Chineses boicotam produtos franceses

15 04 2008

Depois dos distúrbios à passagem da chama olímpica em Paris na passada semana, os consumidores chineses deram hoje largas ao nacionalismo e iniciaram uma campanha de boicote às marcas francesas, a quem acusam de apoiar o Dalai Lama.

Desde blogues na Internet a mensagens curtas por telefone, de correios electrónicos a mensagens instantâneas nos serviços de conversas na rede, os consumidores chineses estão a receber apelos para se recusarem a comprar marcas e produtos franceses, numa campanha que visa sobretudo os hipermercados Carrefour, líder no mercado de retalho na China.

“Se ama o seu país, não vá ao Carrefour entre 08 e 24 de Maio, três meses antes dos Jogos Olímpicos, porque os seus accionistas apoiam o Dalai Lama. O presidente francês diz que vai boicotar os Jogos, mas nós vamos boicotar os produtos franceses”, refere uma mensagem curta em chinês que circulava hoje em Pequim.

Depois de várias tentativas, ninguém atendeu o telefone no número de origem.

Uma busca no portal mais popular da Internet em chinês, o Baidu.com, dava hoje como resultado 107 mil páginas de apelo aos boicotes aos produtos franceses, depois das manifestações pró-Tibete que causaram o caos durante a passagem da tocha olímpica por Paris a 07 de Abril, levando mesmo ao apagar da chama.

Os consumidores chineses estão também revoltados com o facto do presidente francês Nicolas Sarkozy não ter posto de parte um boicote à presença na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, que decorrem entre 08 e 24 de Agosto.

Uma página no portal Tianya.cn, um dos mais famosos na China, apela aos chineses para que, ao fechar a carteira aos produtos franceses, se lembrem dos protestos de Paris, e renova a acusação de que as marcas francesas apoiam o Dalai Lama, que o governo chinês acusa de ser um separatista e de ter orquestrado as manifestações de Março contra a administração chinesa no Tibete, os mais fortes e mais violentos desde 1989.

“Depois de ter visto o que aconteceu em Paris, deixei de acreditar que os franceses são um povo amigo. A China é um país grande e poderoso e as pessoas não nos podem tratar mal impunemente. Por isso a palavra de ordem é para boicotar as marcas francesas, que estão em todos os cantos das nossas vidas – por isso no nosso poder é muito”, diz a autora da página, Hua Kai.

Hua Kai faz mesmo um mapa com os logótipos de marcas francesas existentes no mercado chinês, desde a Chanel, Dior, L’Oreal, Cartier e Lacoste à Airbus e à Renault, passando por marcas de bebidas alcoólicas e de produtos alimentares.

A campanha, no entanto, tem vindo a focar-se cada vez mais no Carrefour, que tem na China um mercado único, registando em 2007 um ritmo de expansão sem comparação no resto do mundo, ao abrir 23 hipermercados no país.

Em 2007, o volume de negócios da Carrefour China chegou aos 30 mil milhões de renminbi (cerca de 2,9 mil milhões de euros).

Um jornalista e investigador de ciências sociais que pediu o anonimato por trabalhar para uma televisão que é propriedade estatal, tal como todos os meios de comunicação social na China, considerou, em declarações à Agência Lusa, que o governo chinês é responsável pelo choque com que os chineses viram as manifestações de Paris.

“A ideia que os chineses têm de França vem sobretudo dos meios de comunicação social e como Franca sempre foi um aliado forte da China, o governo chinês sempre censurou as notícias negativas sobre os franceses”, afirmou o jornalista.

“O público chinês só conhece assim a face romântica e amigável dos franceses. É por isso que as pessoas normais estão em choque com os distúrbios de Paris, que nos vão obrigar a olhar de outra forma para a nossa relação com França”, acrescentou.

Apesar da campanha de massas contra os produtos franceses, é ainda fácil encontrar quem considere que o boicote não é boa ideia.

