Quem quer matar Deus?

8 01 2009

“Deus provavelmente não existe, de modo que deixe de se preocupar e goze a vida”. O inusitado slogan vai decorar 30 autocarros de Londres, no Reino Unido, durante todo o mês de Janeiro.

Conscientes de que na era da imagem até as guerras de religião podem ser travadas em cartazes publicitários, os ateus britânicos apelaram ao lema para tentar convencer as pessoas de que Deus é uma invenção. Por iniciativa da British Humanist Association (BHA) e do seu presidente, o professor Richard Dawkins – reconhecido teórico da evolução, catedrático na Universidade de Oxford e autor de vários livros de divulgação científica, como “A Desilusão de Deus” (Casa das Letras) -, numa iniciativa sem precedentes mas que reflecte o aparente regresso do ateísmo militante, tão vigoroso na época das Luzes (século XVIII), ao Ocidente.

Em Portugal, país de tradições católicas tão antigas que o mito fundador do país atribui à inspiração divina a vitória de D. Afonso Henriques sobre um exército muçulmano muito maior do que o seu nos campos de Ourique, em 1139, o ateísmo é ainda pouco visível. Não obstante, foi já constituída, em Maio, a primeira Associação Ateísta Portuguesa (AAP), que não enjeita adoptar “uma campanha semelhante à de Dawkins”, segundo Carlos Esperança, presidente daquela organização.

Todavia, mais do que a campanha londrina – que poderá estender-se a outros países europeus e até aos EUA -, interessa questionar a que se deve esse fulgor de recusa do divino. Porquê agora? E quais os seus objectivos? E estará de facto a religião em declínio no Mundo Ocidental, ou assume novas configurações? (…)

É possível não acreditar no divino?

O problema de fundo assinalado por Carlos Esperança é, pelo contrário, o maior êxito da BHA: propondo-se angariar os 8064 dólares necessários a um mês de anúncios em 30 autocarros, levou só duas horas para amealhá-los, numa campanha que, iniciada a 21 de Outubro, chegou a Dezembro com mais de 190 mil dólares.

“Os doadores sentem que não têm voz, que o Governo e a sociedade prestam demasiada atenção à religião e aos seus líderes, enquanto ignoram os que não são religiosos”, diz Hanne Stinson, directora da BHA, para justificar a surpreendente adesão.

A iniciativa soma-se a outras manifestações de um ateísmo mais activo na Europa, como a proliferação de ensaios contra a religião e o aumento dos pedidos de apostasía em Espanha e Itália, por exemplo (…). Inclusivamente nos EUA, cujas notas de dólar trazem o lema “in God we trust”, nos últimos anos as associações de não-crentes observaram um crescimento sustentado. E a Secular Coalition for America conseguiu, até, contratar um lóbista no Congresso, Lori Lipman Brown, visando contrariar a influência da religião na arena política. Radical, Dawkins chega a dizer, no seu “best-seller” (1,5 milhões de exemplares vendidos) que “a situação actual dos ateus nos EUA é comparável à que enfrentavam os homossexuais há 50 anos”. Só que, ao contrário dos grupos religiosos, sustenta, o problema dos ateus é que não estão organizados.

Mas começam a ficar. Para o teólogo Anselmo Borges, que acabou de publicar uma colectânea de artigos (“Janela do (In)finito”, Campo das Letras) onde debate também o ateísmo, a nova investida dos ateus e respectivo ensejo organizativo “deve-se ao materialismo e o hedonismo actuais”. Sugere, porém, que “as principais motivações estão, por um lado, no avanço da Ciência, designadamente da genética e das neurociências, que já fornecem muitas respostas sobre o Homem”, e, por outro lado, “no Mal do Mundo”, isto é, “face à violência e à guerra que são geradas em nome de Deus, as pessoas tendem a advogar que seria melhor que esse Deus não existisse. Essa é, aliás, a tese central de Dawkins”, assinala.

