Onde se escondem os artistas?

20 04 2007

Quando a humanidade se fez, surgiu o homem colector, nómada aventureiro, descobridor, livre, independente e selvagem. Alimentava-se de frutos, pesca e caça.

A seguir constituíram os clãs, grupos maiores, organizados, comandados pelo mais forte, tal quais animais selvagens, lobos, leões, hienas, elefantes, ratos.

A força física foi substituída pela força intelectual. Para conservar o domínio, os mais espertos começaram a criar mitos e histórias fantásticas, recheadas de poderes sobrenaturais, mágicos, misteriosos. Neste momento, surgem as primeiras comunidades.

E o homem criou deuses, pajens, magos, curandeiros, feiticeiros. E a fantasia e mitologia proliferaram por todos os cantos, culturas e nações.

Inventaram o julgamento para atemorizar espíritos malignos. Criaram o inferno e o céu, a carne e o espírito, o bom e o mau. A diferença é simplesmente a conveniência dos mandantes, donos do mundo, titulares do poder.

Assim, as igrejas participam do poder dominando, controlando e fazendo a cabeça das massas. O prémio é a vida eterna, a salvação, a promessa da paz celestial. Exorcizam o pecado, a tentação, o demónio. Quem afinal, não teme a morte, o desconhecido, o lado escuro?

Já no início da revolução industrial, os pensadores começaram a discutir a vida em sociedade. Um lado defendeu a livre iniciativa. O outro, a vida em comum.

Ambos os processos produziram desagregações espectaculares.

Dos 6,6 biliões de viventes, 4,5 vivem excluídos do mercado de consumo. Do lixo humano, quase 1 bilião vive na África, pobre e desgraçada. Quase 3 biliões, na Ásia. Quase meio bilhão, na América Latina. Quase 40 milhões na América do Norte e outro tanto, na Europa.

O mundo inteiro conhece esta realidade. A ONU, estabelece metas para reduzir estas diferenças. Actuam a nível institucional, forçando os governos. Esta pressão provoca planos mirabolantes, populares e messiânicos.

Por trás deste cenário, o homem é cada vez mais tentado a pensar exclusivamente em seus próprios interesses, custe o que custar. Este jogo insano alimenta a corrupção de valores, princípios, crenças.

Se os bastidores fossem revelados, os deuses se envergonhariam de grande parte da humanidade dominante.

De outro lado, o homo predador vem disseminando a natureza, minuto a minuto, sem dó nem piedade. Mesmo com ameaças catastróficas, as florestas, os recursos, os peixes não conseguem resistir à volúpia dos humanos.

Apregoam a falta de água, a degradação do ar, o aumento do nível dos oceanos, a expansão dos desertos, a deterioração da camada de ozono e por aí afora.

Boa parte tornou-se insensível ao catastrófico. Crê que tudo não passa de exagero dos média.

No meio desta insanidade, como os artistas reagem? Os que as cores, formas, composições, expressões de sensibilidade pintam? Que herança cultural transmitem para os humanos do futuro, herdeiros desta loucura? Que inteligência inventam, criam, produzem? Que humanidade é possível sonhar?

Podemos temer tudo.

Menos reflectir, criticar, divergir, pensar e falar em voz alta.

José Roberto Orquiza (escritor)

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