Crianças-soldado & Diamantes

Há muito tempo que andávamos para ir ver este filme. Aconteceu ontem. Diamante de Sangue (Blood Diamond), é um filme perturbante para o espectador ocidental, confortavelmente sentado numa sala de cinema quentinha duma noite fria de Inverno.

Com a toda poderosa industria de milhões dos diamantes "sujos", sendo uma das principais impulsionadoras de guerras no continente africano, para satisfazer luxos de alguns (“-Quantas mãos será preciso cortar, para que alguém possa utilizar uma dessas pedras num dedo?”), o que mais marca, é a utilização das crianças-soldado, para combater em lutas de outros, com lavagens cerebrais e drogas para se "tornarem" imortais. E este filme, felizmente, mostra isso.

Um grande filme, tanto na realização e performance do elenco, como na abordagem de um assunto sensível e difícil de aceitar pelos olhos do "mundo civilizado". Consegue ser directo nas críticas, sem nunca perder a ideia de entretenimento que um filme deve ter.

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Por coincidência, fomos ver este filme no dia em que começou em Paris uma conferência internacional que reúne representantes de 60 governos, dezenas de associações humanitárias que trabalham no terreno e a Unicef, o fundo da ONU para as crianças.

Muitas são raptadas das suas casas aos dez anos e não chegam a regressar. Outras partem aos oito e só voltam depois dos 20 e de muitas mortes. Os números dizem que no ano passado mais de 250 mil crianças-soldado combateram em 13 países. África e Ásia são os continentes mais afectados.

"O objectivo fundamental desta conferência é garantir um envolvimento sem equívocos dos Estados para meter fim ao recrutamento e à utilização das crianças-soldado", disse ontem Henri Leblanc, director do programa da Unicef que combate este flagelo, citado pelo jornal "Le Monde". A conferência Free Children from War acontece dez anos depois de um primeiro encontro na Cidade do Cabo, África do Sul, em que se aprovaram estratégias para impedir que a guerra transforme crianças em soldados e em que se estabeleceu os 18 anos como idade mínima de recrutamento.

Desde 1997 o número de conflitos diminuiu, reconheceu Radhika Coomaraswamy, representante da ONU, ao diário Líbération, mas o fenómeno, que se intensificou nos anos 80 e 90, manteve-se. Coomaraswamy nasceu no Darfur, no Sudão, um dos países com mais crianças-soldado, e defende que o importante hoje, além do empenho dos governos dos territórios que as recrutam e dos que financiam a desmobilização, é o acompanhamento em países que beneficiaram de programas de integração mas onde a guerra continua, como o Burundi, o Uganda ou a Serra Leoa. Na Libéria, lembra o jornal, os menores desmobilizados foram depois integrados em grupos armados na Costa do Marfim. (…)

Em 2002, o Tribunal Penal Internacional determinou que o uso de crianças em conflitos é um crime de guerra. Na semana passada, o mesmo tribunal anunciou a abertura do primeiro processo, contra o líder Thomas Lubanga, acusado de recrutar crianças na guerra civil na República Democrática do Congo, entre 1998 e 2003.

in Público

Esperemos que esta iniciativa tenha resultados práticos, para que nenhuma criança precise tornar-se adulto à força, com graves sequelas para o resto da vida! As que lá chegam…

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