No entanto, a militância renovada dos ateus, reflectida na abundância de obras que defendem o ateísmo – por autores tão ilustres como Christopher Hitchens (“Deus não é Grande“, Dom Quixote), Sam Harris (“O Fim da fé“, Tinta-da-China), Michael Onfray (“Tratado de Ateologia“) e John Dupré (“Darwin’s Legacy“) -, não parece ser tanto uma reacção ao terrorismo integrista islâmico, mas antes um ataque às igrejas do Ocidente. A campanha de Dawkins nos autocarros será uma resposta, diz a BHA, “às operações agressivas de grupos cristãos fundamentalistas, que usam os espaços promocionais dos transportes públicos para proselitismo”.

Em Portugal, os objectivos globais da AAP são os mesmos: além de uma “aceitação social do ateísmo”, pretende “erradicar a influência da religião, designadamente da Igreja Católica, sobre o Estado, e o regresso à ética republicana, que é urgente”, diz Esperança, assinalando que no último estudo sobre a matéria em Portugal, de 2002, “cerca de 400 mil pessoas declararam-se ateias ou não-crentes, e não chocaria que hoje fossem cerca do dobro”. Aqui ao lado, Espanha será o caso de maior radicalismo. Após 40 anos de franquismo com apoio da Igreja Católica, a reacção anticlerical dos jovens é muito mais virulenta, e as solicitações de apostasía multiplicaram-se: no primeiro semestre deste ano foram 529, superando o total de 2007 (287) e de 2006 (47).

As estatísticas parecem contrariar, porém, a ideia de que o ateísmo militante estará a crescer na Europa: só um quarto da população é que se declara “não religiosa” e apenas 5% se afirma ateu convicto. De resto, ser ateu é muito mais do que a recusa do Estado confessional ou a indiferença, quiçá o abandono, da prática religiosa: para o teólogo alemão Hans Küng, “o autêntico ateísmo nega todo o tipo de Deus e todo o divino, tanto entendidos em sentido mitológico como concebidos de forma teológica ou filosófica”. Neste sentido, o próprio ateísmo, enquanto experiência espiritual, estará a perder terreno. “A maioria dos não-crentes diz-se, na realidade, agnóstica, pois o ateísmo implica uma profunda convicção sobre uma questão: a não existência de Deus. E a verdade é que todos duvidam”, realça o filósofo francês Michel Eltchannoff.

Essa natureza dubitativa em torno do divino poderá explicar, até, o ressurgimento contemporâneo das superstições, seitas e ocultismos. Em França, país de Descartes e dos Enciclopedistas, as artes divinatórias geram um volume de negócios de 4200 milhões de dólares anuais, isto é, cerca de 15 milhões de consultas por ano, repartidas entre uns 100 mil “profissionais” da bola de cristal, mais os livros de profecias, astrologia e ciências ocultas… Em Portugal, embora falte estatística, a proliferação de anúncios de videntes e quejandos é suficiente para perceber que o negócio prospera, autorizando a tese de que vivemos num Mundo onde o irracional é a norma e grande parte da Humanidade crê em Deus, ainda que cada qual o defina a seu modo.

Aliás, neste contexto torna-se pertinente a pergunta sugerida por Anselmo Borges: “Porque é que a campanha publicitária dos autocarros londrinos declara que Deus ‘provavelmente’ não existe? Porque não dizer logo que ‘Deus não existe’, se há essa certeza?”. Segundo a BHA, porque o “provavelmente” evita ferir susceptibilidades e violar as leis britânicas da publicidade. Mas a melhor explicação talvez radique, afinal, na advertência formulada na Grécia pelo matemático Euclides, 300 anos antes de Cristo: “O que é afirmado sem provas pode ser refutado sem provas”.

in JN

Felizmente, vivemos numa época em que a liberdade religiosa é um bem mais ou menos adquirido na maior parte dos países. No restantes é ter esperança que isso algum dia seja possível… 😕


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Ladrão… famoso!

26 11 2008

Um ladrão foi fotografado a levar equipamentos de uma empresa de publicidade. A companhia transformou as provas do crime em ‘anúncios’ espalhados pela cidade.

