. Mas vou levantar-me daqui porque acabei, estender-me na cama, esvaziar-me, não pensar em nada. Ou seja: pensar nas gaivotas pequeninas, pensar no mar. Qual das ondas sou eu? Desfaço-me sem ruído, desapareço. Ficam os meus livros na areia. Talvez alguém descubra, daqui a imensos séculos, os meus livros na areia. Não são livros, aliás: são apenas as marcas dos passos de um homem.

António Lobo Antunes in Visão


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A justiça é cega (antes fosse muda)

17 11 2008

O julgamento de Fátima Felgueiras veio provar que, em Portugal, os cidadãos devem ter confiança na Justiça. Sobretudo os cidadãos como Fátima Felgueiras. Em princípio, não há nada que os apanhe. Ainda assim, a sentença é um monumental enxovalho para a ré, e ridiculariza, de modo bastante cruel, a sua conduta. Como? No acórdão, o juiz demonstra a Fátima Felgueiras que estava errada: não valia a pena ter fugido para o Brasil. Foi dinheiro que a presidente da Câmara desbaratou. Ainda por cima, Fátima Felgueiras terá usado, na fuga, dinheiro que, de facto, lhe pertencia, para variar – o que é refrescante. Hoje, não restam dúvidas de que se tratou de uma medida insensata. Em vez de procurar um exílio de cerca de dois anos no Brasil, Fátima Felgueiras poderia ter continuado tranquilamente na sua terra, a presidir à autarquia que dirige. O máximo que lhe acontecia era uma pena suspensa. Não faz sentido andar a fugir por causa de crimes que não são punidos com pena efectiva. E é uma vergonha que políticos que ocupam cargos de alguma relevância desconheçam a lei a este ponto. O estudo das leis permite ao autarca consciente e responsável praticar apenas os crimes que não dão cadeia, e evita fugas tão trabalhosas como desnecessárias.

Na verdade, a pena suspensa é a versão judicial daqueles pais que dizem: «Carlos Miguel, da próxima vez que fizeres isso levas uma palmada», e depois continuam a repetir a mesma ameaça sempre que o Carlos Miguel pratica tropelia igual à primeira, ou pior. O Carlos Miguel, que não é parvo, sabe perfeitamente que aquela palmada está suspensa para sempre. E o mais provável é que, quando crescer, o Carlos Miguel faça carreira como autarca. Dos bons.

Para sermos rigorosos, a sentença que puniu Fátima Felgueiras está, toda ela, suspensa. É certo que são três anos e três meses de pena suspensa e perda do mandato de presidente. No entanto, esta última pena, sendo efectiva, acaba por estar também suspensa. Enquanto Fátima Felgueiras recorre e o tribunal aprecia o recurso, o presente mandato chega ao fim. Quando o tribunal decidir, o próximo mandato (que Fátima Felgueiras obterá, de certeza, e com maioria absoluta, nas próximas eleições) também terá terminado.

Parece claro que a razão pela qual não existe pena de morte em Portugal não tem a ver com pruridos morais, mas com problemas jurídicos. No nosso país, crimes graves podem ser punidos com pena suspensa. Seria uma questão de tempo até um tribunal português decretar uma sentença de condenação à morte por injecção letal suspensa. Nós não abolimos a pena de morte por amor à dignidade do ser humano. Foi por medo do ridículo.

Ricardo Araújo Pereira in Visão


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Concerto “Por Moçambique”

8 11 2008

“POR MOÇAMBIQUE” é o slogan do concerto de solidariedade que a SOPRO realiza hoje, dia 8 de Novembro, no Pavilhão Municipal de Barcelos, e no qual participam solidariamente os Corvos, Os Azeitonas e os Monstro Mau, com a apresentação dos manequins Rubim e Mónica.

Nos 11 anos de existência, a associação SOPRO – Solidariedade e Promoção (ONGD), tem dado um apoio efectivo e constante a Moçambique, nomeadamente na Escola João XXIII, localizada em Manga, na cidade da Beira:

  • enviados mais de 40 voluntários,
  • apoio na construção do projecto “Aldeia de Chimpaca”;
  • mais 200 bolsas de estudo a crianças da escola Escola João XXIII;
  • apoio na construção e melhoria das instalações da escola;
  • apoio na formação a de professores;
  • enviados mais de 20 mil livros e material escolar;

No entanto, todo o apoio que tem sido prestado a Moçambique, não é suficiente, pois as carências são muitas e os recursos são sempre poucos.

No próximo ano pretende-se dar formação e preparar voluntários, tendo como principal objectivo ir de encontro às necessidades de Moçambique, nas áreas EDUCAÇÃO, SAÚDE, nunca esquecendo as suas características SOCIAIS E CULTURAIS. Neste sentido o nosso esforço vai no sentido de criar uma relação próxima destas população através de agentes que estão no terreno e que sentem todas as necessidades reais do dia-a-dia.

