Dias históricos

10 12 2007

Quantas pessoas morreram no Darfur, onde se assiste a um dos maiores extermínios étnicos em curso, só comparável ao Holocausto, enquanto umas dezenas de líderes europeus e africanos se entretinham em assinaturas? E quantas pessoas morreram de fome no Zimbabué, de sida em Moçambique, ou de humilhação no Gabão? A lista é interminável, do tamanho de um continente de riquezas naturais incomparáveis.

Mas pouco dessa realidade crua atrapalha um dia considerado histórico pelo primeiro-ministro português, exaltando-se antes a importância dos sorrisos alcançados com a perspectiva de mais negócios e algumas anuências de circunstância sobre a necessidade de respeito pelos direitos humanos.

Porque é sobretudo de negócios que se fala. E se não forem os europeus a delapidar os recursos, enchendo os bolsos dos líderes africanos na exacta medida em que se esvaziam os dos seus povos governados, serão os chineses ou os russos ou os americanos. Tanto faz. Em África, preside a lógica de que quem abocanha primeiro fica com a maior fatia. Um amigo, extasiado com a descoberta do filão angolano, dizia, há dias “Ó pá, aquilo é que está a dar. Não há regras, percebes? É o mercado no seu esplendor”.

Os europeus e os africanos que estiveram reunidos no fim-de-semana, em Lisboa, sabem disso. Que as regras de controlo do mercado são uma chatice, por obrigar ao escrutínio dos salteadores. Como saberá José Sócrates, que, ainda assim, conseguiu voltar a marcar a agenda europeia e abrir muitos países aos acordos de parceria económica, sete anos depois da primeira cimeira e cujos resultados são o que está à vista.

Daqui por sete anos, o continente só não estará na mesma porque as riquezas não são inesgotáveis. Estará mais pobre.

Domingos de Andrade in JN


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3 responses

11 12 2007
Só Maria

Li por aí algures que os fundos que a UE vai enviar para ajudar África são inferiores ao crédito que a CML recentemente acordou com a banca para tapar o buraco económico que conhecemos. Das duas uma, ou brincamos às caridades em África, ou gastamos muito em Lisboa…

11 12 2007
Orlando Castro

Mas o que é que isso importa. São pretos e, por isso, a comunidade internacional (EUA, Europa, ONU, UA) pode dormir descansada. Dormir e ter, pelo menos, três refeições por dia nos melhores hotéis de Lisboa, como agora acontece.

Kandandus
Alto Hama
http://www.altohama.blogspot.com/

16 04 2008
Renato

Convite a visitar o velho forte que Portugal vendeu em 1903
Um abraço

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