Triste final…

28 03 2007

O ditador António de Oliveira Salazar foi escolhido como ” o maior português de sempre” segundo o programa “Os Grandes Portugueses“, (…). O líder do Estado Novo e a figura mais polémica entre os 10 finalistas foi o escolhido com 41% dos votos, superando Álvaro Cunhal, que ficou na segunda posição com 19% dos votos e Aristides de Sousa Mendes, o terceiro classificado, com 13% dos votos do público. São sobretudo jovens e reformados que assumem o voto em Salazar como forma de “protesto”, de acordo com Sol.

A voz mais crítica da noite foi a de Odete Santos, que apresentou o documentário de Álvaro Cunhal, segundo Portugal Diário. «A apologia ao fascismo é proibida pela constituição», disse logo no momento em que a vitória de Salazar foi anunciada.

«Quero dizer que afinal o PCP tinha razão na carta que mandou à RTP, há não muito tempo, sobre este programa e o que iria resultar daqui, que era o branqueamento do fascismo», frisou, apontando: «Isto são sinais dos tempos. A nível mundial eles são muito maus e são no sentido da direita e se, um dia lá poderem chegar, do fascismo, porque o capitalismo aproveita todos os regimes menos um: o comunismo».

Odete Santos lamentou ainda a escolha de «uma pessoa que advogou a pobreza para o país». «O povo vivia à luz das candeias (…), o povo sofria de analfabetismo, porque, para Salazar, um povo culto era ingovernável, a frase é dele. É pena que isto tenha acontecido, mas o mundo não terminou e o fascismo não levará por diante», concluiu.

(…) Já depois de conhecidos os resultados, Odete Santos voltaria a atacar o vencedor: “A apologia ao fascismo é proibida pela Constituição”.

O professor universitário Jaime Nogueira Pinto, que apresentou o documentário sobre o antigo ditador, recusou que a censura e a polícia política fossem falhas que lhe pudessem ser atribuídas. «Isso não é uma fraqueza de Salazar, é uma fraqueza de um regime que não é um regime democrático», disse, (…).

«A principal fraqueza é talvez uma falta de atenção e até talvez de conhecimento da vida das pessoas comuns. A partir de uma certa altura Salazar está desligado, concentrado em grandes questões, como as de África e as internacionais», afirmou ainda, quando ainda não tinham sido revelados os resultados da votação.

Depois de anunciada a esmagadora vitória de António Oliveira Salazar, que obteve 41 por cento dos votos, o académico reagiu, desdramatizando. «Isto essencialmente é um concurso. Não vamos fazer disto nem uma catástrofe política nem uma grande restauração política», defendeu, explicando que aceitou participar no programar por considerar que «uma parte da história do século XX que está muito mal contada

Salazar nasceu no dia 28 de Abril de 1889, em Santa Comba Dão. “Sei muito bem o que quero e para onde vou”, disse, na tomada de posse da pasta das Finanças, em 1928. Em 1930, fundou o partido União Nacional. Ministro das Finanças da ditadura militar, assumiu o governo do país em Abril de 1932 e, no ano seguinte, fez ratificar uma nova Constituição. Criou a Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), uma polícia política, proibindo as oposições e impondo um regime totalitário. Permaneceu no cargo até 1968, altura em que teve de se afastar por doença. Morreu em 1970.

in Pravda.ru

No mínimo, controverso. Como pode o mesmo país eleger a mesma personalidade como ” o maior português de sempre” e o “pior português de sempre“?!

Admito que haja quem simpatize com Salazar por vários motivos. Evitou a participação de Portugal na guerra ao declarar-se neutro (com todas as consequências que daí vieram!), por exemplo. Mas afundou este cantinho da Europa numa situação de pobreza e analfabetismo que ainda, nos nossos dias, custa recuperar! Foram quase quarenta anos de privação de direitos e liberdades.

Acredito que a votação tenha como principal argumento um “grito” de uma certa parte da população ao estado do país actualmente, com reformas politicas difíceis para os cidadãos e uma baixa qualidade de vida para grande parte da população. O que não deixa, na mesma, de ser preocupante!

Mas este final era previsível. Talvez não tão acentuado, se a vitória caísse noutro português, mas haveria sempre quem achasse injusto. Juntar navegadores, poetas, ditadores, artistas, políticos, etc, e comparar, não podia dar grande coisa!

E infelizmente, esta “novela”, teve o final mais triste que poderia me lembrar…


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One response

4 04 2007
Conde Sérgio De Venardis

Meu Deus! Fiquei sabendo! É o mesmo se pelas bandas de cá escolhem Getúlio Vargas como maior brasileiro de todos os tempos… o pior é que um dos nossos infames periódicos está a promover concurso igual e Vargas foi muito citado… ou então o General Médici… que tempos, que tempos!

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