Portugal: Futebol, Justiça e Televisão

31 03 2007

Se figuras públicas, a braços com processos judiciais, têm direito a tempo de antena no canal estatal de televisão para se explicarem à população, será que se pode descrever Portugal como um Estado de Direito?

Quanto à separação da vida privada, da vida pública, Portugal e os portugueses, regra geral, faziam-na bem. Aventuras extraconjugais e questões que não se relacionavam com o cargo publico não eram notícia do domínio público… até que há pouco tempo certas mulheres começaram a abrir as pernas, se relacionavam com figuras públicas (do futebol) e acabaram por abrir a boca, em público, contando segredos íntimos…e a comunicação social estava lá, e continua a estar. Lamentavelmente.

Ora bem, já não se pode dizer que em Portugal, a comunicação social tem mais respeito pela condição humana do que em outros países. Chegou a mentalidade tablóide, e está para ficar.

Parte desta globalização de valores, nivelando tudo por baixo, passa pela facilidade dada a figuras públicas em Portugal quando confrontados por processos judiciais, irem à televisão se queixarem contra tudo e todos, a justificarem suas acções.

De facto, quando se trata de uma figura pública, acusado de crimes, tudo facilita-se. Ontem foi a vez de Valentim Loureiro, arguido no processo “apito dourado” que conseguiu tempo de antena na RTP 1, canal estatal de televisão, explicar-se perante os telespectadores.

Não teria sido mais correcto explicar-se num tribunal, perante um juiz? No caso de ele conseguir ser ouvido por um júri, o seu caso não teria sido influenciado já pela cobertura pública? Será que qualquer juiz irá contemplar o seu caso com a mesma neutralidade depois do teor deste ter sido emitido no principal canal estatal de televisão? A RTP não se torna cúmplice assim nas teias do Major?

Não seria mais correcto a comunicação social relegar qualquer cobertura sobre este caso, e outros, para segredo de justiça, presumindo que o Major Valentim Loureiro é inocente até ser provado ao contrário, deixar este senhor viver a sua vida e desempenhar seus cargos públicos com a dignidade de uma pessoa inocente até que o sistema de justiça bem entender alterar o estatuto?

Se um membro qualquer do público, que não seja figura pública, for acusado de ter cometido um crime, ele terá o mesmo direito de apresentar seu caso na televisão pública? Sendo a resposta não, então só se pode concluir que a RTP não providencia um serviço público, mas sim serve de feudo elitista para os ricos e poderosos limparem seus nomes fora do devido foro legal, que se chama um tribunal.

E sendo esse o caso, não se pode concluir que Portugal seja um estado de direito quando seu principal canal de televisão serve os interesses particulares de figuras públicas. Há que demonstrar o mesmo rigor na separação dos interesses quando se trata de processos judiciais, que quando se trata de uma amante, ou uma prostituta.

Mas não é isso que se vê. Falta agora o dono dos quatro cães arraçados de Rottweiler, que degolaram uma senhora ucraniana há dias, aparecer no Canal Dois, a chorar, a dizer que deve ter sido algo no vento. A ver vamos se este caso não for arquivado.

Timothy Bancroft-Hinchey in PRAVDA.Ru

Sem comentários…


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Prémio para o título mais estranho de livro

30 03 2007

Uma livraria inglesa anunciou um concurso para determinar o título mais estranho de livro.

O nome vencedor pode ser: "Quão verdes eram os nazistas?". A obra, de Thomas Zeller, Franz-Josef Bruggemeier e Mark Cioc é descrita como a primeira a examinar as políticas ambientais do Terceiro Reich. O livro foi publicado pela Ohio University Press.

Confira a seguir outros candidatos e as respectivas traduções para o português:

Título original: "The stray shopping carts of Eastern North America: a guide to field identification" (Julian Montague).

Tradução livre: "Os carrinhos de supermercados desgovernados da América do Norte Oriental: um guia para identificação de campo".

Título original: "Tattooed mountain women and spoon boxes of Daghestan" (Robert Chenciner).

Tradução livre: "A mulher tatuada da montanha e caixas de colheres do Daguistão".

Título original:"Di Mascio’s delicious ice cream, Di Mascio of Coventry, an ice cream company of repute, with an interesting and varied fleet of ice cream vans" (Roger De Boer, Harvey Francis Pitcher e Alan Wilkinson)

Tradução livre: "Os deliciosos sorvetes de Di Mascio, Di Mascio de Coventry, uma companhia de sorvetes de reputação, com uma frota interessante e variada de carrinhas de sorvetes".