Todo o apoio é pouco, mas juntos podemos marcar a diferença.


“We can´t solve all the problems, but the one’s we can, we must!”

Make Poverty History


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‘Explicações’ online entre 0,75 e 17€

27 10 2008

Aprender e tirar boas notas passa cada vez mais pelas explicações, em que muitos pais deixam avultadas verbas mensais. Para além do explicador doméstico tradicional, o negócio expandiu-se para os centros de explicações e chegou agora a um mercado global: a Internet.

Os pais gastam cada vez mais em explicações para os filhos terem boas notas. Se o explicador caseiro tende a acabar, o negócio dos centros de explicações, a maioria franchisados, está em franca expansão, sendo já uma saída para professores desempregados, caso de Sandra Piedade, que encontrou uma solução no Mathnasium. O último grito é a Internet, onde não se dão propriamente explicações mas esclarecem questões. Tirar uma dúvida pode custar entre 75 cêntimos e 17 euros, consoante o grau de escolaridade do aluno e a complexidade da resposta.

“Bom dia”, diz o aluno. “Bom dia, posso ajudar?”, responde o professor. “Queria tirar uma dúvida de matemática. O que é maior: 0,3 ou 0,03?”, continua o aluno. O diálogo on-line prossegue com o acordo entre os dois de quanto custará esclarecer a questão. Assim funciona o www.tiraduvidas.eu, portal onde alunos e professores esclarecem dúvidas de todas as disciplinas e a qualquer hora. Basta que um dos mais de cinco mil docentes esteja online para responder.

A rentabilidade de custos e a disponibilidade do serviço são duas das vantagens para quem recorre a este serviço, em vez do sistema tradicional ao qual recorre cerca de metade dos alunos do secundário. Mas por que razão, tantos alunos se socorrem das explicações? Albino Almeida, presidente da Confap, não tem dúvidas: “O exame é uma roleta-russa que em duas horas pode decidir o futuro de um aluno. É natural que crie ansiedade no aluno e na própria família.”

O portal tem 2500 visitas por dia, 20 mil alunos registados e cinco mil professores. O serviço é pontual, e as dúvidas só são esclarecidas se o aluno tiver saldo na conta, carregada online. Até final do ano, Luís Pereira estima chegar a 300 mil jovens e 15 mil docentes. Em média, os que mais utilizam o serviço carregam 15 euros mensais, mas há quem lá deixe 50 euros por mês. Os mais familiarizados com o sistema chegam a colocar a questão a vários professores para comprar ao melhor preço.

Cada professor gere o tempo online consoante a sua disponibilidade, podendo até ser chamado via sms por um aluno. Hoje a professora mais requisitada recebe 70 euros mensais, mas o serviço vai disparar neste ano lectivo, acredita o mentor do projecto. Metade do preço da dúvida vai para o professor, o “que faz deste serviço um negócio para os professores, que daqui podem tirar rendimentos”, diz Luís Pereira. A qualidade do serviço é, numa primeira fase, filtrada pelo gestor do portal que avalia o curriculum do professor. Depois o “negócio” flui e resolve-se entre quem pede e fornece o serviço.

in DN Online

A tecnologia no seu melhor… :?

O “Magalhães” começa a fazer jeito! :roll:


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E nós, podemos falir?!

23 10 2008

A Islândia pode falir. Parece que é assim que se diz. Olhando para a história e o comportamento diletante de alguns países – estou a lembrar-me de um em particular – julguei que a notícia não era propriamente nova. Mas, pelos vistos, a ideia de que um país pode, digamos assim, apagar a luz, está na ordem do dia. A Islândia, uma das nações mais ricas do mundo, já não pode sustentar-se. Deu-se a especulações e rebaldaria financeira, desgovernou-se, e acabou a mendigar um empréstimo à Rússia, daqueles que nem a um amigo se pede.

Não sei o que virá a seguir, mas antecipo já o que estarão a pensar: não temo pelo futuro de Portugal.

A ditosa pátria tem, desde logo, um enorme seguro de vida, inacessível em massa aos outros países: os portugueses. Levamos as tragédias na boa, até fazemos anedotas das nossas circunstâncias. «Olha, as taxas de juro subiram outra vez. Lá vou ter de ir ao Momento da Verdade dizer que comi a minha sogra.» E bebe-se mais um copo. Um povo que se ri de si próprio dura mais. Até quarenta por cento mais, aprendi eu numa aula de inglês.

Na verdade, andamos a rir-nos desde 1143.

