Pequim 2008

“Ilusão” garante Jogos perfeitos à China

Um “playback” na cerimónia inaugural, encenação digital no fogo-de-artifício, controlo meteorológico ou ginastas sem idade suficiente para competir são apenas algumas das fabricações olímpicas criadas pela China para mostrar ao Mundo uns Jogos Olímpicos impecáveis.

Milhões de espectadores por todo o Mundo assistiram ao espectáculo inédito que marcou o arranque dos Jogos, mas, dias depois do início perfeito, a magia chinesa começou a perder o encanto.

A ordem do governo chinês era clara: a pequena cantora tinha que ser “perfeita”, por isso a menina fotogénica que encantou o Mundo a entoar Ode to Motherland na festa de abertura fez “playback” para esconder o sorriso desalinhado da verdadeira cantora.

“Yang Peiyi falhou a selecção [para aparecer na cerimónia] devido ao seu aspecto. Foi pelo interesse nacional“, explicou Chen Qigang, director musical do espectáculo, confirmando o “playback” na televisão estatal chinesa.

A série de fogo-de-artifício com forma de pegadas que iluminou a noite de Pequim para mostrar o caminho até ao Estádio Nacional – Ninho do Pássaro – foi uma encenação tecnológica, e o jornal Beijing Times foi o primeiro a confirmar a técnica utilizada.

A poluição e o nevoeiro de Pequim não iriam permitir uma visualização perfeita da cerimónia, e seria demasiado perigoso permitir uma filmagem aérea, o que justificou a encenação, explicou Gao Xiaolong, responsável pelos efeitos visuais da cerimónia.

Durante os JO, as autoridades chinesas substituiíram o nevoeiro por uma “neblina”.

Para afastarem a densa camada de poluição que envolve Pequim e dar a imagem de uma capital limpa, as autoridades chinesas mandaram fechar fábricas, limitaram a circulação automóvel e controlaram a meteorologia para conseguirem alguns dias olímpicos de céu azul e sol.

Pequim já tinha pintado a relva da capital com tinta verde quando, em 2001, a cidade foi examinada pelo Comité Olímpico Internacional como candidata à Organização dos Jogos.

A liberdade de expressão foi mais um simulacro. A China definiu três zonas para a realização de protestos olímpicos, mas embargou todos os pedidos de autorização (77 candidaturas) para manifestações durante os Jogos, silenciando qualquer voz dissidente que prejudicasse “os interesses nacionais”.

Alguns dos activistas que cumpriram a lei chinesa e apresentaram pedidos para a realização de protestos, estão presos e outros sob vigilância.

“A definição dos lugares de protesto foi uma brincadeira”, afirmou à Lusa Wang Xiao Feng, um conhecuido jornalista chinês, “porque o governo não iria suportar protestos”.

A par das espectaculares instalações olímpicas, várias paredes de informação cultural e publicitária foram erguidas na capital chinesa para esconderem os bairros mais pobres dos olhares dos visitantes estrangeiros que vinham visitar a cidade anfitriã, moderna e harmoniosa.

As hospedeiras chinesas que entregam as medalhas olímpicas e dão assistência aos visitantes foram criteriosamente seleccionadas e treinadas para sorrir, “pela honra da China”.

A equipa chinesa de ginástica conquistou a medalha de ouro com a ajuda de uma pequena atleta que, segundo a própria imprensa estatal chinesa, tinha apenas 13 anos há nove meses.

Actualmente, o passaporte chinês da jovem prova que ela tem 16 anos, a idade mínima para competir nos Jogos, facto estranho que nem as autoridades chinesas comentam nem o Comité Olímpico Internacional investigou.

Tudo em prol do “interesse nacional”, foi assim que a China justificou as falsificações e truques olímpicos que encenaram os Jogos aparentemente livres de erros ou imperfeições.

Em declarações recentes à imprensa chinesa, Zhang Yimou, director artístico das cerimónias de abertura e encerramento, notou que seria impossível organizar num país ocidental uma cerimónia com a sincronização e espectacularidade que a China mostrou na festa inaugural, devido à existência de sindicatos, regulamentos e de fraco espírito de sacrifício artístico.

“Os estrangeiros admiram isto. Este é o espírito chinês. Conseguimos fazer com que o nosso desempenho alcance um nível elevado através de um trabalho duro e esperto. Isto é algo que muitos estrangeiros não conseguem alcançar”, referiu à imprensa Zhang.

