Tiananmen 18 anos depois…

A 4 de Junho de 1989, a violenta carga policial sobre estudantes e outros manifestantes pacíficos na Praça de Tiananmen, em Pequim, acabou por resultar em centenas de mortos e feridos. No dia em que o massacre de há 18 anos é recordado, continua sem se saber o que fizeram as autoridades chinesas para corrigir o sucedido.

Hoje em dia, as autoridades deixaram de classificar o incidente como uma “rebelião contra-revolucionária”, passando a denominá-lo de “incidente político”. E continuam sem responder aos apelos de justiça por parte das vítimas ou familiares do massacre de Tiananmen.

Até agora, as autoridades nunca levaram a cabo um inquérito ao incidente de 4 de Junho de 1989 tendo em vista a responsabilização por violação dos direitos humanos e providenciando uma compensação para as vítimas e suas famílias.

O Governo chinês continua a evitar o debate público do sucedido, mantendo-se o “incidente apagado” das revistas, jornais, manuais de estudo e sítios da internet na China.

Numa altura em que se assinala o 18º aniversário do massacre de Tiananmen, a Amnistia Internacional (AI) já pediu às autoridades chinesas que assegurem o respeito pela liberdade de expressão e informação, levantando a censura sobre a discussão e relato dos eventos trágicos de 4 de Junho.

Pensa-se que dezenas de pessoas continuam presas na China, por terem estado envolvidas no movimento pró-democracia de 1989, mas os serviços oficiais de estatística ainda não divulgaram o número exacto. A AI veio também exigir a libertação destes presos, porque tal constituiria já um passo importante rumo à transparência e responsabilização. Entre os prisioneiros, contam-se activistas e jornalistas, considerados pela AI como “prisioneiras da consciência”.

A Associação tem exigido às autoridades chinesas que terminem o assédio policial e a detenção arbitrária dos defensores dos direitos humanos, muitos dos quais por quererem assinalar o massacre de Tiananmen. É o caso de Qi Zhiyong, ferido na perna durante o massacre de 1989, e que continua sob vigilância policial, em Pequim, por ter apoiado manifestantes presos pela sua participação na manifestação de Tiananmen.

Washington reclama libertação de presos

O Departamento de Estado dos EUA apelou na sexta-feira ao Governo chinês para libertar todos as pessoas que ainda estão presas após a chacina ocorrida na Praça Tienanmen em Junho de 1989.

“Agora que se aproximam os Jogos Olímpicos, a comunidade internacional vai vigiar mais atentamente a China”, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Tom Casey, a propósito da proximidade do 18.º aniversário da tragédia de Tienanmen.

“Apelamos ao Governo chinês a que proceda a um reexame de Tienanmen, a libertar todos os presos dessa época e a deixar de perseguir as famílias das vítimas”, disse Casey.

A 4 de Junho de 1989, centenas, eventualmente milhares de manifestantes desarmados na maior praça de Pequim foram mortos por soldados chineses quando as autoridades de Pequim ordenaram que fosse posto termo a um movimento pró-democrático que tinha começado seis semanas antes.

Pequim tem repetidamente negado que centenas de pessoas tenham sido mortas e assegura que a firmeza das autoridades era necessária para garantir o actual desenvolvimento económico do país e a estabilidade.

in Ponto Final

O Governo português considera excelentes as relações com a China, a mais populosa ditadura do planeta. De acordo com a Amnistia Internacional, a China é um dos estados que mais espezinham os direitos humanos.

Tiananmen é completamente censurado na República Popular, como se nunca tivesse acontecido. A esmagadora maioria dos jovens chineses não faz ideia do que tenha sido. Só em Macau e na antiga colónia britânica de Hong Kong, a data é recordada em grande escala com vigílias à luz das velas e marchas de protesto contra a China.


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4 comments

  1. é impressionante que ainda existam pessoas presas devido a esse trágico dia. por acaso desconhecia esse facto. como sempre a China mantém um secretismo e negação dos factos em relação às páginas negras da sua história

  2. A pergunta é: que moral tem os EE. UU. em pedir qualquer coisa à República Popular da China? Não são eles que mantêm aquela prisão hedionda em Guantánamo com supostos terroristas islâmicos?

    Mas é de fato de chatear que a China mantenha ainda presos os participantes dos eventos da Praça Tiananmen quase dois decênios depois. Mas eu tenho um palpite péssimo: a China não vai mudar tão cedo e os EE. UU. têm dedicado-se com afinco ao “fascismo da liberdade”. É triste que o mundo que se desenha aos nossos olhos. A única esperança nossa, que rodamos ao redor do Norte, é que a União Européia sirva de contrapeso…

    Abraço.

  3. SA:
    A China, como outros países, continua a fechar os olhos ao que lhe convem…

    Conde Sérgio De Venardis:
    Os EUA gostam sempre de parecer os “bons da fita”…
    Às vezes custa-me acreditar que a Europa consiga ser esse contrapeso de que falas. É que o poder económico dos EU e a emergente economia oriental pode corromper facilmente esse desejado “equilibrio”.

    Voltem sempre!
    Abraço

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