E nessa altura, note-se, ainda não comíamos a sogra, só batíamos na mãe. No tempo em que os animais falavam, por alturas do Big Brother, um tal comportamento ainda garantia um cheque chorudo e dava para governar uma casa jeitosa. Um pontapé numa amiga, ao vivo e em directo, também estava bem cotado. Mas desvalorizou muito. Os miúdos já batem nos pais e nos professores e nem isso lhes garante sustento. Agora, com a Teresa Guilherme in charge, essas irreverências não chegam sequer para sermos seleccionados. Porém, se o português despudorado tiver uma vida sexual desastrada, consumir drogas, «não tiver um emprego certo» e estourar a herança do pai ao jogo, é um sério concorrente à sua própria autonomia financeira. Ou como diz um amigo meu, «basta que mostre o melhor do seu pior». E não minta, chegado o momento da verdade.

Pelo lado da Economia e do mercado financeiro, nada a temer, também. Enquanto outros, nos países grandes, jogam à grande com as fichas deles a expensas nossas – é por isso que se chama economia de casino, não? – os empresários e aditos do jogo financeiro em Portugal são como um grupo de amigos à volta do Monopoly. Julgam-se donos de tudo, mas, quando muito, mandam na rua deles. Às vezes, de tão viciados, jogam à séria e fazem umas patifarias nos BCP´s desta vida. Mas fica tudo entre amigos. E nós nem sequer protestamos.

Por fim, não corremos o risco de ver o Estado português falir. Pela simples razão de que não pode falir o que não existe. Desde há vários anos que o paradeiro do Estado é desconhecido nas escolas, hospitais, museus e entidades financeiras. «Afinal, quem manda aqui?», é a pergunta típica do português na fila de espera de um qualquer serviço. Se alguma vez essa indignação tivesse resposta, aí sim, era caso para ficarmos preocupados.

A Devida Comédia – Miguel Carvalho in Visão

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A banca nacionalizou o Governo

20 10 2008

Quando, o Ministério das Finanças anunciou que o Governo vai prestar uma garantia de 20 mil milhões de euros aos bancos até ao fim do ano, respirei de alívio. Em tempos de gravíssima crise mundial, devemos ajudar quem mais precisa. E se há alguém que precisa de ajuda são os banqueiros. De acordo com notícias de Agosto deste ano, Portugal foi o país da Zona Euro em que as margens de lucro dos bancos mais aumentaram desde o início da crise. Segundo notícias de Agosto de 2007, os lucros dos quatro maiores bancos privados atingiram 1,137 mil milhões de euros, só no primeiro semestre desse ano, o que representava um aumento de 23% relativamente aos lucros dos mesmos bancos em igual período do ano anterior. Como é que esta gente estava a conseguir fazer face à crise sem a ajuda do Estado é, para mim, um mistério.

A partir de agora, porém, o Governo disponibiliza aos bancos dinheiro dos nossos impostos. Significa isto que eu, como contribuinte, sou fiador do banco que é meu credor. Financio o banco que me financia a mim. Não sei se o leitor está a conseguir captar toda a profundidade deste raciocínio. Eu consegui, mas tive de pensar muito e fiquei com dor de cabeça. Ou muito me engano ou o que se passa é o seguinte: os contribuintes emprestam o seu dinheiro aos bancos sem cobrar nada, e depois os bancos emprestam o mesmo dinheiro aos contribuintes, mas cobrando simpáticas taxas de juro. A troco de apenas algum dinheiro, os bancos emprestam-nos o nosso próprio dinheiro para que possamos fazer com ele o que quisermos. A nobreza desta atitude dos bancos deve ser sublinhada.

Tendo em conta que, depois de anos de lucros colossais, a banca precisa de ajuda, há quem receie que os bancos voltem a não saber gerir este dinheiro garantido pelo Estado. Mas eu sei que as instituições bancárias aprenderam a sua lição e vão aplicar ajuizadamente a ajuda do Governo. Tenho a certeza de que os bancos vão usar pelo menos parte desse dinheiro para devolver aos clientes aqueles arredondamentos que foram fazendo indevidamente no crédito à habitação, por exemplo, e que ascendem a vários milhares de euros no final de cada empréstimo. Essa será, sem dúvida nenhuma, uma prioridade. Vivemos tempos difíceis, e julgo que todos, sem excepção, temos de dar as mãos. Por mim, dou as mãos aos bancos. Assim que eles tirarem as mãos do meu bolso, dou mesmo.

