Mês: Abril 2007

Olho p’ró negócio!

Um economista de Berlim ganha a vida a trabalhar como mensageiro do fim de relações amorosas. Segundo a Reuters, os clientes são pessoas que não têm coragem de dispensar o parceiro pessoalmente e estão dispostas a pagar 50 euros para que alguém o faça por elas.

O criativo empreendedor Bernd Dressler, disse que já ajudou 200 pessoas a dispensar o parceiro nos últimos 11 meses.

«Dificilmente sou convidado para um café», disse Dressler ao jornal «Berliner Morgenpost». «Na maioria das vezes, as pessoas são apanhadas totalmente de surpresa». Segundo ele, acabar com o romance alheio leva cerca de 3 minutos, mas deixa sempre o destinatário da mensagem em estado de choque.

As pessoas que prefiram dispensar o parceiro pessoalmente podem contratar as aulas dadas pelo próprio Dressler, que também oferece ajuda a quem queira salvar o namoro ou a quem procure a melhor maneira de pedir desculpas por alguma coisa.

Fonte: Reuters

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Há pessoal capaz de tudo por uns trocos… A ideia até nem é má!

Mas 50€ parece-me relativamente pouco para quem se habilita a levar um valente murro nos queixos de alguém mais… possessivo e/ou irritadiço.

Mas como em todas as profissões… há dias que correm melhor que outros!

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Crónica do hospital

“Não quero aqui ninguém. Quero ficar sozinho a medir isto, a minha doença, a minha mortalidade, o meu espanto. Por mais que repetisse – Um dia destes não acreditava que o dia destes chegasse.
E agora, Março de 2007, veio com a brutalidade de uma explosão no peito. Não imaginava que fosse assim, tão doloroso e, ao mesmo tempo, tão pouco digno como e velhice e a decadência. Tão reles. O olhar de pena dos outros, palavras de esperança em que não têm fé, dúzias de histórias de criaturas que passaram por isso que tu tens agora e estão óptimas. Recuperando aos poucos da anestesia vou dando-me conta de que um bicho horrível em mim, ratando, ratando.
Dois sentimentos opostos
Vou lutar, não vou lutar
e o primeiro fala antes do outro
– Chamem o Henrique.
Um Grande cirurgião, um colega de curso, um amigo, uma das muito poucas pessoas a quem entregaria sem hesitações o meu corpo. Este texto talvez vá um pouco desconexo, desculpem, ainda estou fraco, a cabeça tem lacunas, falta-me vocabulário, há mais de nove dias que não pegava numa caneta e é dificil reaprender a andar. O meu medo que o Henrique não pudesse. Mas disse a quem lhe fala
– eu vou já lá abaixo
e enquanto me faziam uma TAC vi-o atrás do vidro, sério, a apertar a boca. Depois veio ter comigo
– Opero-te amanhã de manhã
e queria que soubesses, Henrique, a esperança que as tuas palavras me trouxeram. Não só esperança: o que não sei dizer. Ou antes sei mas tenho vergonha. Contento-me em pensar que tu sabes também. Sei que sabes. Basta a maneira de protestares, de mão contrariada
– Não me agradeças, não me agradeças
basta o teu afecto pragmático diante das minhas perguntas
– Uma coisa de cada vez
o modo como me disseste
– Eu trato-te
como diante da minha aflição, aflição sim senhor, deixemo-nos de tretas
– E se houver metástases no fígado?
– Eu tiro-as
e eu tentando pôr-me no teu lugar pensando como deve ser penoso operar um amigo. Um amigo desde os dezoito anos. Em como deve ser penoso, em como deve ter sido penoso para o Henrique trabalhar com uma carga afectiva em cima dele, naquelas circunstâncias.
Mexeu-me todo: tirou a vesícula, tirou o apêndice, até as glândulas seminais andou a ver. Isto há dez dias, onze dias. Escrevo do hospital onde estou, é a primeira vez que uma pessegada destas me sucede.
Magro,magro. Com uma algália ainda: é uma sorte que uma algália ainda, tive mil trezentos e seis tubos a saírem de mim. Espero que na revista entendam a caligrafia tremida da crónica. Suceda o que suceder, uma coisa tenho por certa: isto alterou, de cabo a rabo, a minha vida.
Ignoro em que sentido, ignoro como.
Sei que alterou. Santa Maria. O que farei daqui para a frente, se existir daqui para a frente? Livros, claro, foi para isso que me mandaram para o meio de vós. Quando isto sucedeu lutava com um, tinha outro pronto,já antigo, pronto há um ano e tal, para Outubro. Para dar tempo aos tradutores de o traduzirem e saírem mais ou menos na mesma altura que em Portugal. Esse livro tem a melhor prosa que fiz até hoje, parece recitado por um anjo.
Aquele em que trabalhava é apenas um embrião, cerca de metade do primeiro esboço, falta-lhe quase tudo. A partir de agora, se calhar, falta-lhe tudo.
Voltarei a ele? Uma coisa de cada vez, não é Henrique? Vamos a ver. De uma forma ou outra a gente luta sempre.
Momentos de quase esperança, momentos de desânimo. Não: momentos de muito desânimo, e momentos de desânimo maior, como se me obrigassem a escolher entre o que não vale nada e o que vale ainda menos.
Este mês deram-me um prémio literário. Estão sempre a dar-me prémios e claro que tenho prazer nisso, não sou mentiroso nem hipócrita. Toda a gente foi muito simpática.
e sem que eles sonhassem
(sonhava eu)
o cancro
ratando, ratando, injusto, teimoso, cego. Mói e mata. Mata. Mata. Mata. Mata.
Levou-me tantas das pessoas que mais queria. E eu, já agora, quero-me? Sim. Não. Sim. Não – sim. Por enquanto meço o meu espanto, à medida que nas árvores da cerca uns pardais fazem ninho. A primavera mal começou e eles truca, ninho. Obrigado, Senhor, por haver futuro para alguém.”