Um larápio da Nova Zelândia escolheu o alvo errado na cidade de Auckland. Ele decidiu atacar 15 transformadores utilizados na iluminação de um outdoor de uma agência de publicidade. Mas foi “apanhado” por um fotógrafo, que ofereceu as imagens à empresa responsável.

Com as provas do crime em mãos, a companhia não teve dúvidas: transformou os seus próprios outdoors na cidade em gigantescos cartazes de “procura-se”. A recompensa é de 500 dólares, e a empresa diz que já recebeu mais de 100 ligações desde que instalou os anúncios. A maioria delas, porém, elogiava a iniciativa, em vez de dar pistas sobre o suspeito.

Mark Venter, dono da OTW Publicidade, diz que o homem sabia o que fazia ao remover os transformadores durante o dia. Se ele tentasse roubar os transformadores à noite, poderia morrer com choques de 50 mil volts.

in G1

Até colete de segurança ele tinha! Parece ter feito o trabalho de casa

Não contava era com os “flashes”!! 8) Azar…


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Publicidade para extraterrestres

12 06 2008

Um grupo de especialistas prepara o primeiro anúncio publicitário dirigido a extraterrestres que será lançado hoje para o espaço, afirmou na passada terça-feira o professor Darren Wright, da Universidade de Leicester, na Inglaterra.

O astrónomo diz que será um “momento histórico” porque é a primeira vez que se envia um anúncio para o espaço com o objectivo expresso de se comunicar com uma vida além de nosso sistema solar”.

A propaganda espacial foi feita para a Doritos, uma marca de aperitivos, que se associou aos cientistas da Universidade de Leicester para realizar esse projecto publicitário espacial. O anúncio será transmitido de um radar da associação científica europeia EISCAT, posicionado no arquipélago árctico de Svalbard, entre a Noruega e o Pólo Norte.

O comercial, de 30 segundos, será dirigido a “possíveis consumidores alienígenas” de um sistema solar localizado a 42 anos-luz da Terra.

Segundo os especialistas, a mensagem publicitária, que viajará na velocidade da luz, só chegará a seu destino em 2050 e uma eventual resposta extraterrestre não chegaria à Terra antes de 2092.

Segundo o professor Wright, a propaganda espacial “está actualmente sendo codificada” para poder ser transmitida.

in G1

A empresa inglesa “pensa” a longo prazo!!

Vai ser interessante, lá para o final do século, ver engarrafamentos de naves à entrada da Terra com “pessoal” ansioso por comprar Doritos!! 🙂


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Podia ter sido eu…

8 05 2008

A mais recente campanha da Nike traz-nos um bom spot do realizador Guy Ritchie (…): “Take it to the next level”.

É este o conceito da Nike, que nos leva a crer que qualquer um de nós pode chegar ao topo do futebol. Ora, eu sou um dos milhões de portugueses que passaram ao lado de uma grande carreira. E se durante muitos anos pensei que a culpa era do meu (pouco) talento, depois de ver este spot, finalmente percebi que a responsabilidade foi da Sanjo e da Desportex. Foram estas marcas que nunca me catapultaram para o nível seguinte.

Agora sei que os meus pés nunca me obedeceram porque não tive o equipamento adequado. Não sei se todos nós podemos processar estas marcas por nos terem privado do sucesso e dos milhões, mas penso que a Deco tem aqui consumidores desiludidos em número suficiente para intervir.

Voltando ao spot, a câmara subjectiva leva-nos a interagir com muitas caras conhecidas do futebol, como Wayne Rooney, Cristiano Ronaldo, Materazzi, Fábregas, Ronaldinho, Van Nistelrooy ou o treinador Arsène Wenger. Estão lá também as festas, as amigas do Ronaldo, as entradas violentas, os dentes partidos e outras coisas boas do futebol.

Parece que já me estou a ver. Final do Euro 2008 e eu a ponta de lança da nossa selecção.

Mesmo com umas chuteiras Desportex era provável que marcasse mais golos.

Nuno Presa Cardoso in Expresso

😉


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