Ricardo Araújo Pereira in Visão

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Novo Hino Nacional

16 10 2008

Petição para um Novo Hino Nacional: “Movimento Perpétuo Associativo” dos Deolinda

Porque o tempo dos “heróis do mar” já lá vai há muito…
Porque não somos actualmente nem “nobre povo”, nem “nação valente”…

Porque, como tal, não faz sentido mantermos um hino que reflecte um nacionalismo tacanho e bélico (Às armas, às armas, pela pátria lutar, contra os canhões marchar marchar” (???)) e que está completamente desactualizado e desfocado da realidade do país…

Porque nesta nação reina o conformismo, a apatia e o desinteresse generalizado por aquilo que nos rodeia…

Porque é preciso um “murro no estômago” para acordarmos do estado de latência a que chegámos…

Porque qualquer nação que queira evoluir tem de ter uma noção clara e consciente dos seus males e dos seus vícios mais negativos;

Porque não é possível continuarmos a assobiar para o lado, a fingir que está tudo bem, a acenar a bandeirinha e o cravo nas horas certas, enquanto no dia-a-dia nada fazemos para que as coisas melhorem…

Porque qualquer demonstração de idealismo e convicção forte é considerado, desde logo, uma utopia, um defeito, um fracasso…

Porque, em consequência disso, quem melhor se safa são cada vez mais os mediocres, os oportunistas, os “lambe-botas”…

Porque se exige uma reflexão séria sobre o futuro do país

Porque é urgente que ocorra uma mudança de mentalidades no nosso país, capaz de gerar um maior dinamismo, um maior espírito crítico, uma maior irreverência…

Porque precisamos de um hino que esteja realmente de acordo com a actualidade nacional, que melhor retrate o país

Por tudo isto, os subscritores desta petição vêm, por este meio, propor o tema “Movimento Perpétuo Associativo” dos Deolinda como novo hino nacional.

Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vais parar!

(resposta:)
Agora não, que é hora do almoço…
Agora não, que é hora do jantar…
Agora não, que eu acho que não posso…
Amanhã vou trabalhar…

Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer!
Agora sim, só vejo gente boa!
Vamos em frente e havemos de vencer!

(resposta:)
Agora não, que me dói a barriga…
Agora não, dizem que vai chover…
Agora não, que joga o Benfica…
e eu tenho mais que fazer…

Agora sim, cantamos com vontade!
Agora sim, eu sinto a união!
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, é esta a direcção!

(resposta:)
Agora não, que falta um impresso…
Agora não, que o meu pai não quer…
Agora não, que há engarrafamentos…
Vão sem mim, que eu vou lá ter… (x13)

Os Peticionários

Ver petição aqui

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O extravagante mundo dos pequenos gastos do Estado

13 10 2008

As compras feitas por organismos do Estado, nomeadamente por empresas públicas, autarquias e ministérios, revelam a existência das mais variadas necessidades, luxos e caprichos.

Na listagem de contratações de bens e serviços feitas por ajuste directo, só nos últimos dois meses, cabem desde a compra de uma garrafa de detergente Sonasol, passando pelo carregamento de oito viagens de autocarro na Carris de Lisboa, até a serviços de restauração, no âmbito de eventos camarários, equivalentes a quase 70 mil euros.

A alteração da lei da contratação pública permitiu que o ajuste directo possa ser usado para empreitadas de valor inferior a 150 mil euros, para a aquisição de bens e serviços abaixo dos 75 mil euros e para “outros contratos” de valor inferior a 100 mil euros. Utilizando-se um regime excepcional, como em “casos de urgência imperiosa”, esses montantes podem ainda subir aos cinco milhões de euros.

Ainda assim, o serviço de compras do Estado por ajuste directo – que desde 30 de Julho deste ano passou a obrigar à sua publicitação num portal do Governo na Internet – ainda não está a ser usado com regularidade, uma vez que muitas das aquisições não estão a ser feitas por esta via. São sobretudo algumas câmaras municipais que têm usado mais este expediente. As compras por ajuste directo não requerem qualquer concurso público, nem a consulta a mais do que um fornecedor, mas os contratos só produzem efeitos depois de publicitados no endereço http://www.base.gov.pt. Aí são apresentados os bens ou serviços comprados (nem sempre de forma esclarecedora) e os seus valores, bem como quem são os fornecedores e compradores.

Gondomar sempre em festa

Dos cerca de 1600 registos que podem actualmente ser consultados, uma boa parte tem que ver com o pagamento de serviços no âmbito de festividades locais.

A Câmara de Gondomar, por exemplo, tem levado este tipo de eventos muito a sério, nomeadamente quando se trata de alimentar os munícipes. Um serviço de restauração, contratado “no âmbito do programa Gondomar no Sameiro de Braga”, em finais de Agosto, custou 67.742 euros. E, aparentemente, Valentim Loureiro, presidente da câmara, não quis que nenhum gondomarense deixasse de comer o petisco por falta de transporte – pelo “aluguer de vários autocarros”, para o efeito, desembolsou mais 33.250 euros.

A base de dados dos “ajustes directos” revela ainda que as câmaras são, provavelmente, quem mais contrata músicos e bandas portuguesas. E neste campeonato as desigualdades são gritantes. Voltando a Gondomar, três dias depois do evento no Sameiro, a câmara pagou 23.815 euros pela contratação de David Fonseca para cantar nas Festas do Concelho.