António Lobo Antunes in Revista Visão

O Xicórias & Xicorações deseja as rápidas melhoras a um dos grandes escritores da língua portuguesa.


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Super-Homem pode ser sérvio

O ego e o orgulho nacionais da Sérvia andam ‘inchados’ desde que terça-feira foi anunciada a descoberta de um novo mineral cuja composição é semelhante à da fictícia kriptonite, o mineral de Kripton, o planeta do Super-Homem que, nas histórias da Banda Desenhada (BD), foi destruído numa explosão.

(…) a imprensa de Belgrado reagiu à descoberta e não hesitou em levar o assunto a manchete: ‘O Super-Homem é sérvio!’, foi a conclusão de vários jornais. ‘Finalmente temos a comprovação científica de que somos filhos de Deus!’, declarou mesmo o jornal ‘Kurir’.

Até o tradicionalmente sóbrio e austero Politika, órgão ligado aos círculos do poder político em Belgrado, aderiu à febre nacionalista, sugerindo que o ‘S’ no uniforme do Super-Homem só poderia significar uma coisa… Sérvia.

O mineral foi encontrado na parte ocidental da Sérvia, perto da cidade de Jadar, o que levou a que fosse oficialmente baptizado de jadarita. O novo mineral, contudo, difere do apresentado nas histórias aos quadradinhos: não brilha, não é radioactivo, apresenta minúsculos cristais e é branco em vez de verde, como na BD e nos filmes de Hollywood.

Nas histórias da BD, o Super-Homem evita a todo o custo aproximar-se da kriptonite, cujos cristais brilhantes são suficientes para neutralizar os seus super-poderes na Terra.