Título original: "Proceedings of the eighteenth international seaweed symposium".

Tradução livre: "Relatórios do décimo oitavo simpósio das algas".

Título original: "Better never to have been: the harm of coming into existence" (David Benatar).
Tradução livre: "Melhor se nunca tivesse sido: os danos de alcançar a existência".

O vencedor será escolhido pelo público em votação feita pelo site www.thebookseller.com. O prémio será anunciado a 13 de Abril.

O campeão do ano passado foi "People who don’t know they’re dead: how they attach themselves to unsuspecting bystanders and what to do about it", de Gary Leon. Em português, "Pessoas que não sabem que estão mortas: como elas se prendem a insuspeitos portadores e o que fazer a esse respeito".

Fonte G-1

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Não deveria haver, sei lá, uma Alta Autoridade para a Atribuição de Titulos a Obras Culturais?!

É que isto não acontece só com os livros! Os filmes, por exemplo, sofrem o mesmo flagelo… Mas é a tradução para português que normalmente ainda os consegue piorar!

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Parece impossível!

29 03 2007

Menina de seis anos com anorexia

Rejeitava a comida, fazia muito exercício e tinha medo de engordar. Aconteceu no Reino Unido, onde num ano detectaram mais de 200 casos. Em Portugal, há miúdos com seis, sete e oito anos que têm a doença. «Pais, estejam atentos»

Um estudo da Faculdade Real de Pediatria e Saúde Infantil do Reino Unido revela que, no período de apenas um ano, foram detectados 206 pré-adolescentes com problemas de alimentação, como bulimia e anorexia. A mais nova tinha apenas seis anos. Pode parecer incrível e até invulgar, mas em Portugal o cenário é semelhante.

«Já nos apareceram casos de crianças com seis, sete e oito anos», conta ao PortugalDiário Adelaide Braga, da Associação dos Familiares e Amigos dos Anorécticos e Bulímicos. Mas, ainda assim, diz, «há muitos casos que estão no segredo dos deuses. Há famílias que têm crianças doentes e que não sabem que podem procurar ajuda e que o problema se resolve».

Para a realização do estudo no Reino Unido, a Unidade Britânica de Vigilância Pediátrica entrevistou 2.600 pediatras e psicólogos infantis. E a partir das respostas concluiu que 3,5 crianças em cada 100 mil apresentam doenças como anorexia, bulimia ou compulsão por comida.

O caso mais novo foi o de uma menina de apenas seis anos que foi levada a um pediatra com problemas de rejeição a comida, excesso de exercício e medo de engordar. Ela não chegou a ser diagnosticada com anorexia, porque ainda não estava muito abaixo do peso normal para a idade. O levantamento revela ainda que a criança mais nova a ser diagnosticada com anorexia tinha oito anos.

A coordenadora da pesquisa, Dasha Nicholls, alertou, em declarações à BBC, que os primeiros sinais podem ser difíceis de ser identificados. «Tornar-se vegetariano é apenas o primeiro passo. O padrão típico é as crianças cortarem tudo aquilo que é normalmente visto como algo que engorde, como chocolates, doces e pudins», disse.

Adelaide Braga é peremptória na mensagem: «Os pais têm de estar atentos». E o primeiro sinal, diz, começa logo quando as crianças são pequeninas e não comem. «Não se trata de comer pouco», explica, «mas sim de passarem um longo período de tempo sem comer, ou só comerem determinados alimentos, como iogurtes ou bolachas».

A solução, diz Adelaide Braga, é «os pais perceberem que há algo que está errado, que estas crianças têm uma predisposição genética para a anorexia nervosa ou bulimia e procurarem ajuda médica».

in Portugal Diário

Mais uma “epidemia” dos tempos modernos…

E o mundo da moda tem um papel muito importante nesta questão. De louvar as regras impostas por algumas organizações de eventos de moda ao proibir modelos excessivamente magras. Não sei como se pode ver a beleza feminina num corpo em que o que o que se destaca são os ossos.

Mas parece-me que muitas das vezes, a “doença” não está nas crianças e adolescentes, mas sim nos pais que lhes permitem todas as vontades e caprichos. E isso é o principal problema!