Li Yue, uma estudante de 26 anos, disse à Agência Lusa que “está é uma de protesto que não faz qualquer sentido numa altura de globalização”.

“O Carrefour dá emprego a milhares de chineses e a maioria dos produtos que vende são feitos na China, por isso não vejo como é que o boicote pode ter sucesso”, afirmou a estudante.

Wang Xiaofeng, jornalista e autor de um dos mais populares blogues na Internet chinesa, escolheu responder ao boicote com sentido de humor – “eu sempre boicotei a cultura francesa: nem sequer sei falar francês”.

“Tenho no bolso uns quantos vales de desconto do Carrefour. Pelo menos se for nos próximos dias vou conseguir fugir às longas filas. E, já agora, se é para eu boicotar alguma coisa, vou começar por boicotar os cretinos que organizam os boicotes“, diz Wang.

in Visão

Não sei se eles pensaram no facto de que, se a moda dos boicotes a produtos estrangeiros alastra, a China será a principal prejudicada, já que grande parte do que se “consome” no mundo moderno, é fabricado e exportado pela pátria da grande muralha…

E motivos para boicotes contra o mais populoso país do planeta não faltam! Infelizmente…


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China manipula violência no Tibete

2 04 2008

Um dos serviços de inteligência de Inglaterra (GCHQ) confirmou que agentes do Exército Popular de Libertação Chinês vestiram-se de monges budistas para aumentar a violência nos protestos que feriram ou mataram centenas de tibetanos.

Acredita-se que a decisão foi tomada por Pequim como uma forma de acabar de vez com os problemas na região, que já estava atraindo atenção negativa com a chegada dos jogos olímpicos.

Depois dos protestos que ocorreram há algumas semanas observaram-se cada vez mais monges realizando actos de desobediência pública. Posteriormente imagens mostraram que o exército utilizou agentes como provocadores para obterem a desculpa necessária que precisavam.

O que o governo chinês não esperava era que a situação ficasse descontrolada e protestos semelhantes ocorressem em vários povoados vizinhos.

Mesmo que o Dalai Lama tenha dito que desistiria do posto de líder dos budistas caso a violência não tivesse fim vários protestos continuaram a ocorrer porque a maior parte dos monges actuais são jovens, desempregados e acreditam que somente uma acção directa venha a mudar alguma coisa.

A tocha olímpica vai passar pelo Tibete daqui a algumas semanas e o governo chinês começa a ficar desesperado sem saber o que fazer. A maior prova disto foi a declaração por parte do primeiro-ministro chinês em falar com o Dalai Lama.

Outro passo do governo chinês em busca da aceitação mundial no conflito com o Tibete é a visita realizada neste fim-de-semana por representantes de 15 países, onde nenhum deles pode sair do programa feito pelo governo.

Um dos representantes chegou a afirmar que aquilo não poderia ser utilizado como substituto para a liberdade de poder visitar a parte que lhe convier.

Numa visita semelhante feita por jornalistas chineses e de outros países, um grupo de 30 monges fez um protesto onde gritaram “O Tibete não é livre.” Um repórter da Associated Press afirmou que aquele foi o único momento espontâneo da visita.

Os repórteres em visita a Lhasa descreveram a cidade como dividia, a parte chinesa e seus negócios estavam normais. Já a cidade antiga, onde vive a maioria tibetana ainda se encontra sob forte presença policial.

Quando questionado sobre o que aconteceria com as pessoas que participaram dos protestos, os oficiais chineses disseram que nada seria feito com estas pessoas. “Nós nunca lhes faríamos mal. Nós nunca iremos deter qualquer pessoa que você encontre nas ruas de Lhasa. Eu não acredito que nenhum governo faça algo assim.” Afirmou o vice-governador do Tibete, Baima Chilin.

Fontes: Epoch Times, BBC, View on Buddhism in Pipoca de Bits

Agora entendo porque eram tão violentos alguns dos monges que apareciam à frente das manifestações…


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