O valor é mais alto do que o que Marco Paulo (20.400 euros) custou à autarquia de Lagos, mas mais baixo do que o montante que a mesma autarquia pagou de “cachet” à banda Da Weasel (28.200). Já a actuação de Rui Veloso levou da Câmara de Elvas 28.600 euros, um recorde entre os registos consultáveis no portal relativo aos ajustes directos.

Na segunda divisão, em termos de custo de espectáculos, estão bandas e artistas como a fadista Ana Moura (9750 euros), Quim Barreiros (6250) ou os Wraygunn (8400).

Vinho e decoração

Há, contudo, no portal muitas outras coisas para além de concertos pagos com o dinheiro dos contribuintes portugueses. Duas dessas compras, aparentemente mais extravagantes, provêm do Governo.

O gabinete do primeiro-ministro, por exemplo, parece apostado em levar boa parte do “stock” do vinho tinto da Quinta do Vale Meão, um Douro já profusamente usado por José Sócrates durante a presidência portuguesa da União Europeia. Desta feita, no passado dia 2 de Setembro, foram adquiridos 6840 euros em garrafas, da colheita de 2006, “para oferta a entidades estrangeiras”, directamente ao produtor Francisco Olazabal.

Sucede que a compra pode ser um privilégio do primeiro-ministro. A Garrafeira de Campo de Ourique, uma loja-referência, em Lisboa, questionada sobre o preço da garrafa, respondeu que o Quinta do Vale Meão 2006 só começará a ser comercializado na segunda quinzena de Novembro.

Este vinho, mas da colheita de 2004, foi o melhor classificado entre os vinhos portugueses no ranking anual da prestigiada revista norte-americana Wine Spectator, conseguindo a 19.ª posição.

Bastante mais, no entanto, gastou a secretaria-geral do Ministério da Justiça em decoração. Oito carpetes custaram 22.265 euros numa compra concretizada no passado dia 22 de Setembro. O fornecedor foi a empresa Tapeçarias Ferreira de Sá, localizada em Espinho, especializada em tapeçaria decorativa, artesanal, através da técnica do nó manual.

A qualidade da decoração portuguesa parece estar na origem de um outro pagamento mais inusual. Desta vez, trata-se da compra do serviço de “transporte de mobiliário e objectos pessoais”, de um coronel do Exército, para Itália. O Estado-Maior General das Forças Armadas pagou 7300 euros pelo trabalho à Anditrans – Transportes Internacionais, Lda.

in Público.pt

Ainda bem que os governantes pediram a todos os portugueses (ou quase!) para “apertar o cinto”, senão como poderiam “dár-se” a estes “pequenos” luxos, ainda por cima em tempo de crise mundial?!

Isto é que é um governo sensato… Poupa-se de um lado para poder gastar no outro! :?

Ainda nos queixamos que os dinheiros públicos são mal geridos:mrgreen:


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Um Verão de seis meses

29 09 2008

Quem viver daqui a 50 anos poderá constatar que o Verão será de duração muito superior ao actual. Um Verão que irá durar seis meses segundo dizem os especialistas em alterações climáticas.

Quem gostar de sol ficará contente, os outros nem por isso, mas a verdade é que, segundo os especialuistas em alterações climáticas, daqui a 50 anos o Verão irá durar seis meses.

A Primavera em Portugal já tem mais dez dias e o Verão prepara-se para durar cinco ou seis meses daqui por 50 anos, afirma o especialista em alterações climáticas Filipe Duarte Santos, em declarações à Lusa.

“Com o aumento da temperatura média, o que nós chamamos o tempo de Verão vai prolongar-se. Daqui a 50 anos, em vez de dois ou três meses de Verão, vamos ter cinco ou seis”, esclareceu.

Em Portugal, o calor está a chegar mais cedo e permanece depois do Verão acabar: “A temperatura de conforto para ir à praia, que é de 21 ou 22 graus, está a registar-se em mais dias do ano”, diz o coordenador científico dos centros de investigação do Instituto de Meteorologia, Pedro Viterbo.

As estatísticas dos últimos 20 anos indicam que o aumento de temperatura é da ordem dos 0,47 graus por década e que a temperatura máxima tem subido durante o Verão (21 de Junho a 21 de Setembro).

“Como a variação entre Maio e Junho é de um grau a um grau e meio, pode dizer-se que a temperatura de conforto para ir à praia está a ser antecipada”, explica o investigador do Instituto de Meteorologia.

Também na chuva se registam alterações e a coisa pode piorar nos próximos anos já que é previsivel que se concentre mais no Inverno e deixe de ser tão distribuída ao longo do ano.

É com base nas alterações de precipitação e temperatura, também características de cada estação do ano, que Pedro Viterbo revela que nem na meteorologia a tradição é o que era já que “a transição do Inverno para a Primavera [a 21 Março] tem acontecido mais cedo, cerca de dez dias a meio mês”.