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Triste final…

28 03 2007

O ditador António de Oliveira Salazar foi escolhido como ” o maior português de sempre” segundo o programa “Os Grandes Portugueses“, (…). O líder do Estado Novo e a figura mais polémica entre os 10 finalistas foi o escolhido com 41% dos votos, superando Álvaro Cunhal, que ficou na segunda posição com 19% dos votos e Aristides de Sousa Mendes, o terceiro classificado, com 13% dos votos do público. São sobretudo jovens e reformados que assumem o voto em Salazar como forma de “protesto”, de acordo com Sol.

A voz mais crítica da noite foi a de Odete Santos, que apresentou o documentário de Álvaro Cunhal, segundo Portugal Diário. «A apologia ao fascismo é proibida pela constituição», disse logo no momento em que a vitória de Salazar foi anunciada.

«Quero dizer que afinal o PCP tinha razão na carta que mandou à RTP, há não muito tempo, sobre este programa e o que iria resultar daqui, que era o branqueamento do fascismo», frisou, apontando: «Isto são sinais dos tempos. A nível mundial eles são muito maus e são no sentido da direita e se, um dia lá poderem chegar, do fascismo, porque o capitalismo aproveita todos os regimes menos um: o comunismo».

Odete Santos lamentou ainda a escolha de «uma pessoa que advogou a pobreza para o país». «O povo vivia à luz das candeias (…), o povo sofria de analfabetismo, porque, para Salazar, um povo culto era ingovernável, a frase é dele. É pena que isto tenha acontecido, mas o mundo não terminou e o fascismo não levará por diante», concluiu.

(…) Já depois de conhecidos os resultados, Odete Santos voltaria a atacar o vencedor: “A apologia ao fascismo é proibida pela Constituição”.

O professor universitário Jaime Nogueira Pinto, que apresentou o documentário sobre o antigo ditador, recusou que a censura e a polícia política fossem falhas que lhe pudessem ser atribuídas. «Isso não é uma fraqueza de Salazar, é uma fraqueza de um regime que não é um regime democrático», disse, (…).

«A principal fraqueza é talvez uma falta de atenção e até talvez de conhecimento da vida das pessoas comuns. A partir de uma certa altura Salazar está desligado, concentrado em grandes questões, como as de África e as internacionais», afirmou ainda, quando ainda não tinham sido revelados os resultados da votação.

Depois de anunciada a esmagadora vitória de António Oliveira Salazar, que obteve 41 por cento dos votos, o académico reagiu, desdramatizando. «Isto essencialmente é um concurso. Não vamos fazer disto nem uma catástrofe política nem uma grande restauração política», defendeu, explicando que aceitou participar no programar por considerar que «uma parte da história do século XX que está muito mal contada

Salazar nasceu no dia 28 de Abril de 1889, em Santa Comba Dão. “Sei muito bem o que quero e para onde vou”, disse, na tomada de posse da pasta das Finanças, em 1928. Em 1930, fundou o partido União Nacional. Ministro das Finanças da ditadura militar, assumiu o governo do país em Abril de 1932 e, no ano seguinte, fez ratificar uma nova Constituição. Criou a Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), uma polícia política, proibindo as oposições e impondo um regime totalitário. Permaneceu no cargo até 1968, altura em que teve de se afastar por doença. Morreu em 1970.

in Pravda.ru

No mínimo, controverso. Como pode o mesmo país eleger a mesma personalidade como ” o maior português de sempre” e o “pior português de sempre“?!

Admito que haja quem simpatize com Salazar por vários motivos. Evitou a participação de Portugal na guerra ao declarar-se neutro (com todas as consequências que daí vieram!), por exemplo. Mas afundou este cantinho da Europa numa situação de pobreza e analfabetismo que ainda, nos nossos dias, custa recuperar! Foram quase quarenta anos de privação de direitos e liberdades.

Acredito que a votação tenha como principal argumento um “grito” de uma certa parte da população ao estado do país actualmente, com reformas politicas difíceis para os cidadãos e uma baixa qualidade de vida para grande parte da população. O que não deixa, na mesma, de ser preocupante!

Mas este final era previsível. Talvez não tão acentuado, se a vitória caísse noutro português, mas haveria sempre quem achasse injusto. Juntar navegadores, poetas, ditadores, artistas, políticos, etc, e comparar, não podia dar grande coisa!

