Mortos em alta

Há uma cena expurgada do filme “O Crepúsculo dos Deuses” que pouquíssimas pessoas viram. Logo na abertura deste clássico de Billy Wilder, corpos duma morgue começam a conversar e a contar como tinham morrido. As plateias que viram o take tiveram uma reacção tão inesperada – morriam de rir – que o realizador e produtores resolveram substitui-la por outra. Agora o corpo é protagonista de diversas séries de TV. E são um sucesso de audiências: C.S.I. Las Vegas, C.S.I. Miami, C.S.I. Nova Iorque, House, Serviço de Urgência, Ossos, Sete Palmos de Terra, Anatomia de Grey, Nip / Tuck, etc.

A presença do corpo morto ou moribundo é destaque na trama dessas séries sem, no entanto, apresentar nenhum carácter horrendo. Na verdade, tudo é de uma clareza e objectividade aparentemente científica. O cadáver não mete medo e nem sequer traz associações com o sobrenatural. Ao contrário, é da banalidade de um exame à urina… (…)

A fascinação pelo clínico e pelo patológico transforma os corpos num ‘big brother’ das vísceras que parece acompanhar, de um lado, os exames de imagem disponíveis pela medicina e, de outro, as webcams da internet, as câmaras de segurança de prédios e ruas e as fotografias de satélites. Do telemóvel no bolso ao telescópio espacial Hubble, parece existir uma lente voltada para cada canto do universo.

O corpo humano não escapou dessa curiosidade e tornou-se um tema bastante explorado, não apenas pela televisão, mas igualmente pelo cinema, com todos os filmes trash, e pelos inúmeros exemplos das artes visuais, cujo caso mais extremo são os cadáveres – verdadeiros – plastificados pelo alemão Gunther von Hagens.

Não é por acaso que o último clipe de Madonna com Justin Timberlake – 4 Minutes – começa com um strip-tease que termina com os seus corpos como que dissecados, com ossos e entranhas licenciosamente despidas.

Em C.S.I., que talvez seja uma das séries que mais exploram o corpo, o inumano volta a ter valor e a fazer sentido após sua científica dissecação, que retira do cadáver qualquer valor emocional e lhe dá a dimensão de evidência. Ou informação, capaz de resolver na morte o que na vida não foi capaz de fazer.

Os números das audiências sugerem que tudo isso seja mais do que simples curiosidade. As séries têm tido bons resultados e alcançam óptimos shares para o horário em que passam, sendo muitas delas mesmo líderes de audiência.

Novo milionários

Esta semana a imprensa norte-americana noticiou que o actor Hugh Laurie, protagonista da série House ganhou um belo aumento de salário e passou a integrar o clube dos actores milionários das séries de TV. Ele receberá 400 mil dólares por episódio. O seu cachet anual chegará aos 9 milhões de dólares. A boa notícia para os fãs do médico sarcástico e mal-humorado é que o seu contrato foi prolongado até a oitava temporada, ou seja 2012, na qual passará a ser igualmente produtor.

Nos Estados Unidos, a série tem em média 16,5 milhões de espectadores e só tem perdido em audiência para Donas de Casa Desesperadas.

Fazem parte do grupo dos abonados Keifer Sutherland, da série 24 Horas (500 mil dólares), William Petersen, de CSI Las Vegas (600 mil) ou Charlie Sheen, de Dois Homens e 1/2 (825 mil). Isto por episódio!! 😯

in DGABC (texto editado)


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