Esta alteração das estações do ano é apenas meteorológica, pois o que as caracteriza é a duração dos dias e noites, que aumentam ou diminuem ao longo do ano consoante a inclinação do eixo da Terra face ao Sol.

A mudança do clima verifica-se em todo o mundo, estando os cientistas convictos de que o único responsável por estas mudanças é só o homem com a sua acção poluidora, nomeadamente no sector dos transportes.

As últimas previsões da comunidade científica apontam para um aumento da temperatura entre os 1,9 e 4,6 graus nas próximas décadas, uma maior frequência das ondas de calor e uma subida do nível do mar agravada pelo derretimento de gelo do Pólo Norte.

Em reacção a todas estas alterações climáticas só agora os governos começam a estudar estratégias de adaptação, reconhecendo que as boas novas para os veraneantes constituem um perigo para as economias e para a saúde pública.

in RTP

Isto está a ficar preocupante!! :-|

E os que tem o poder de decisão nas mãos, “só agora começam a estudar estratégias”eadiando o problema…


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Brasileiros das favelas espalham medo em Portugal

19 09 2008

Um grupo de jovens brasileiros, «sem passado, nem futuro», quer criar o ambiente das favelas em Portugal, avança esta sexta-feira o Correio da Manhã. Os rapazes, que têm entre 19 e 22 anos, elogiam o uso de armas e têm como lema de vida a violência.

O jornal revela que os brasileiros fazem parte do «Primeiro Comando de Portugal», uma réplica do Primeiro Comando da Capital, uma organização de criminosos criada no Brasil que alegadamente servia para defender os direitos de cidadãos presos.

Os jovens das favelas brasileiras que se instalaram na margem sul têm entre os 19 e os 22 anos. Moram com compatriotas, muitos estão ilegais e têm cadastro. São suspeitos de actos de violência, alguns graves.

A Internet é o veículo que mais utilizam para se expressarem. No site do grupo dizem que não gostam de livros, ouvem música rap e assumem que «não têm passado, nem futuro». Partilham o ideal da violência, elogiam todo o tipo de armas e nas canções que imaginam falam de morte e sangue.

Um dos alegados elementos do Primeiro Comando de Portugal é Edivaldo Rodrigues, de 20 anos, que em Agosto, num assalto a uma ourivesaria no centro da cidade de Setúbal, disparou mortalmente sobre o proprietário da loja.

Foi depois detido pela Polícia Judiciária.

in TSF & RTP

Pensei que ainda iria demorar uns tempos para se presenciar por cá cenas como as registadas em “Cidade de Deus” ou “Tropa de Elite” (grandes filmes!), mas como todos podemos constatar pelos acontecimentos dos últimos meses, a “globalização” afecta mesmo tudo e todos… :|


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Red Bull Air Race

5 09 2008

A sétima e penúltima etapa do Campeonato do Mundo acontece já no próximo fim-de-semana (6 e 7 de Setembro) na zona ribeirinha do Porto e de Gaia. (…)

A apenas duas provas do final do Campeonato do Mundo da Red Bull Air Race está tudo em aberto. A etapa anterior, em Budapeste, baralhou as contas entre os pilotos da frente e a etapa portuguesa pode ser decisiva para que as coisas se definam. O actual líder do ranking, é Paul Bonhomme, mas Hannes Arch – vencedor em Budapeste – ocupa a segunda posição com o mesmo número de pontos (45). Uma situação que se repete no terceiro e no quarto lugares, onde Kirby Chambliss e Mike Mangold têm igualmente o mesmo número de pontos (36).

A corrida do próximo fim-de-semana irá decorrer num traçado rápido e apertado, onde o maior desafio para os pilotos será conseguir manter a máxima velocidade ao mesmo tempo que cumprem os ziguezagues das chicanas e efectuam as manobras exigidas pelo traçado, fugindo das penalizações. Em 2007, a etapa lusa foi uma das mais espectaculares de todo o calendário da Red Bull Air Race, com as suas pontes e o pitoresco de toda a zona ribeirinha, tanto do lado do Porto como de Gaia, a proporcionar um cenário único.

in RedBull.pt

Nós vamos!! :-)

Toda a informação em Red Bull Air Race


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Jovens apelam ao crime na net

28 08 2008

Não escondem o rosto nem as armas no Hi5.

São jovens, moram nos subúrbios das grandes cidades e apelam ao crime de forma directa. Ostentam armas, objectos roubados e desafiam a polícia.

Estão espalhados na internet, não escondem o rosto e definem-se como bandidos.

As polícias acompanham o fenómeno crescente, mas pouco fazem. Os crimes que supostamente lhes poderiam ser imputados são menores e muitas das vezes a necessidade que estes jovens sentem em expor os seus feitos acaba por ser importante para que as autoridades os conheçam.

in CM

E o que é preciso para irem “atrás” deles?