Nos Jogos chineses o feitiço não se vira contra o feiticeiro: A competição terminou e a China venceu a corrida ao “ouro”, indiferente às críticas e convencida de que os Jogos de Pequim vão ficar na história como o momento de abertura da China ao Mundo, mesmo que essa abertura seja apenas mais uma ilusão.

in Lusa

Ler também China “falsifica” Jogos Olímpicos e China vai controlar o clima


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China “falsifica” Jogos Olímpicos

Propaganda. Responsável justifica decisão com necessidade de transmitir “imagem perfeita”

A criança de voz perfeita que se ouviu na abertura dos Jogos e os fogos-de-artifício ainda mais perfeitos que se viram, nada disto é tão perfeito como pareceu aos três mil milhões de telespectadores que seguiram a cerimónia de Pequim.

A voz não era a da criança em destaque na cerimónia e as imagens dos fogos foram manipulados. Tudo em nome “do interesse nacional”, disse ontem o responsável musical do espectáculo, Chen Qigang.

“Quisemos projectar uma imagem perfeita, pensámos no melhor para a nação”, explicou Chen para justificar a presença em cena Lin Miaoke, de nove anos, ouvindo-se em playback a voz de Yang Peiyi, de sete anos. Decisão tomada ao mais alto nível por um elemento da instância dirigente do Partido Comunista Chinês presente no ensaio final.

Sem revelar o nome do dirigente, Chen limitou-se a dizer que lhe foi comunicado ser “um problema” a presença de Yang em palco, “um problema que era preciso resolver, e nós resolvemo-lo”, disse este responsável.

O “problema” de Yang é que o seu rosto arredondado e uma dentição irregular perturbavam a imagem de perfeição que era imperioso traduzir. Chen justificou as suas declarações de ontem para que a contribuição de Yang não fosse esquecida. Até “porque a sua voz é perfeita, na opinião de todos os membros da nossa equipa”.

O caso foi revelado na Internet depois de a imprensa chinesa ter louvado em linguagem quase hiperbólica as qualidades de Lin, não fazendo qualquer referência a Yang. Dois comentários sobre o sucedido traduzem a dimensão da indignação: “O sucedido é um insulto para a verdadeira cantora e para todos aqueles que seguiram” o espectáculo.

Ontem, na televisão nacional chinesa, Yang foi finalmente entrevistada. Como seria natural, declarou estar satisfeita com o facto de a sua voz se ter ouvido, ainda que não fosse vista. Por seu lado, Lin disse estar emocionada por “ter ficado tão bonita com o meu vestido vermelho”.

in DN Online

Que tinha sido playback, acho que toda a gente notou! Agora trocarem a menina porque não era “perfeita”…

A China quer mostrar ao mundo um país que (ainda?) não é! Tanta beleza e modernidade (aparentes), mas constrói muros para que quem visita a cidade por esta altura não veja a miséria existente, ou coloca 30 mil funcionários do governo a controlar a internet, por exemplo.

E o mundo… vai fechando os olhos! Afinal, interessa é que os jogos corram bem, sem “agitar” muito o gigante asiático! 😐


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Mascotes olímpicas culpadas pelos sismos

O supersticioso povo chinês acredita que as sucessivas catástrofes sofridas nos últimos tempos foram provocadas pela “maldição dos Fuwa”, as cinco mascotes do Jogos Olímpicos de Pequim 2008.

Beibei, um peixe; Jingjing, um panda gigante; Huanhuan , a chama olímpica; Yingying, um antílope tibetano; e Nini, uma andorinha foram relacionados com as catástrofes e revoltas que assolam a China neste ano olímpico. A “maldição dos Fuwa” é comentada nas ruas e na Internet, quando o número de mortos e desaparecidos pelo sismo de há quinze dias supera 86 mil vítimas.

Para os mais radicais, segundo essa crença, o antílope Yingying representa as revoltas do povo tibetano que ocorreram em Março; Huanhuan, a tocha olímpica, teve estafeta internacional interrompida diversas vezes pelos defensores do Tibete; enquanto Jingjing, o panda, tem o seu habitat em Sichuan, devastada pelo terramoto que ocorreu este mês. A relação da andorinha Nini com o acidente de comboio de Shandong em Abril é muito exagerada, todavia, os crentes identificam a ave com o cometa chinês, visto em Weifang, uma cidade de Shandong. O peixe Beibei é uma incógnita para uns mas para outros explica o forte nevão de Janeiro, o pior dos últimos 50 anos. O peixe representa ainda o Sul do país, onde se concentra a produção pesqueira, a zona que mais sofreu com o degelo. Assim, para os mais “agoirentos”, a maldição de Beibei manifestou-se com uma inundação do rio Yangtsé, que todos os anos provoca centenas de mortos.

A ‘sorte’ do número 8

O número 8 é um número de sorte para os chineses, pois pronuncia-se bat, que tem um som muito semelhante a fat, que significa fortuna, riqueza. Por isso também, a China tudo fez para organizar os Jogos Olímpicos de 2008. Seguindo com rigor a crença na numerologia, para garantir o sucesso dos jogos, a cerimónia de abertura está marcada para 8 de Agosto, às oito da noite.