O novo mineral foi comparado à kriptonite porque apresenta praticamente a mesma composição química descrita no filme ‘Super-Homem, o Regresso’. De acordo com o Museu de História Natural de Londres, o mineralogista Chris Stanley relacionou as duas coisas ao digitar num programa de buscas na internet a fórmula do mineral recém-encontrado, hidróxido silicato de sódio-lítio-boro. O cientista descobriu então que a fórmula era a mesma que aparece escrita numa mala que, no dito filme, continha kriptonite e era furtada pelo ‘mau da fita’, Lex Luthor.

in Correio da Manhã

Eu sempre achei que o Super-Homem tinha um sotaquezito daqueles lados…


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Por uma boa causa

Fico sempre intrigado quando uma mulher diz que se vai despir por uma boa causa.

Acho curioso, por exemplo, que essa pergunta seja habitual em questionários de vedetas. Reparem: a resposta nunca é negativa. «Considera a hipótese de se deixar fotografar nua?»; «Sim, se for por uma boa causa». O que deixa implícito que a interrogada já considerou o assunto, já ponderou os prós e os contras e concluiu, sim, sim, sem dúvida, estou disposta a despir-me toda à frente de pessoas que não conheço e aparecer em público aos olhos de muitos mais desconhecidos e alguns conhecidos, como o avô, a mãe e o vizinho do 2º esq. que costuma mandar-me uns olhares estranhos enquanto fotografa o meu estendal.

Estranho é que esta pergunta não seja feita a homens. Mesmo em revistas especializadas em bikinis, literatura light e densamente documentadas sobre todas as vantagens de um evax ultra fina e segura, a questão não é colocada a homens, o que nos faz pensar. Não pode um homem despir-se por uma boa causa? Porque não? Se me apetecer despir todo para que o Benfica ganhe o campeonato, não haverá uma revistinha disposta a publicar o exclusivo? E ser estritamente para mulheres é sintoma misógino ou, ao contrário, um último reduto severamente protegido por um movimento secreto de emancipação feminina? O mistério continua.

O facto de ser uma área onde ‘menino não entra’ torna-se ainda mais perturbante quando pensamos no leque de causas pelas quais as mulheres parecem dispostas a despir-se: do cancro da mama à venda de peles de animais, passando por campanhas que incentivam a beber leite ou manifestações contra a guerra, é notável observar que há sempre uma ou um milhar delas dispostas a despir-se pela boa causa. Infelizmente, a vida tem ironias tramadas. Ou muito me engano – e uma vez que as guerras são normalmente feitas por homens – ou, se continuar a haver milhares de mulheres nuas contra a guerra, é provável que esta continue. E com um sorrisinho nos lábios.

Infelizmente, e apesar da diversidade, ainda há boas causas que não mereceram o privilégio de ter quem se dispa por elas. Interrogo-me ansioso: para quando o dia em que Maria de Lurdes Rodrigues fará topless pela compreensão dos sindicatos, Odete Santos marcará posição pelo Teatro de Revista, para quando um Penim nu pela subida de audiências da SIC, Sócrates despido pelo TGV ou Serra Lopes em pelota pela inocência de Cruz? Até porque nem todos os políticos têm votado esta matéria ao ostracismo.

Aliás, (…) não estamos assim tão longe do Carnaval – altura do ano em que Alberto João Jardim apresenta ao país as suas novas ceroulas. Embora mantenha segredo sobre as causas por que o faz.

Contrariando o eventual nojo que o leitor possa estar a sentir pelo parágrafo anterior, aqui vai uma singela imagem para desopilar: Marisa Cruz nua para levantar a moral portuguesa. Notem bem que nem sempre as palavras ‘nua’ e ‘moral’ surgem tão harmoniosamente na mesma frase.

O que me leva à definição dos dicionários Porto Editora para a palavra ‘causa’. Das duas uma, ou é tudo o que determina a existência de uma coisa ou acontecimento; ou é tudo aquilo que produz um efeito. Ora bem, a mim sucede que a visão de mulheres sem roupa provoca, de facto, um efeito evidente – mas atormenta-me pensar que tal ocorrência possa não corresponder exactamente ao fim que as ditas cujas tinham em mente quando se despiram.

Deixará a causa de ser boa por causa disso? Deixo esta pergunta para reflexão.

in Sol Online

Reflectindo…


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No dia que Portugal mudou

“Faltam cinco minutos para as vinte e três horas.

Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74, E Depois do Adeus. “

Com estas palavras tinha início a jornada de 25 de Abril de 1974, narradas aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa por João Paulo Dinis. A canção de Paulo de Carvalho era a senha inicial do Movimento das Forças Armadas.

Mas foi com Grândola, Vila Morena de José Afonso, a 2ª senha, que o movimento para o derrube de Salazar saiu para a rua. A canção de José Afonso, foi para o ar às 00,20 h, no programa Limite da Rádio Renascença, de Manuel Tomás, acompanhado da leitura da primeira quadra.

E às 04,20 h da madrugada do 25 de Abril, Joaquim Furtado lia o primeiro comunicado do Movimento das Forças Armadas:

Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas. As Forças Armadas Portuguesas apelam para todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas, nas quais se devem conservar com a máxima calma. Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal para o que apelamos para o bom senso dos comandos das forças militarizadas no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderá conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os portugueses, o que há que evitar a todo o custo. Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica, esperando a sua acorrência aos hospitais, a fim de prestar a sua eventual colaboração que se deseja, sinceramente, desnecessária.

E assim se realizou uma das mais pacificas revoluções de que há memória.

A todos os que lutaram por um Portugal mais justo, obrigado!

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Precisas de alguém com quem conversar?

Um jovem americano de 20 anos recebeu cinco mil telefonemas e sms’s, na sua grande maioria jovens, após divulgar um vídeo no YouTube em que convocava os usuários a ligarem-lhe. Ryan Fitzgerald, de 20, que mora com o pai em Southbridge, no estado de Massachusetts, está desempregado e colocou o vídeo no portal na última sexta-feira. Desde então, vem recebendo várias ligações, informou o jornal americano “The Boston Globe”.

“Apesar de não te conhecer, importo-me contigo”, afirma Ryan no vídeo, que, após passar por esta experiência, quer mudar de planos e estudar psicologia ou recursos humanos ao invés de informática, como planeava inicialmente. O jovem disse que quer responder a todos os telefonemas que puder. Apesar da sua boa vontade, Ryan terá um problema difícil pela frente.

Ryan se inspirou em Juan Mann, homem que ganhou fama no YouTube por oferecer abraços gratuitos a estranhos. “Os pais de algumas pessoas não têm tempo para se sentar e conversar com elas, algo que o fazem com estranhos no YouTube”, disse o jovem, que decidiu interromper a sequência de ligações e pôr o telemóvel no modo silencioso para poder ir a um concerto.

Ryan, na prática, não foi o primeiro a ganhar as páginas dos jornais por um fato tão inusitado. Luke Johnson, um homem do estado do Arizona, recebeu, segundo o ” The Boston Globe ” 138.400 chamadas.

O jovem de 20 anos, no entanto, afirma que sua missão é diferente, já que não pretende bater nenhum recorde, mas, na verdade, estimular a “genuína interacção humana”.

in internet

Isto só evidencia o estado de uma certa parte desta sociedade “desenvolvida”, que tendo acesso a “tudo”, falta-lhe o essencial, como simplesmente alguém com quem falar.

E a solidão, é das piores enfermidades da humanidade…


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World Press Cartoon 2007

Cristina Sampaio venceu o 1º prémio de Cartoon Editorial, com “Imigração Ilegal e a UE”.

Menino Maroto, do indonésio T.D. venceu a categoria de Desenho de Humor.

O sueco Riber venceu o Grand Prix e o 1º prémio na categoria de Caricatura, com “Putin”.

O uruguaio Alfredo ganhou o 3º prémio da categoria de Caricatura, com “Fidel Castro”.

O grego Kountouris ficou com o 3º prémio de Cartoon Editorial, com “David e Golias”.

O sérvio Toshow, venceu o 2º prémio da categoria Desenho de Humor, com “Labirinto”.

Podem conferir todos os vencedores e muito mais em worldpresscartoon.com


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