Que matem alguém?!

Quando são detidos, ou são libertados porque não tem idade suficiente para pagar pelo crime que cometeram (mas tiveram idade para o cometerem!), ou colocados em unidades para acolhimento de menores “dificeis”, onde normalmente não se demoram e voltam à “actividade” anterior…

Se são presos, no máximo resume-se numa pequena pena de prisão, em que não fazem nada a não ser dormir e comer à custa dos contribuintes!

Se os obrigassem a “trabalhar no duro” durante o tempo de detenção (cujo enquadramento penal devia ser revisto para crimes violentos), certeza que pensariam duas vezes antes de voltar a cometer algum crime, e serviria de “aviso” para os “pré-delinquentes”.

Mas eu não mando nada! :-|


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Polícia multa polícia que estava a multar

21 08 2008

Uma operação da Brigada de Trânsito da GNR, segunda-feira, em Vila Nova de Poiares, está na origem de uma situação insólita: a “mando” do presidente da Câmara, um militar da BT foi identificado pela Polícia Municipal.

O caso aconteceu por volta da hora de almoço, quando militares do Grupo de Acção e Conjunto (GAC) da BT – que tem sede em Lisboa, mas actua por todo o país – procediam a uma operação de fiscalização numa rotunda à saída da localidade, no acesso à Estrada Nacional 2 e 17, tendo estacionado um dos automóveis (uma VW Sharan) em cima do passeio.

Um dos visados pela acção dos militares foi um veículo de transporte de mercadorias ao serviço da autarquia – “apanhado” a entrar numa via interdita a pesados e outro que acabou por ser multado por estar a derramar óleo – e a resposta do Município não tardou: passado pouco tempo, um agente da Polícia Municipal (PM) passou pelo local e identificou o militar que conduzia o veículo da BT, com vista à posterior elaboração de um auto pelo facto de o ter estacionado em cima do passeio.

A actuação da PM é confirmada ao JN pelo presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Poiares, Jaime Soares, que recusa que se tenha tratado de uma retaliação. “Não tem nada de anormal. Cada um tem as suas competências. A PM funcionou exactamente como a BT, zelando pelo cumprimento da lei. Os exemplos devem vir de cima”, disse, admitindo ter dado ordens à PM para “fazer cumprir rigorosamente a lei”, recorrendo, caso necessário, ao reboque da viatura da BT.

A revolta de Jaime Soares é ainda maior pelo facto de os militares da GNR terem “ignorado” o facto de o veículo ao serviço da Câmara ter uma “autorização especial” para circular na dita via, interdita a pesados. O autarca alega que, tratando-se de uma estrada municipal, “compete ao presidente da Câmara autorizar a circulação em condições excepcionais”, como diz ser o caso: o veículo em causa ia recolher uma máquina de arrasto que estava a proceder à limpeza de estradas, facto explicado aos militares por um encarregado da autarquia. De acordo com o autarca, esta acção de fiscalização à saída da localidade seguiu-se a uma primeira operação stop numa das principais praças da vila, em dia de feira, coisa que diz nunca ter visto. “Quem passava parava. E uma boa parte deles eram multados, quase a eito”, disse, acusando a BT de “nítida caça à multa”. Para Jaime Soares, estão em causa “instruções superiores do poder político” com vista a “equilibrar o défice e a fazer crescer as verbas para o próximo Orçamento de Estado”, ou mesmo uma “perseguição ao presidente da Câmara” por ser uma pessoa “politicamente incorrecta”.

Embora compreenda que “ninguém está acima da lei”, Jaime Soares considera que “as leis não são qualquer coisa abstracta. Têm de ter vida, humanismo, sentimentos, e isso transmite-se através de sensatez”, que diz não ter existido na acção de anteontem.

Ao JN, o porta-voz da BT, major Lourenço da Silva, confirmou que um militar da GNR que participava na operação foi identificado por um agente da PM de Vila Nova de Poiares, mas recuou-se a comentar o caso. Explicou que se tratou de uma operação de fiscalização normal e negou que tenha havido qualquer “caça à multa”, explicando que foram levantados apenas três autos. Sobre a autorização especial invocada por Jaime Soares, diz que essa excepção teria de estar patente num painel adicional, localizado por baixo do sinal de trânsito.

in JN

Este meu querido Portugal… :lol:


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‘Cheating’: crime ou um delito menor

8 07 2008

Um estudo europeu revela que, enganar é hoje muito mais frequente do que há dez anos, até nas relações amorosas.

Nove em cada dez portugueses dizem que a área fiscal está invadida pela fraude, seguindo-se o desporto. Dois terços da população consideram que os colegas de trabalho mentem no dia-a-dia.