Todavia, para alguns chineses, o número 8 tem sido no último ano um sinal de azar. Segundo essa teoria, a tragédia em Sichuan aconteceu quando faltavam 88 dias para a abertura dos jogos. Em Janeiro, os fortes nevões que paralisaram muitas províncias chinesas aconteceram a 25 de Janeiro, ou seja, 25/1 (2+5+1=8), entretanto, o sismo em Sichuan aconteceu a 12 de Maio, 12/5 (1+2+5=8). O terramoto aconteceu às 14.28 e marcou 7,8 na escala de Richter.

in DN Online

Alguém tinha que apanhar com as culpas! 😐


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Quando umas ‘Adidas’ custam um mês de salário…

Entrevistas em quatro países da Ásia mostram que as violações dos direitos humanos são norma.

“Já estou morta de cansaço… ninguém tem tempo para ir à casa de banho ou beber água. Mesmo assim trabalhamos sem descanso e sempre com medo de não estarmos a ser suficientemente rápidas para irmos entregar as solas na próxima linha de produção. Os supervisores estão sempre a pressionar-nos e a incomodar-nos. Terminamos cansadas e sujas. Trabalhamos sem parar e só recebemos críticas”. Este é o relato de uma trabalhadora de uma linha de produção de sapatos da marca desportiva New Balance, em Dunhuang, na China. Consta de um relatório recente da Fair Play 2008, organização criada pela Clean Clothes Campaign, pela Confederação Internacional de Sindicatos (ITUC) e pela Federação Internacional dos Trabalhadores das Indústrias Têxtil, Vestuário e Calçado (ITGLWF).

O relatório, intitulado “Ultrapassando as barreiras”, analisa a indústria dos artigos desportivos através de entrevistas a mais de 320 trabalhadores na China, Índia, Indonésia e Tailândia. Os investigadores da Fair Play não só relatam que os trabalhadores de multinacionais como a Nike, Adidas, Converse, Puma, Reebok ou New Balance ganham salários miseráveis não obstante o crescendo de lucros que estas empresas registam, na ordem das centenas de milhões de dólares. Mais grave ainda, os investigadores concluem que “as substanciais violações dos direitos dos trabalhadores que foram identificadas estão ainda a ser a norma na indústria do vestuário e calçado desportivo”.

O certo é que, mais de 15 anos depois da maioria das grandes empresas terem adoptado códigos de conduta nas suas empresas-mãe, os trabalhadores que, na Ásia, produzem os artigos para estas marcas são sujeitos a “pressão extrema para satisfazer quotas, horas extraordinárias excessivas não registadas e não remuneradas, abusos verbais, ameaças para a saúde decorrentes de serem a horários excessivos ou a exposição a substâncias químicas tóxicas”. Tudo isto, sublinha ainda o relatório, “sem programas de saúde ou outras formas de seguro exigidas por lei, e sem liberdade sindical para poder negociar colectivamente salários e condições de trabalho”.

O objectivo da Fair Play 2008 é obter do Comité Olímpico Internacional, bem como dos comités e governos de cada país, um compromisso concreto de que serão tomadas medidas para eliminar a exploração e o abuso dos trabalhadores na indústria de desporto a nível global. Razão porque abre o relatório com a dimensão económica do evento. Pequim deverá receber 800 mil estrangeiros, além de um milhão de visitantes de outros pontos da China. “Um ano depois das últimas Olimpíadas estimava-se que o mercado mundial de calçado, roupa e acessórios desportivos valia cerca de 74 mil milhões de dólares”, refere o documento.

São estas as empresas que pagam, na Ásia, salários inferiores ao mínimo local, apesar dos horários de trabalho de 12 e 13 horas diárias, recebendo 1,25 euros por dia para fazer calçado e 30 cêntimos por cada bola cozida à mão. Na China, um par de Adidas custa entre 55 e 110 euros, ou seja, quase o salário mensal do trabalhador que as produziu, enquanto na Índia ele recebe entre 0,25 e 0,55 por cozer uma bola, o que pode levar entre duas a quatro horas. No Paquistão, os salários estão congelados há seis anos, mas o índice dos preços ao consumidor aumentou 40%, e no Bangladesh, um trabalhador recebe um salário mínimo de 24,30 euros, cujo valor real é inferior ao de 1995 e não permite suportar as três refeições diárias.

A Fair Play não quer “compromissos vagos” e desafia o Comité Olímpico a agir a tempo das próximas Olimpíadas com “acções e objectivos específicos” .

in DN Online


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Chineses boicotam produtos franceses

Depois dos distúrbios à passagem da chama olímpica em Paris na passada semana, os consumidores chineses deram hoje largas ao nacionalismo e iniciaram uma campanha de boicote às marcas francesas, a quem acusam de apoiar o Dalai Lama.