E infelizmente, esta “novela”, teve o final mais triste que poderia me lembrar…


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Estou tentando aprender…

27 03 2007

Que ter uma criança adormecida nos braços é um dos momentos mais pacíficos do mundo;
Que ser gentil é mais importante do que estar certo;
Que eu sempre posso fazer uma prece por alguém quando não tenho a força para ajudá-lo de alguma outra forma;
Que não importa quanta seriedade a vida exija de você, cada um de nós precisa de um amigo brincalhão para se divertir juntos;
Que algumas vezes tudo o que precisamos é de uma mão para segurar e um coração para nos entender;

Eu aprendi…
Que deveríamos ser gratos a Deus por não nos dar tudo que lhe pedimos;
Que debaixo da “casca grossa” existe uma pessoa que deseja ser apreciada, compreendida e amada;
Que Deus não fez tudo num só dia; o que me faz pensar que eu possa ?
Que ignorar os fatos não os altera;
Que quando você planeja se nivelar com alguém, apenas esta permitindo que essa pessoa continue a magoar você;
Que o AMOR, e não o TEMPO, é que cura todas as feridas;
Que a maneira mais fácil para eu crescer como pessoa é me cercar de gente mais inteligente do que eu;
Que ninguém é perfeito até que você se apaixone por essa pessoa;
Que a vida é dura, mas eu sou mais ainda;
Que as oportunidades nunca são perdidas; alguém vai aproveitar as que você perdeu.
Que quando o ancoradouro se torna amargo a felicidade vai aportar em outro lugar;
Que devemos sempre ter palavras doces e gentis pois amanhã talvez tenhamos que engoli-las;
Que não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito;
Que só se deve dar conselho em duas ocasiões: quando é pedido ou quando é caso de vida ou morte;
Que quanto menos tempo tenho, mais coisas consigo fazer…

William Shakespeare

Neste Dia Mundial do Teatro, lembrar um dos principais autores com mais obras adaptadas a esta arte.

William Shakespeare (1564-1616), dramaturgo e poeta inglês.

É considerado por muitos o mais importante autor da língua inglesa e um dos mais influentes do mundo ocidental. Seus textos e temas permaneceram vivos até aos nossos dias, sendo revisitados com frequência pelo teatro, televisão, cinema e literatura.

Entre suas obras é impossível não ressaltar Romeu e Julieta, que se tornou a história de amor por excelência e Hamlet, que possui uma das frases mais conhecidas da língua inglesa: “To be or not to be: that’s the question” (Hamlet 3/1).

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Exemplos!

27 03 2007

Um anúncio publicitário simplesmente poderoso!

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Auto-estrada encerra para deixar passar borboletas

26 03 2007

Todos os anos mais de um milhão destes insectos atravessam o sul da ilha da Formosa. Este ano vão receber tratamento VIP.
O governo da Formosa (Taiwan) vai encerrar um troço de 600 metros duma das mais movimentadas auto-estradas do país. Tudo para que a migração sazonal das borboletas lilases decorra sem problemas para os animais.
Esta espécie de borboleta passa o Inverno no sul da ilha e aproveita a chegada do calor primaveril para se dirigir ao seu local de reprodução, no norte.
Nesta dramática viagem muitas das 12 mil borboletas, que todas as horas se fazem literalmente à estrada, “não conseguem chegar ao seu destino final” asseguram os especialistas.
As autoridades da Formosa já avisaram que o encerramento da via irá causar complicações no trânsito, mas, acreditam ser por uma boa razão.
“Os seres humanos têm de apreender a coexistir com outras espécies, mesmo que seja com uma tão pequena como esta”, garantiu Lee Thay-ming do gabinete nacional de auto-estradas.

Evitar o tráfego

Todos os anos largos milhares de borboletas lilases morrem vítimas dos automóveis, que passam a alta velocidade e arrastam os delicados animais para o meio do trânsito, onde acabam por morrer esmagados.
Para além do corte do trânsito, as medidas para impedir o morticínio incluem ainda redes de protecção e luzes ultra-violeta. Os ecologistas esperam assim que todos estes cuidados alterem o cenário de anos anteriores.
As redes de protecção foram desenhadas para obrigar as borboletas a voar mais alto, o que reduzirá o risco de serem apanhadas pelo tráfego.
As luzes ultra-violeta serão instaladas debaixo de pontes, para encorajar os pequenos insectos a passarem por baixo da estrada, afastando-os assim de perigos mortais.
Supõe-se que estas medidas de salvamento rondarão os 22.500 euros.

A Borboleta Lilás dirge-se para o norte onde morrerá depois de pôr os ovos

in Expresso

Isto é que é respeitar os direitos dos animais! Estas iniciativas são louváveis.

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