Os dados fazem parte de um estudo realizado pela GfK, empresa de estudos de mercado.

Na lista de áreas mais fraudulentas estão também as transacções empresarias: 80%. Mas há mais. Longe dos negócios, mas citados como domínios onde enganar é também palavra de ordem, estão as relações entre colegas de trabalho (64%). E nem os relacionamentos amorosos escapam, com 58% a defenderem que o logro é o caminho seguido por muitos.

Italianos são os que mais enganam

Apesar de apontarem o dedo à generalização da fraude em muitas áreas, poucos são os que admitem tê-la cometido. Ao todo, apenas 8% diz ter enganado a cara-metade, 7% confessa o copianço nas escolas, 5% fala em fraude nos impostos e no desporto e 4% revela ter mentido aos colegas de trabalho.

Conscientes de que enganar é errado, a maioria dos portugueses – 85% – rejeita a fraude como meio para atingir um fim. E não são os únicos. O estudo, realizado com a colaboração de 20 mil pessoas em 19 países (16 dos quais do Velho Continente), dá conta do desagrado dos europeus, com cerca de dois terços a sugerirem que enganar é errado.

Excepção feita aos franceses: metade dos quais defendem que é aceitável, pelo menos em algumas circunstâncias (se todos os fizerem, se o prejuízo para terceiros não for grande ou se não se deixarem apanhar).

A maioria dos europeus (54%) acredita que a fraude é mais prevalente nos negócios. E a Itália surge como líder dos que mais enganam, pelo menos segundo 92% dos inquiridos.

in Destak.pt

Estudo surpreendente!

Quem diria? Eu a pensar que a grande maioria das pessoas era honesta e incapaz de enganar alguém…

JURO! ;-)

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Já somos bons a matemática!

5 07 2008

“As notas dos exames nacionais de Matemática A foram as mais altas de todas as disciplinas, atingindo uma média de 14 valores. A percentagem de chumbos desceu de 18 para sete por cento. Por oposição, os resultados de Português foram os piores dos últimos 12 anos.”

in Público

Não há problema!

No próximo ano, os exames de português serão melhores…

“Statistics oblige”!


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Portugal e o Euro 2008: Foi bom.

20 06 2008

Não podia ter sido pior. Parecia um pesadelo; um pesadelo recorrente: um a zero, dois a zero. Depois, um golo português e um por marcar. Mas, em vez do segundo golo português, outro alemão. E, mais uma vez, um golo português. E outro por marcar. E o tempo a acabar. Até esse golo ficar mesmo por marcar. Eternamente por marcar. E Portugal sempre a perder. Até perder mesmo. Eternamente perdido.

Não podia ter sido pior. Mais cruel. Mais injusto. Mais pesadelo. Na primeira parte, a Alemanha a jogar como naquela noite em 2006, em Estugarda, em que vimos Portugal perder por 3-1. Mas nem sequer gozámos a familiaridade do pesadelo repetido. Não. Tínhamos de sofrer mais. Tinham de nos envenenar com esperanças. Ficou 3-2. Havia tempo. Havia vontade. Havia antecedentes. Mas o tempo acabou. A vontade continuou, mas já sem poder jogar.

Deveria ter ficado 2-2. Esse seria o resultado justo, mesmo contando com as sortes do jogo. A Alemanha, em dois tempos, marcava dois, e Portugal passava o resto do jogo a recuperar para repor o 0 a 0 inicial. Esse seria o justo castigo de Portugal e o justo prémio da Alemanha.

Depois viria o prolongamento. E esse prolongamento, que nos ficou atravessado e que continuará eternamente a ser jogado nas nossas cabeças, seria o verdadeiro jogo; o verdadeiro quarto-de-final. Onde está ele? É por isso que se ficou com a sensação de que este jogo ainda não acabou.

Não podia ter sido pior. A melhor coisa que ficou foi a Selecção. As fraquezas que se descobriram são rapidamente corrigíveis. Não dependem de jogadores que não temos. Não têm de esperar por uma nova geração. Já os temos. Grande parte do trabalho que Scolari deixou feito continuará a funcionar sem ele.

Em alturas como esta, temos de reconhecer que já não foi mau. Que estivemos bem. Que foi um orgulho a luta que demos e o medo que metemos.

É fácil armarmo-nos em bons e dizer que tudo que não seja ganhar o Euro é uma desilusão. Não é verdade.

Afinal podia ter sido pior. Não foi o melhor. Podia ter sido melhor ainda. Mas mau não foi. Nem medíocre. Nem mediano. Foi bom.

Foi bom.

Miguel Esteves Cardoso in O Jogo


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Euro 2008? Finalmente!

7 06 2008

Finalmente mesmo!! 8-)

O povo ajuda e a comunicação social não quer outra coisa!

Já estava a ficar farto de tantos festejos… E ainda não ganhamos nada!


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