Corremos nus pela Europa fora

25 01 2011

Nos tempos de Durão envergávamos uma tanga a tapar-nos as vergonhas. Hoje perdemos a tanga e a vergonha. Abrimos garrafas de champanhe por prevermos um défice abaixo dos 7,3%. Portugal é o país stripper da Europa.

Celebrar um défice por este se situar abaixo do previsto (7,3%) seria normal se o número apresentado não fosse absurdamente elevado. Faz lembrar alguém que vai ao dentista e que ao sair da consulta manda assar um porco porque não lhe arrancaram o último dente que lhe resta na boca. Recuando no tempo: “Os senhores [do PS] deixaram Portugal de tanga”, disse então o primeiro-ministro, Durão Barroso, em resposta à alegada falta de solidariedade política do PS em relação ao programa de emergência, apresentado e discutido na Assembleia da República. (17-04-2002)

Durão não foi suficientemente teso para aguentar a tanga que o espartilhava e foi laurear a pevide para Bruxelas, munido de uns largos boxers, corria o ano de 2004, deixando então o menino nos braços de um atarantado Santana Lopes. Este, pouco habituado a mudar fraldas, deixou o miúdo de tal forma inflamado que o Presidente Jorge Sampaio achou por bem intervir e deixar a criança à guarda de alguém responsável até ter uma família de acolhimento.

E aí entrou a família socialista, cheia de promessas, pó de talco e fraldas com abas largas para o menino não ficar com as virilhas assadas, transbordava esperançaSim, esta mesma família que hoje em dia não se percebe bem se é um governo ou um grupo de vendedores de divida pública ambulante. Eles vão a todo lado, do Brasil a Timor, do Rato a Algés, dos Emiratos à China, do Qatar a Vila Real de Santo António.

Passam mais tempo a hipotecar o futuro deste país lá fora do que por cá a resolver os incontáveis e intocáveis problemas que os próprios criaram. Chegam a regozijar-se por vender a dívida pública portuguesa a taxas que fariam corar qualquer economista alcoolizado há vinte anos atrás. Durante o mês de Janeiro quantos dias esteve o Primeiro-Ministro em Portugal? A divida de um país é hoje oferecida sabe-se lá a quem, em que termos, e em que esquinas, como quem vende algodão doce ou chupa-chupas numa feira-popular. No final está visto quem é que vais chupar com isto tudo.

Resumindo: se há uns anos nos encontrávamos de tanga, hoje em dia corremos nus pela Europa e mundo fora, sem sabermos se devemos finalmente parar e pedir ajuda ou se continuar a fugir dela como o diabo da cruz. Corremos até se nos acabar o fôlego. E ele está a acabar. Entretanto, de cabedal e chicote na mão, Angela Merkel, a implacável dominadora alemã, espera por nós.

Tiago Mesquita in 100 Reféns


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