Desde blogues na Internet a mensagens curtas por telefone, de correios electrónicos a mensagens instantâneas nos serviços de conversas na rede, os consumidores chineses estão a receber apelos para se recusarem a comprar marcas e produtos franceses, numa campanha que visa sobretudo os hipermercados Carrefour, líder no mercado de retalho na China.

“Se ama o seu país, não vá ao Carrefour entre 08 e 24 de Maio, três meses antes dos Jogos Olímpicos, porque os seus accionistas apoiam o Dalai Lama. O presidente francês diz que vai boicotar os Jogos, mas nós vamos boicotar os produtos franceses”, refere uma mensagem curta em chinês que circulava hoje em Pequim.

Depois de várias tentativas, ninguém atendeu o telefone no número de origem.

Uma busca no portal mais popular da Internet em chinês, o Baidu.com, dava hoje como resultado 107 mil páginas de apelo aos boicotes aos produtos franceses, depois das manifestações pró-Tibete que causaram o caos durante a passagem da tocha olímpica por Paris a 07 de Abril, levando mesmo ao apagar da chama.

Os consumidores chineses estão também revoltados com o facto do presidente francês Nicolas Sarkozy não ter posto de parte um boicote à presença na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, que decorrem entre 08 e 24 de Agosto.

Uma página no portal Tianya.cn, um dos mais famosos na China, apela aos chineses para que, ao fechar a carteira aos produtos franceses, se lembrem dos protestos de Paris, e renova a acusação de que as marcas francesas apoiam o Dalai Lama, que o governo chinês acusa de ser um separatista e de ter orquestrado as manifestações de Março contra a administração chinesa no Tibete, os mais fortes e mais violentos desde 1989.

“Depois de ter visto o que aconteceu em Paris, deixei de acreditar que os franceses são um povo amigo. A China é um país grande e poderoso e as pessoas não nos podem tratar mal impunemente. Por isso a palavra de ordem é para boicotar as marcas francesas, que estão em todos os cantos das nossas vidas – por isso no nosso poder é muito”, diz a autora da página, Hua Kai.

Hua Kai faz mesmo um mapa com os logótipos de marcas francesas existentes no mercado chinês, desde a Chanel, Dior, L’Oreal, Cartier e Lacoste à Airbus e à Renault, passando por marcas de bebidas alcoólicas e de produtos alimentares.

A campanha, no entanto, tem vindo a focar-se cada vez mais no Carrefour, que tem na China um mercado único, registando em 2007 um ritmo de expansão sem comparação no resto do mundo, ao abrir 23 hipermercados no país.

Em 2007, o volume de negócios da Carrefour China chegou aos 30 mil milhões de renminbi (cerca de 2,9 mil milhões de euros).

Um jornalista e investigador de ciências sociais que pediu o anonimato por trabalhar para uma televisão que é propriedade estatal, tal como todos os meios de comunicação social na China, considerou, em declarações à Agência Lusa, que o governo chinês é responsável pelo choque com que os chineses viram as manifestações de Paris.

“A ideia que os chineses têm de França vem sobretudo dos meios de comunicação social e como Franca sempre foi um aliado forte da China, o governo chinês sempre censurou as notícias negativas sobre os franceses”, afirmou o jornalista.

“O público chinês só conhece assim a face romântica e amigável dos franceses. É por isso que as pessoas normais estão em choque com os distúrbios de Paris, que nos vão obrigar a olhar de outra forma para a nossa relação com França”, acrescentou.

Apesar da campanha de massas contra os produtos franceses, é ainda fácil encontrar quem considere que o boicote não é boa ideia.

Li Yue, uma estudante de 26 anos, disse à Agência Lusa que “está é uma de protesto que não faz qualquer sentido numa altura de globalização”.

“O Carrefour dá emprego a milhares de chineses e a maioria dos produtos que vende são feitos na China, por isso não vejo como é que o boicote pode ter sucesso”, afirmou a estudante.

Wang Xiaofeng, jornalista e autor de um dos mais populares blogues na Internet chinesa, escolheu responder ao boicote com sentido de humor – “eu sempre boicotei a cultura francesa: nem sequer sei falar francês”.

“Tenho no bolso uns quantos vales de desconto do Carrefour. Pelo menos se for nos próximos dias vou conseguir fugir às longas filas. E, já agora, se é para eu boicotar alguma coisa, vou começar por boicotar os cretinos que organizam os boicotes“, diz Wang.

in Visão

Não sei se eles pensaram no facto de que, se a moda dos boicotes a produtos estrangeiros alastra, a China será a principal prejudicada, já que grande parte do que se “consome” no mundo moderno, é fabricado e exportado pela pátria da grande muralha…

E motivos para boicotes contra o mais populoso país do planeta não faltam! Infelizmente…


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